O Terraço: comédia une a separação de um casal com histórias hilárias

Maurício Mellone, para o Favo do Mellone – parceiro do Aplauso Brasil  (mellone@aplausobrasil.com)

"O Terraço" - foto de Erik  Almeida
“O Terraço” – foto de Erik Almeida

Com direção de Alexandre Reinecke, a peça do francês Jean-Claude Carrière começa com a esposa dizendo que irá embora; o casal passa a dividir o espaço com prováveis locatários e uma corretora engraçada

são paulo – Surreal e divertida a situação criada por Jean-Claude Carrière em sua peça O Terraço, que estreia nesta sexta, dia 18, no Teatro Nair Bello. Num café da manhã corriqueiro, Madeleine, interpretada por Vera Zimmermann, avisa da maneira mais natural possível que está indo embora. Etiènne, vivido por Marco Antônio Pâmio, pego de surpresa, duvida da decisão da esposa. Mas a seguir, enquanto eles discutem os motivos da separação, a corretora (brilhantemente vivida por Ilana Kaplan) interrompe o casal para mostrar o apartamento para seus clientes.

Não só a corretora como todos os prováveis locatários são personagens bizarros e até ridículos, como o trambiqueiro e espaçoso Sr. Astruc (Marat Descartes), o paquerador compulsivo Maurice (Henrique Stroeter) e o inusitado casal, o general cego e a esposa psicopata (Hugo Coelho e Flávia Teixeira). A trama transcorre entre a situação real, sofrida e dramática do casal e as circunstâncias hilárias e surreais criadas pela corretora e seus clientes.

O apartamento de 52 m² tem como maior atrativo o terraço ensolarado que fica na parte superior. Depois de mostrar as dependências do imóvel, a corretora faz questão de levar todos os clientes para conhecer o misterioso terraço. É lá que acontecem cenas que a princípio poderiam ser terríveis, mas que não passam de alegoria: dois dos prováveis inquilinos caem (o paquerador tresloucado tenta o suicídio e o general sofre um suspeito acidente), mas nada sofrem; pelo contrário, voltam em melhores condições do que antes!

Estes pseudoacidentes são algumas das situações engraçadas da peça de Carrière, que além de ser autor de diversos textos teatrais e ensaios é roteirista de filmes de grandes cineastas como Buñel, Godard, Louis Malle, Carlos Saura, Milos Forman e Hector Babenco.

Em O Terraço, o dramaturgo francês consegue manter o equilíbrio entre o real (a discussão do casal) e o fantástico (as tiradas da corretora e seus clientes) e o espectador embarca de imediato em sua proposta cômica e satírica. Temas como solidão, carência afetiva, desgaste da relação amorosa, sordidez, mesquinharia e novas relações criadas perpassam pela trama central, numa ótima carpintaria dramática, muito bem estruturada.

O Terraço explora a loucura humana, latente no nosso dia a dia, por meio de personagens quase alegóricos. Eles têm um tom acima do que é considerado comum. Procurei enfatizar na encenação esse hilário encontro do real com o fantástico”, diz o diretor.

"O Terraço" - foto de Erik  Almeida
“O Terraço” – foto de Erik Almeida

Com direção precisa de Alexandre Reinecke, o elenco está afinado. Destaque para a composição perfeita de Ilana Kaplan para a corretora eficiente, carente emocionalmente e, por isto mesmo, extremamente engraçada! Henrique Stroeter e Marat Descartes também tiram boas risadas do público; e o casal, interpretado por Vera e Pâmio, chama a atenção pela dificuldade da composição: ficam na corda bamba entre a realidade e o surreal e conseguem transmitir segurança e firmeza. O cenário criativo de Mira Andrade é outro destaque do espetáculo.

Tive o privilégio de, na última segunda, assistir à pré-estreia da peça, que cumpre temporada até final de março. Não perca!

Fotos: Erik Almeida

 Roteiro:

O Terraço. Texto: Jean-Claude Carrière. Tradução: Henrique Benjamin. Direção: Alexandre Reinecke. Assistente de direção: Carol Mariottini. Elenco: Vera Zimmermann, Ilana Kaplan, Marat Descartes, Marco Antônio Pâmio, Henrique Stroeter, Flávia Teixeira e Hugo Coelho. Cenografia: Mira Andrade. Figurino: Paula Sabbatini. Iluminação: Fran Barros. Visagismo: Paula Sabbatini e Roberta Estevão. Coordenação geral: Henrique Benjamin. Design gráfico e fotos: Erik Almeida.

Serviço:
Teatro Nair Bello (200 lugares), Shopping Frei Caneca, Rua Frei Caneca, 569, 3º Piso, Tel: (11) 3472-2414. Horários: sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às 19 h. Ingressos: R$ 40,00 (sexta), R$ 60,00 (sábado) e R$ 50,00 (domingo). Gênero: Comédia.  Duração: 80 min. Classificação: 10 anos. Ingressos antecipados:www.ingresso.com.br (4003-2330). Aceitam-se todos os cartões. Ar condicionado. Acesso universal. Estacionamento: R$ 7,00 (por 2h).

Temporada: Até 31/03/2013

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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