Os Satyros celebram 25 anos de história com estreia de maratona teatral

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

E_Se_Fez_A_Humanidade_Ciborgue_Em_7_Dias_Foto_Baixa_de_Andre_StefanoSÃO PAULO – Eles modificaram a paisagem sócio-cultural da região central da capital paulista. Basta lembrar como era e como está a Praça Roosevelt nesses 13 anos que fazem desde quando fui, chamado pelo ator Ivam Cabral, pela primeira vez, à sede d’Os Satyros há quase quinze anos. E, em comemoração aos 25 anos da companhia (primeiro em São Paulo, deois um auto-exílio europeu e, por fim, a praça), Os Satyros estreiam hoje o projeto E Se Fez a Humanidade Ciborgue em 7 Dias, composto por sete espetáculos (Não Amarás, Não Fornicarás, Não Morrerás, Não Permanecerás, Não Saberás, Não Salvarás e Não Vencerás) que se revezarão no palco do Espaço dos Satyros Um todos os dias da semana, às 19h, de segunda a domingo. Para a estreia será realizada uma maratona especial, com 9 horas de duração, com início às 16h, apresentando os sete espetáculos em sequência.

Partindo dos conceitos de teatro expandido e humanidade expandida, Os Satyros propuseram-se a enfrentar uma série de desafios inéditos em sua história. Robôs, telefonia móvel e seus aplicativos, internet, e experimentos científicos foram utilizados para o desenvolvimento das cenas e da dramaturgia.

Também foram convidadas sete personalidades brasileiras, de destacada atuação em suas áreas respectivas, que contribuíram com textos-provocações especialmente escritos para o projeto e incluídos no roteiro geral: Contardo Calligaris (psicanálise), Drauzio Varella (medicina), Marcos Piani (engenharia genética), Marici Salomão (teatro), Pedro Burgos (jornalismo científico), Rosana Hermann (internet) e Xico Sá (jornalismo).

Vale destacar a presença do artista uruguaio convidado Pablo Benitez Tiscórnia, no Brasil especialmente para trabalhar no projeto, que criou elementos de robótica para a cena.

O projeto também se propõe a um desafio matemático a ser resolvido até o final de sua temporada. Até lá, todos os espetáculos serão constantemente reensaiados e chegarão às suas últimas apresentações contando com a mesma duração de tempo, seguindo à risca, no que concerne à duração das cenas, os números da sequência de Fibonacci, em linhas gerais, uma sucessão de números que, misteriosamente, aparece em muitos fenômenos da natureza.

Cada projeto teve um assistente de direção responsável pelo desenvolvimento do trabalho, com coordenação geral de Rodolfo García Vázquez.

Os sete espetáculos são:

Não Amarás

Surgido do núcleo que desenvolveu o trabalho a partir do binômio Amor e Solidão, “Não amarás” remete à virtualidade das relações contemporâneas, à fluidez das mesmas e ao desafio de manter vivas relações que estão sendo o tempo todo bombardeadas pela velocidade e pelo excesso de informações. “Não Amarás” pode ser tanto “não conseguirás amar” quanto “não quererás amar”. Interação de telefonia móvel e depoimentos são alguns dos elementos do trabalho.

Texto-provocação: Contardo Calligaris

Diretor assistente: Ivam Cabral

Com Fernanda D’Umbra, Gustavo Ferreira, Ivam Cabral, Luiza Gottschalk e Robson Catalunha.

 

Não Fornicarás

Surgido do núcleo que desenvolveu o trabalho a partir do binômio Sexo Corporal e Digital, “Não Fornicarás” trata da corporificação do sexo virtual e da virtualização do sexo corporal. Num mundo onde todas as relações exigem uma proteção plastificada, o mundo digital permite a realização de toda e qualquer fantasia e o encontro veloz dos iguais. Bonecas de plástico, sites pornográficos interativos, sexo entre robôs e pedofilia virtual fazem parte das cenas do trabalho.

Texto-provocação: Rosana Hermann

Diretor assistente: Robson Catalunha

Com Fábio Penna, Giovanna Romanelli, Ivam Cabral, Julia Bobrow, Marcelo Thomaz, Nina Nóbile, Pablo Benitez Tiscornia e Robson Catalunha.

 

Não Morrerás

Surgido do núcleo que desenvolveu o trabalho a partir do binômio Corpo e Morte, “Não Morrerás” trata da necessidade de alongar a vida em todas as instâncias e do esmaecimento dos rituais da morte e da passagem. Em um mundo cheio de fármacos e cirurgias plásticas, buscamos a manutenção da juventude eterna de forma artificial, fugindo de qualquer relação com o envelhecimento. Mulheres-bonecas, sites com previsões futuras, a figura da diva clássica e Frankenstein são alguns dos temas abordados pelo trabalho.

Texto-provocação: Drauzio Varella

Diretor assistente: Fábio Ock

Com Bruno Gael, Fábio Ock, Fábio Penna, Henrique Mello, Katia Calsavara e Phedra De Córdoba.

 

Não Permanecerás

Surgido do núcleo que desenvolveu o trabalho a partir do binômio Espaço e Tempo, “Não Permanecerás” aborda a questão da percepção da velocidade e da transitoriedade do mundo contemporâneo. Teatro robótico, aplicativos de celular e interatividade formam os elementos cênicos propostos para textos de Albert Einstein.

Texto-provocação: Pedro Burgos

Diretor assistente: Pablo Benitez Tiscornia

Com Bruno Gael,  Débora Tieppo, Marya Ribeiro, Pablo Benitez Tiscornia,  Patricia Luna, Suzana Muniz e Taís Luna.

 

Não Saberás

Surgido do núcleo que desenvolveu o trabalho a partir do binômio Ciência e Natureza, o espetáculo “Não Saberás” parte da necessidade humana de tentar controlar a imprevisibilidade da natureza através da ciência e de como esta acaba por afetar os eventos naturais.  Uma maquete de cidade cenográfica realizada com pedaços de computadores mortos, de uma praia artificial e um experimento científico que gera energia elétrica ao vivo por um dos atores fazem parte do espetáculo.

Texto-provocação: Marcos Piani

Diretor assistente: José Sampaio

Com Dyl Pires, José Sampaio, Samira Lochter e Suzana Muniz.

 

Não Salvarás

Surgido do núcleo que desenvolveu o trabalho a partir do binômio Fé e Ateísmo, o espetáculo “Não Salvarás” trata do enfraquecimento das instituições religiosas tradicionais e do advento de um ateísmo militante e novas expressões de fé. Cenas com elementos religiosos tradicionais e textos de Nietzsche foram fundamentais para a realização das cenas.

Texto-provocação: Xico Sá

Diretor assistente: Henrique Mello e Tiago Leal

Com Dione Leal, Gustavo Ferreira, Henrique Mello, Luiza Gottschalk, Samira Lochter e  Tiago Leal.

 

Não Vencerás

Partindo do binômio Poder e Individualidade, o núcleo desenvolveu o espetáculo “Não Vencerás” a partir da questão da dificuldade de manter o anonimato em uma sociedade controlada digitalmente. A eliminação de vestígios digitais, nos dias de hoje, torna quase impossível a ação anônima. Depoimentos de black blocs, máscaras, busca da felicidade individual e o conflito desta com uma realidade sufocante, interação com o público e a violência são alguns dos elementos fundadores das cenas.

Texto- provocação: Marici Salomão

Diretor assistente: Dyl Pires

Com atores participantes do projeto que preferem preservar o anonimato.

 

Ficha Técnica

Coordenação Geral: Rodolfo García Vázquez

Artistas Criadores: Cléo de Paris, Esther Cardoso, Dyl Pires, Fabio Penna, Fábio Ock, Gustavo Ferreira, Henrique Mello, Ivam Cabral, José Sampaio, Julia Bobrow, Katia Calsavara, Luiza Gottschalk, Samira Lochter, Robson Catalunha, Phedra de Cordoba, Fernanda D’Umbra, Tiago Leal, Marcelo Maffei e Vini Lopes.

Produtora Executiva: Daniela Machado

Técnicos: Carina Moutinho, Flávio Duarte e Vinicius Alves

Dramaturgismo: Nina Nóbile

Diretores assistentes: Dyl Pires, Fábio Ock, Henrique Mello, Ivam Cabral, José Sampaio, Pablo Benitez Tiscornia, Robson Catalunha e Tiago Leal

Artistas convidados: Bruno Gael, Débora Tieppo, Dione Leal, Giovanna Romanelli, Guilherme Araújo, Marcelo Thomaz, Marya Ribeiro, Pablo Benitez Tiscornia, Patricia Luna, Suzana Muniz e Tais Luna.

Administração do Espaço e Produção Executiva: Carina Moutinho

Consultoria de sonorização: Raul Teixeira

Coordenação do projeto: Daniela Machado

Coordenação financeira: Vinicius Alves

Coordenação de trilha sonora: Fábio Ock

Cenografia e adereços: Luiza Gottschalk e Marcelo Maffei

Robôs: Pablo Benitez Tiscornia

Figurinos: Telumi Hellen

Assistente de figurinos: Cláu Marmo

Provocadores: Contardo Calligaris, Drauzio Varella, Marcos Piani, Marici Salomão, Pedro Burgos, Rosana Hermann e Xico Sá.

Iluminação: Flávio Duarte

Fotos: André Stéfano

Vídeos: Vini Lopes e Bruno Gael

Programação visual: Henrique Mello

Operação de luz: Flávio Duarte

Operação de som: Evando Carvalho

Operação de vídeo: Guilherme Araújo, Marcelo Maffei e Carina Moutinho.

Assessoria de imprensa: Robson Catalunha

 

 Serviço

E Se Fez a Humanidade Ciborgue em 7 Dias

 Onde: Espaço dos Satyros Um (Praça Roosevelt, 214)

Quando: Todos os dias da semana às 19h.

Valor: Gratuito até 08 de abril. Após 08 de abril R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia entrada)

Duração: 50 minutos.

Estreia: 08 de março às 16h.

16h – Não Permanecerás

17h30 – Não Morrerás

19h – Não Vencerás

20h30 – Não Salvarás

22h – Não Amarás

23h30 – Não Fornicarás

 

09 de março

01h – Não Saberás

 

A partir do domingo, dia 09 de março, os espetáculos serão apresentados nos seguintes dias:

 

Não Amarás: domingos, 19h.

Não Permanecerás: segundas, 19h.

Não Morrerás: terças, 19h.

Não Saberás: quartas, 19h.

Não Vencerás: quintas, 19h.

Não Salvarás: sextas, 19h.

Não Fornicarás: sábados, 19h.

Temporada: de 09 de março até 28 de setembro.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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