Ótimo espetáculo, texto nem tanto

Maria Lúcia Candeias*, para o Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com.br)

"A Marca da Água"
“A Marca da Água”

SÃO PAULO – Quem vai assistir A Marca da Água, no SESC Santana, se encanta com a cenografia  de Paulo de Moraes que também se encarrega da direção competente. Todo esse visual é valorizado pela sempre impecável iluminação de Maneco Quinderé, pelos figurinos de Rita Murtinho e a trilha sonora de Ricco Viana. É um visual sonoro encantador o tempo todo, me parece que na tentativa de levar o público a se identificar com a protagonista, Patrícia Selonk.

Ela é uma sonhadora que adoraria virar uma sereia e acredita não estar muito longe disso, pois um peixe bem grande e bonito apareceu nas bordas das águas do seu jardim e se encanta com ela e com os carinhos que ela lhe oferece todo o tempo.

Além dela, seu pai (Ricardo Martins) e médico, bem como seu marido ( Marcos Martins) e seu irmão (Marcelo Guerra) parecem estar convencidos de que se ela continuar por ali perto da água e dos peixes ficará muito melhor do que com um tratamento médico sem água nem peixe.

Patrícia Selonk em "A Marca da Água"
Patrícia Selonk em “A Marca da Água”

Não dá para concordar nem discordar dos personagens, porque não há argumentos favoráveis nem contra, exceto o ponto de vista da protagonista. E a gente se pergunta se ela está em delírio ou não, se eles não querem que ela se trate, se toda peça não passa apenas de um delírio alegre de uma bipolar, ou o quê?

São questões que não perturbam os autores do texto – Maurício Arruda Mendonça e o diretor que é co-autor, Paulo de Moraes. E ficam na cabeça do público sem resposta. Não tem como não se encantar com o trabalho dos atores e com o visual. Mas a gente fica se perguntando o que eles quiseram dizer.

Mesmo assim, vale conferir no SESC Santana, se você não cobra pontos de vista afirmados na dramaturgia e estes podem soar como delírio, talvez da personagem da Patrícia, sem causar enfado, não perca.

A marca da água. Sesc Santana. Av. Luís Dumont Villares, 579, Santana, São Paulo. Sextas e sábados, às 21h. Domingos, às 18h. R$ 24,00. De 16/02 a 24/03.

*Doutora em teatro pela USP e livre-docente pela UNICAMP

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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