PAGUE QUANTO PUDER: REPRESENTAÇÃO DA MULHER E DA RELIGIÃO É TRATADA EM PEÇA

Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com.br)

Em PEJÍ TI IYÁMÍ ALTAR DE MINHA MÃE o público escolhe o quanto quer pagar. Foto: divulgação
Em PEJÍ TI IYÁMÍ ALTAR DE MINHA MÃE o público escolhe o quanto quer pagar. Foto: divulgação

SÃO PAULO – O papel da mulher e da religião na sociedade é o tema do espetáculo PEJÍ TI IYÁMÍ ALTAR DE MINHA MÃE, do grupo Quilombo, que funciona na lógica do pague quanto quiser. A peça entrou em cartaz depois de dois anos de pesquisa do coletivo. A partir de ícones religiosos femininos – Maria e Iemanjá, a montagem traz uma mistura de dança, música e teatro para o Teatro Leopoldo Fróes, em Santo Amaro, até 20 de novembro.  

O diretor e também um dos criadores Vinicius Alves diz que o tema religioso sempre esteve muito próximo de sua rotina. “Fui criado em uma família ecumênica e de muitas mulheres. Esse olhar feminino para a religião sempre esteve por perto e me chamou atenção. Sempre prestei atenção na força e representação das figuras femininas religiosas. O que tratamos aqui são as diferenças que existem entre as figuras de Maria e Iemanjá, não só no religioso, mas no social. Em PEJÍ TI IYÁMÍ – ALTAR DE MINHA MÃE gostaríamos que as pessoas se permitissem olhar para o feminino por meio de diversos prismas”, explica.

O espetáculo foi criado em colaboração com as atrizes em cena. Todas se revezam papéis de Maria e Iemanjá e das outras mulheres apresentadas na peça. A ideia com esse jogo é a de que cada uma traga um pouco da sua história também.

O espetáculo se divide em três: a primeira delas é inteiramente dedicada à Iemanjá, seguindo a lógica do candomblé. Na segunda parte do espetáculo, a Maria pregada pela Igreja Católica sobe ao palco em cenas que seguem a estrutura ritualística de uma missa. Já na terceira parte, a qual o grupo deu o nome de Brasil, há o encontro dessas duas mulheres com outras mais.

Com um cenário predominante formado por renda e paletes de madeira, a trilha é executada ao vivo e alterna canções compostas pelo grupo com outras de domínio público.

 Sinopse

Iemanjá e Maria são figuras que representam grandes mães do divino. Qual a relação, proximidades e as diferenças entre essas duas entidades? O quanto seus cultos influenciam nas representações que constroem o feminino? PEJÍ TI IYÁMÍ – ALTAR DE MINHA MÃE é uma vivência performativa com dança, música, teatro, candomblé, catolicismo e manifestações populares.

 

Para roteiro

PEJÍ TI IYÁMÍ – ALTAR DE MINHA MÃE  Estreia dia 7 de outubro, às 20 horas, no Teatro Leopoldo Fróes. Artistas Criadoras – Kamila Capozzi, Renata Cesar e Suely Agon. Músicas – Kelly Martins e Samantha Rebelles. Direção e Concepção – Vinicius Alves. Ambientação Cênica – Vinicius Brasileiro e Vinicius Alves. Iluminação – Vinicius Alves. Figurino e Adereços – Renata Cesar e Vinicius Alves. Camareira – Suely Agon. Dramaturgia – Grupo Quilombo.Organização de Dramaturgia – Vinicius Alves. Operação de Projeção – Vinicius Brasileiro. Produção Geral – Suely Agon e Vinicius Brasileiro. Assistente de Direção – Vinicius Brasileiro e Marianne Gil. Direção de Palco – Vinicius Brasileiro. Classificação Indicativa – 14 anos. Duração – 120 minutos. Temporada – Até 20 de novembro, sexta-feira e sábado às 20 horas e domingo às 19 horas. Capacidade – 111 lugares. Ingressos – O espectador decide o quanto quer pagar no final da apresentação.

 

TEATRO LEOPOLDO FRÓES – Rua Antônio Bandeira, 114 – Santo Amaro. Telefone – (11) 5541-7057. Acesso para deficientes físicos.

 

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!

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