Para as crianças: Balangandança Cia. apresenta “Presente!” feito da gente e faz oficina gratuita para a criançada em Ilhabela

SÃO PAULO – Após cumprir temporada bem-sucedida em São Paulo, o espetáculo Presente! feito da gente, da premiada Balagandança Cia., faz duas apresentações gratuitas em Ilhabela, no Espaço Cultural Pés no Chão, dias 24 e 25 de março, domingo, 19h, e segunda, 9h. Criado em São Paulo, em 1997, pela diretora Georgia Lengos, o grupo é pioneiro em fazer dança contemporânea para o público infantil no País e levou duas vezes o Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).

No próximo dia 24 de março, domingo, às 11h, será realizada a vivência Dos Pés à Cabeça, voltada a crianças de 8 a 11 anos, com integrantes da companhia, no Espaço Cultural Pés no Chão. A oficina gratuita visa despertar a percepção e a sensação do movimento na criança a partir da sua imaginação, incluindo brincadeiras e jogos corporais. Uma das marcas do grupo é a promoção de debates com educadores, pesquisadores e artistas sobre a importância da discussão do corpo na infância e oficinas de dança voltadas aos pequenos.

Quem conhece a trupe de Georgia Lengos sabe que ela é composta por intérpretes talentosos – Alexandre Medeiros, Alan Scherk, Clara Gouvêa, Ciro Godoy e Isabel Monteiro. Seu oitavo espetáculo é uma aventura de movimentos-danças criada a partir de pesquisa feita ao longo de quatro anos, em diferentes comunidades no estado de São Paulo, sobre a relação entre a natureza, o corpo e o imaginário infantil. Areia, galhos de árvores, sementes e folhas secas, elementos coletados nessa experiência, são disparadores das cenas.

O lúdico é a base para composição coreográfica. O resultado deixa a plateia com os olhos grudados no tablado. “As imagens geradas pela dança despertam a criatividade no espectador, abrindo espaço ao vasto mundo do imaginário e do brincar. Não é preciso um brinquedo nem um colorido para seduzir a criança. Os  objetos cênicos de Presente! feito da gente relacionam-se a elementos da natureza e ao universo do simbólico. Não são recicláveis nem compráveis”, fala a diretora Georgia Lengos.

A trilha sonora proposta pela direção fez-se juntamente com o processo de criação. Com a presença de uma sonoplastia que reforça a ambiência a partir dos sons da natureza, como do mar e do vento, tem composições de Ciro Godoy e Clara Gouvêa com instrumentos de percussão para fazer uma referência às pedras e com rabeca em alusão ao ato de desenhar na areia. Editada por Pipo Pegoraro eGeorgia Lengos evoca elementos de paisagens naturais e brincadeiras de criança. Na seleção, Lajedo (de Caio Padilha), Pirulito que Bate-bate Roseira (de Ricardo Hertz), Soprax (de Coré Valente) e Chamego da Rabeca (de Aglaia Costa).

O processo criativo contou com as provocações de Gandhy Piorski (artista, educador e pensador da infância) e Dafne Michellepis (bailarina e educadora). Joyce Drummond responde pelo desenho de luz.

Na natureza

O espetáculo, que estreou em maio de 2018, no teatro Cacilda Becker, em São Paulo, é uma das ações do projeto Presente! Vaivém do Tempo, contemplado pelo 21o Programa de Fomento à Dança da cidade de São Paulo, em comemoração aos 20 anos da Balangandança Cia.

O trabalho foi criado a partir de pesquisa e convivência com crianças de diferentes contextos, atividade em sala de ensaio e provocações. O grupo brincou com caiçaras de Picinguaba, em Ubatuba; com indígenas da aldeia Guarani Krukutu, em Parelheiros, extremo sul da capital; e com crianças paulistanas na praia de Pitangueiras, no Guarujá.

“Essa convivência ao longo de quatro anos nos possibilitou observar as relações das crianças com o corpo e com o espaço em um ambiente de natureza mais exuberante. A movimentação dos bailarinos contaminava o que acontecia com elas, e as brincadeiras que surgiam nos contaminavam. Dança e brincadeira aconteciam desse contato entre a companhia, as crianças e a natureza. As crianças não são fonte de imitação ou inspiração, mas é desse convívio com elas e com as suas comunidades que nasceu o espetáculo”, explica Georgia.

Ficha técnica

Direção: Georgia Lengos

Elenco criador: Alexandre Medeiros, Alan Scherk, Clara Gouvêa, Ciro Godoy e Isabel Monteiro

Provocadores: Gandhy Piosrki e Dafne Michellepis

Figurinos: Isabel Teles e Edson Braga

Desenho de luz: Joyce Drummond

Material Gráfico: Fê e Celso Linck

Cenografia: Balangandança Cia.

Colaboração cenográfica: José Romero

Operação de som: Georgia Lengos

Operação de luz: Silviane Ticher

Músicas: Lajedo (de Caio Padilha), Pirulito que Bate-bate Roseira (de Ricardo Hertz), Soprax (de Coré Valente) e Chamego da Rabeca (de Aglaia Costa)

Sonoplastia: Ciro Godoy e Clara Gouvêa

Edição de trilha sonora: Pipo Pegoraro e Georgia Lengos

Registro audiovisual: Paulo Plá

Produção: Rodrigo Fidelis – Corpo Rastreado

Fotos: José Romero e Gil Grossi

SERVIÇO

Espetáculo Presente! Feito da Gente

Dia 24/3, domingo, 19h, e dia 25/03, segunda-feira, 9h. Espaço Cultural Pés no Chão.  Rua Macapá, 72, Barra Velha. Ilhabela. Telefone (12) 3895-8104. Grátis. Duração: 60 minutos.  Recomendação indicativa: livre

Oficina Dos Pés à Cabeça  com integrantes da Balangandança Cia.

Coordenação: Georgia Lengos. Dia 24/3, de 11h às 12h30. Espaço Cultural Pés no Chão.  Rua Macapá, 72, Barra Velha. Ilhabela. Telefone (12) 3895-8104. Grátis.  20 vagas. Público-alvo: crianças de 8 a 11 anos. Duração: 90 minutos.

 

Sobre Balangandança Cia. www.balangandanca.com.br / facebook/balangandancacia

 

Há 22 anos inventa danças e um “jeito de corpo” para crianças, que aposta no brincar, unindo conhecimentos sobre o movimento, a arte, a emoção. Acredita na sensibilidade e na comunicação direta com a criança, oferendo algo que possa ser inventivo, para além dos modelos pré-fabricados das mídias e conectado com questões da infância. Para isso, a presença das crianças em seus processos criativos é fundamental. Este trabalho, pioneiro no Brasil, pesquisa e pensa uma dança que se multiplica em ações variadas que visam despertar e alimentar a dança, discutir sobre infância, corpo e movimentos.

A pesquisa no cotidiano lúdico infantil, nas danças populares brasileiras e na investigação da relação entre composição coreográfica e improvisação, embasada nos princípios da educação        somática e das técnicas de consciência corporal, fundamentam as práticas educacionais no ensino da Dança desenvolvido. A companhia difunde seu trabalho em âmbito nacional através de apresentações de seu repertório, realização de oficinas para crianças e educadores, participação em mostras nacionais e internacionais, publicações e seminários.

Desde 2010, realiza uma mesa de debates sobre dança direcionada para crianças e educadores com renomados profissionais da área. As seis edições do Forinho (leia mais abaixo), espaço de troca com pensantes e dançantes para crianças, foram feitas em parceria com o Itaú Cultural, em São Paulo.

Sobre a oficina Dos Pés à Cabeça

 

O que de ar tem no seu corpo? Como você brinca e movimenta o ar?

Com o mar? Não… Ar! Mas mar também pode ser.

Muitos jeitos de ver, perceber e sentir a natureza acontecem no nosso corpo.

Esse encontro/oficina propõe jogos corporais e inclui elementos da natureza para invencionices de movimentos onde a imaginação corre solta.

 

Oficina de movimentos inventados, que brinca com a relação corpo, natureza e imaginário. Visa compartilhar o trabalho desenvolvido pela Balangandança Cia., com foco nas relações estabelecidas entre corpo/movimento, natureza e imaginário com abordagem lúdica.  Como inspiração inclui as aproximações realizadas pela companhia com as crianças de diferentes localidades e o processo criativo de Presente! feito da gente.

Através de exercícios de percepção, conexão, encontro e reverberação de objetos, evocação de memórias e troca de experiências individuais entre os participantes a oficina acontece de forma lúdica.  O corpo individual e coletivo, a natureza do corpo e o corpo na natureza, o brincar nas improvisações, criações e construções são conteúdos que tem como princípio a educação somática e a relação entre movimento e imaginação.

“A ideia é termos um encontro e ter tempo e espaço para experimentar com o corpo e inventar movimentos. Daí, nos ‘contaminaremos’ – uns aos outros – de nossos movimentos que viram brincadeiras (cinéticas e/ou/também imaginárias) e vice-versa. Como nossos corpos agem, reagem, movimentam, brincam, trocam e se alimentam dos elementos da natureza nos nossos imaginários/imaginação e  movimentações”, diz a coordenadora da oficina Georgia Lengos.

Breves perfis

 

Georgia Lengos – direção e coordenação

Graduada em Dança pela Unicamp. Criadora e diretora da Balangandança  Cia.. Foi colaboradora do Estúdio Nova Dança, integrou a Cia Nova Dança, a Cia. Oito Nova Dança e  foi professora do Colégio Oswald de Andrade, em São Paulo. Curadora de programações e autora de textos voltados à Dança para Crianças. Ministra cursos para crianças, adolescentes e capacitação de professores/educadores. Desenvolve trabalhos com dança contemporânea e educação desde 1989, integrando e concebendo projetos premiados.

Elenco

 

Alexandre Medeiros     

Mestre em Comunicação e Semiótica, 2009, e bacharel com habilitação                em teatro e dança pelo curso Comunicação das Artes do Corpo, 2003, ambos pela PUC/SP. Licenciado em Teatro pela Mozarteum em 2010. Desde 2000 atua também com a linguagem artística de palhaço; com teatro de bonecos desde 2006. Faz parte do núcleo artístico da Balangandança Cia. Lecionou aulas de teatro na Escola Municipal de Iniciação Artística (Emia/SP) de 2012 a 2016.

 

Alan Scherk      

Graduado em Dança pela Universidade Anhembi-Morumbi, ingressou na Balangandança no Projeto Balanço  em 2009. Formado na arte marcial Tayiando. Integrou as companhias Célia Gouveia, Keyzeta Cia, Coletivo de Solos, Taanteatro, Cia dos Anjos (circo) e MeiaTrupe (circo). Ministrou aulas de dança no Programa de Iniciação Artística – PIA e Projeto Dança (Unesco).

Clara Gouvêa   

Bailarina, criadora e professora, integra a Cia. Damas em Trânsito e os Bucaneiros (desde 2006) e a Balangandança (desde 2011). Desenvolveu trabalhos junto a Gisele Petty, Marta Soares, Alice K, entre outros. Atuou como artista convidada do Núcleo Cinematográfico de Dança no espetáculo O que Resta de Quatro (2010/2011). É bacharel e licenciada em Dança pela Unicamp.

               

Isabel Monteiro              

Foi integrante da Companhia Perdida dirigida por Juliana Morais ao longo de seis anos. Participou da criação e apresentação de Deslocamentos com direção de Marta Soares. Integra desde 2014 a Balangandança     Cia. nos espetáculos Ninhos Álbum das Figurinhas. É professora de dança para crianças e adultos e bacharel em dança pela Unicamp e em Letras pela USP.

Ciro Godoy         

Dançarino e músico, ele brincou muito durante toda sua infância,  na rua, na mata, na praça, no quintal, e ainda adora brincar. Desde 1999 pesquisa o Kempo, prática corporal ancestral, inspirada no movimento dos animais, nos ritmos da Natureza e no arquétipo do guerreiro. Foi através do Kempo, que em 2004, começou suas Pesquisa Artísticas em Dança Contemporânea, Contato-Improvisação, Aikido e Improvisação Dança Teatro. É integrante da Cia. Damas em Trânsito e os Bucaneiros desde 2006 e durante seis anos fez parte da Cia. Oito Nova Dança. Também realiza trabalhos em Preparação Corporal, Cenografia e Iluminação Cênica. Se formou em Biologia em 2001.

Sobre Forinho

O primeiro Forinho fez parte do projeto Dança em Jogo (2010) e contou com a participação de Maria Amélia Pereira, que falou sobre o Brincar, com Beth Bastos, que abordou o tema Dança para Crianças e com Ana Teixeira, falando sobre Improvisação. A mediação foi de Georgia Lengos e integrou a programação de Dança para crianças do Itaú Cultural em junho de 2010, curadoria de Georgia Lengos, Prêmio APCA 2010 de melhor iniciativa em Dança – Georgia Lengos/Balangandança Cia. e Renata Bittencourt/Itaú Cultural.

A segunda e terceira edições respectivamente contaram com Renata Meirelles e Gandhy Piorski (CE), que falaram sobre o Brincar, com Lenira Rangel e Uxa Xavier, que abordaram o tema Dança para Crianças e com Helena Katz e Cristiane Paoli-Quito, falando sobre Improvisação. A quarta edição contou com Marcos Ferreira Santos, Christian Duarte e Daraína Pergnolatto (GO). Na quinta edição, Lydia Hortélio (BA), Dududde Hermman (BH) e Andréa Fraga (SP) compartilharam suas inquietações sobre os temas discutidos. O VI Forinho, além de debate com profissionais das áreas de dança, arte, cultura, infância e educação, incluiu duas oficinas uma delas voltada para o público infantil e a outra para o público adulto e mostra de repertório em comemoração aos 20 anos da Balangandança. A próxima edição do evento está prevista para o final deste ano, em São Paulo.

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!

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