PARA TOD@S: “SATYRIANAS” MOVIMENTAM PRAÇA ROOSEVELT COM HOMENAGEM A PHEDRA D.CORDOBA

Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com)

Satyrianas acontece em homenagem à "Phedra D. Córdoba, diva da Praça. Foto: divulgação
Satyrianas acontece em homenagem à “Phedra D. Córdoba, diva da Praça. Foto: divulgação

SÃO PAULO – Não seria exagero dizer que a praça Roosevelt não seria como a conhecemos hoje se não fosse a atriz cubana Phedra D.Córdoba. Quando o grupo Os Satyros ocuparam a região, nos anos 2000, a violência e a hostilidade dos habitantes com a companhia só foi quebrada graças a essa transexual de coragem e personalidade, que se tornou a diva do grupo. Phedra morreu em abriu passado e a 17ª edição das Satyrianas será em homenagem a ela. Em 78 horas de atrações, de 12 a 15 de novembro, a praça e outros espaços serão tomados por teatro, dança, palestras, leituras, música e muitas outras atividades no estilo “pague o quanto puder”.

Sob o espírito do brilho de Phedra, da liberdade a Satyrianas busca um evento para “tod@s”.Para homenagear a atriz cubana e filha do candomblé, entre outras atrações, uma vigília contínua de três Phedras quer parar a Praça Roosevelt. Da abertura ao final, elas se revezarão para divertir o público e vendendo beijos de batom vermelho. A ação é aberta para quem quiser ser a diva da Praça da maneira que quiser: a palavra é diversidade. A renda arrecadada pela performance será doada para a entidade APOGLBT SP (Associação da Parada do Orgulho LGBT).

Outro destaque que trata de Phedra é o show-homenagem Phedras por Phedra, que conta com músicas que remetem à vida e a trajetória da diva do grupo Os Satyros. A direção é Gero Camilo e Robson Catalunha. A história da diva poderá ser conferida, ainda, no documentário Cuba Libre, de Evaldo Mocarzel e em outras atividades. Para conferir mais da programação das Satyrianas e os locais participantes, acesse: http://www.satyrianas.com.br.

CONHEÇA A HISTÓRIA DE PHEDRA D. CÓRDOBA
Phedra de Córdoba surgiu na vida dos Satyros com mais de 60 anos. Ela vivia na região da Praça Roosevelt e era um ícone para as travestis e as transexuais jovens, que viviam e trabalhavam na região. Ela foi o motor da revitalização da Praça, encabeçada pelo grupo Os Satyros, dirigido por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez.

Phedra que assumiu a sua condição de transgênero na Ditadura Militar (1664 -1985) nunca teve medo de morrer. Só não queria ficar longe dos palcos. Cubana, transexual, cortesã, mulher e filha do candomblé sofreu todos os tipos de preconceitos. Aos 77 anos, em nove de abril deste ano, a diva faleceu, vítima de câncer.

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!

No Comments Yet

Leave a Reply

Seu email não será publicado

*