Paulo Goulart Filho surpreende em Quarto 77

Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"Quarto 77" - em cena - Paulo G.Filho e Maria Laura - foto de Demian Golovat

Com direção de Roberto Lage, a peça de Leonardo Alkmim retrata o universo de um homem que se refugia num quarto de hotel e recebe a inesperada visita de uma mulher. Mistério, alucinação, realidade se entrelaçam com um final impactante

SÃO PAULO – Hotel abandonado do centro da cidade. O personagem central de Quarto 77 — peça de Leonardo Alkimm que acaba de estrear no Teatro Augusta — escolhe este local para se refugiar. Sem nome, este Homem, vivido por Paulo Goulart Filho, chega à noite ao hotel fugindo sabe-se lá do quê e, com receio, instala-se para descansar.

“O sono da razão gera monstros”
Para sua surpresa, o Homem acorda e, assustado, vê uma Mulher (interpretada por Maria Laura Nogueira) dormindo na cama ao lado da sua. Aparentemente a cena retrata uma realidade — ela diz que não tinha mais vaga no hotel e como o quarto 77 possui duas camas foi encaminhada para lá. No entanto, o público a partir da repetição da mesma cena (chegada ao quarto, descanso, surpresa ao acordar e diálogo entre os personagens) é levado ao universo misterioso, surreal e angustiante daquele casal.

"Quarto 77" - em cena - Paulo G.Filho e Maria Laura - foto de Demian Golovat

Do que ou de quem o Homem foge. Quem é aquela Mulher. Crime, briga entre marido e mulher ou mera construção mental do personagem. Amor, amizade ou ódio. Realidade, alucinação ou mistério. As pistas deste quebra-cabeça o autor vai fornecendo a conta-gotas e desta forma vai envolvendo a plateia, num vai e vem no tempo e nas emoções daqueles personagens. Como em todo o desenrolar da trama, o final não poderia ser diferente: um desfecho que provoca surpresa e dá a chave para solucionar todo o drama vivido por aquele Homem preso no quarto de hotel.
O cenário de Heron Medeiros contribui muito para o clima da peça: as pessoas entram na sala de espetáculo e dão de cara com o quarto de hotel, limpo mas ao mesmo tempo descuidado (o banheiro não tem porta, a descarga da privada tem defeito, a luz é acionada por um velho interruptor preso ao teto, a janela não fecha com facilidade, etc). O barulho da cidade — único vínculo com o real — funciona até como um oásis para o transtorno mental daquele Homem.
Além da direção precisa e minuciosa de Roberto Lage, o grande destaque de Quarto 77 é, sem dúvida, a atuação do Paulo Goulart Filho, um ator que construiu sua carreira mesclando dança e teatro e com este trabalho mostra sua evolução e o estágio maduro de sua veia dramática.

Roteiro:
Quarto 77
. Texto: Leonardo Alkmim. Direção: Roberto Lage. Elenco: Paulo Goulart Filho, Maria Laura Nogueira e Gisa Guttervil. Cenografia: Heron Medeiros. Figurino: Milton Fucci. Iluminação: Wagner Freire. Assistente de direção: Aline Meyer. Trilha sonora: Henrique Mello. Fotos: Demian Golovaty. Coordenação de produção: Erika Barbosa. Realização: FAZ Centro de Criação.

Serviço:
Teatro Augusta (302 lugares), Rua Augusta, 943, tel. 3151-4141. Temporada: sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às19h. Ingressos: R$ 50,00 (meia: R$ 25,00). Bilheteria: 4ª a 5ª (14h às 21h), 6ª (14h às 21h30), sáb (15h às 21h) e dom. (15h às 19h). Antecipados: www.ingressorapido.com.br (tel: 4003-1212). Duração: 70 min. Classificação: 14 anos. Ar condicionado. Estacionamento conveniado. Até 08 de abril de 2012.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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