Peça ocupa Casarão do Belvedere

Egnaldo Oliveira, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

 

Universo onírico é tema em <i>CineBelvedere</i>
Universo onírico é tema em CineBelvedere

 

A Cia. Bruta de Arte apresenta até o dia 25 de outubro o espetáculo Cine Belvedere. A peça, que ocupa o Casarão do Belvedere, na Bela Vista, marca a estréia da companhia como grupo independente, depois da experiência de quatro anos de seus atores no Núcleo Experimental do Satyros.

Cine Belvedere é resultado de um ano e meio de pesquisa sobre o universo onírico e os distúrbios do sono, coordenada por Roberto Audio (Teatro da Vertigem), que também dirige o espetáculo. Um antigo diretor de cinema sofre de uma doença rara que o impossibilita de dormir e conseqüentemente de sonhar, apropria-se de sonhos que não são seus e sonha pelos sonhos dos outros. Talvez para encontrar a si mesmo ou então descobrir que ele também é apenas um sonho de alguém.

 O público é conduzido pelas salas e áreas externas do casarão, onde acompanha diversos momentos da vida de uma família, cujas histórias foram preservadas através de um diário de sonhos. Como num filme, cada gesto e cada imagem, de realidade, sonho ou devaneio, ajudam a construir os arranjos e desarranjos dos personagens – dos pais às filhas, dos empregados às amantes do patriarca. Neste casarão vazio de móveis, nesta família cheia de vazios, o sonho pode ser a única realidade.

 

Sobre a Cia. Bruta de Arte

A Cia. Bruta de Arte surgiu em 2004, do coletivo de atores que durante três anos integrou o Núcleo Experimental dos Satyros (NES).  

De janeiro de 2005 a dezembro de 2007, realizaram três espetáculos baseados nas investigações dos universos de Nelson Rodrigues, Antonin Artaud e William Shakespeare.

O primeiro trabalho do grupo – Ensaio sobre Nelson (2004) – dirigido por Nora Toledo e Jarbas Capusso Filho e o trabalho seguinte – Rua Taylor nº 214 (2005) – dirigido por Alberto Guzik, foram concebidos a partir das pesquisas sobre a obra Rodrigueana. As peças fizeram temporada no Espaço dos Satyros I e, em 2005 – Rua Taylor nº 214, ganhou o prêmio de melhor espetáculo no Festival de Teatro de Sumaré/SP.

O trabalho seguinte foi Vestir o Corpo de Espinhos (2006), também dirigido por Alberto Guzik e criado a partir da investigação do “Teatro da Crueldade” de Antonin Artaud. Após temporada em São Paulo o espetáculo representou o Brasil no Festival Multicultural Play Off/ 06, realizado em junho nas cidades de Herne, Essen, Dusseldorf e Gelsenkirchen,  na Alemanha.

No mesmo ano, o grupo iniciou uma nova pesquisa baseada na obra de William Shakespeare – Sonho de Uma Noite de Verão, que resultou no espetáculo El Truco com direção de Roberto Audio (Teatro da Vertigem) estreando em 2007 no Espaço dos Satyros II.

Em 2008, este núcleo forma a Cia. Bruta de Arte, consolidando o grupo como um núcleo multidisciplinar de criação e pesquisa, interessado na investigação de novas linguagens teatrais e, também, em outras expressões artísticas como a dança, a dramaturgia, a performance e as artes plásticas.

Para dar continuidade ao seu trabalho a Cia Bruta de Arte inicia uma nova pesquisa, agora sobre o universo onírico e os distúrbios do sono. Carl Gustav Jung, Gaston Bachelard, Sigmund Freud entre outros serviram como fonte para os novos estudos, assim como a livre inspiração no universo cinematográfico de alguns diretores  como  David Lynch, Alejandro Jodorowsky e Guy Maddin.

 Ficha técnica

Direção: Roberto Audio

Assistente de direção: Washington Calegari

Texto: Cia. Bruta de Arte

Iluminação: Guilherme Bonfanti

Assistente de Iluminação: Grissel

Trilha Sonora: Helder da Rocha e Cia Bruta de Arte

Figurinos: Keila Akemi e Angela Ribeiro

Criação de Projeções: Claus Lehmann e Edward Lenzi

Elementos cenográficos: Paulo Vereda

Projeto Gráfico: Cléber Rodrigo

Fotografia: Leandro Lopes

Produção: Cia Bruta de Arte

Co-Produção: Casarão do Belvedere

Personagens e elenco

 Christoph Lichtmann – Paulo Maeda

Franka Lichtmann – Thammy Alonso

Annete Lichtmann – Maria Campanelli Haas

Eva Lichtmann – Angela Ribeiro

Helga Lichtmann – Ana Lúcia Felipe

Bettina Lichtmann – Fabiana Souza

Rudolph Moreak – Helder da Rocha

Pacha  – Marba Goicochea

Talulah Tetembua – Teka Romualdo

Mohammed Madi – Wagner Mendonça
Otto Heiser – Thiago Franco

Amelie Rousseau – Ana Pereira
Thomas Gross – Wanderley Salgado

Nikola Baumgartner – Ricardo Socalschi

CINE BELVEDERE

 

Sábados, 21h, e domingos, 19h, até 25 de outubro

Casarão do Belvedere – Rua Pedroso, 267, Bela Vista. (Próximo ao Metrô São Joaquim).

Apenas 16 lugares por sessão.

Tel: 3266-5272.

Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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