Peça protagonizada por Maria Maya coloca em xeque plágio versus livre inspiração

Nanda Rovere, do Aplauso Brasil (nanda@aplausobrasil.com)

POPCORN
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SÃO PAULO – Popcorn, Qualquer Semelhança Não É Mera Coincidência conta com a autoria e direção de Jô Bilac, um dos nomes mais importantes do cenário teatral na atualidade, e fala da criação artística, colocando em questão o limite tênue entre a livre inspiração e o plágio. Sandro Pamponet é parceiro de Bilac na direção. A atriz Maria Maya é um dos destaques do elenco, que também conta com Alessandra Colasanti, Mabel Cezar, Ricardo Santos e Vinícius Arneiro. Estreia sexta-feira (28), às 21h30h, no Teatro Nair Bello, após temporadas no Rio de Janeiro e viagens por diversas cidades brasileiras.

 

Numa era em que a tecnologia cada vez mais está presente no cotidiano das pessoas, a peça parte de algumas questões para refletir sobre a possível perda da originalidade e da criatividade: Como conceituar uma cópia? Como mensurar entre uma livre inspiração e o plágio?

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Na trama, Márcia (Mabel Cezar) é uma dona de casa que lança o seu primeiro livro. Apesar de não ter nenhuma experiência literária, vai receber um prêmio na Noruega pela sua obra, que virou um best seller. No jantar estão seu pai Otávio (Ricardo Santos), um jornalista respeitado, e seu irmão Marcos (Vinícius Arneiro), professor universitário, acompanhado de sua esposa Roni (Maria Maya), uma jovem espalhafatosa e indiscreta.

A chegada de Saubara O’donnor (Alessandra Colasanti), famosa estrela de TV que pretende comprar os direitos do livro para rodar um filme, aumenta o mal-estar que já estava instalado no jantar. Saubara quer adaptar o livro, mas as suas ideias não agradam a autora.

Em breve entrevista. concedida ao Aplauso Brasil, a atriz Maria Maya que também é produtora de Popcorn, fala sobre a peça, a sua relação com Jô Bilac e toda a equipe, as viagens pelo Brasil e a experiência como produtora.

Aplauso Brasil Como entrou em contato com o texto?

Maria Maya – O Jô Bilac, além de um excelente dramaturgo, é um grande amigo. Sempre vislumbrávamos uma  possibilidade de trabalharmos juntos. E o Popcorn veio  abençoar esta relação de amizade, admiração e respeito pelo trabalho do outro.

Aplauso Brasil  -Jô Bilac é um artista provocativo. Questionador. Como é ser dirigida por ele?

Maria Maya – Foi ainda mais agregador ter presente em sala de ensaio, o diretor e autor do espetáculo. Além de que ainda contávamos com a competente parceria do  diretor Sandro Pamponet e a direção de movimento da Viétia Zangrandi. Foram estes múltiplos olhares que permitiram uma flexibilidade maior da obra. O processo de ensaio foi  bastante generoso e sensível, com um coletivo talentoso e que acima de tudo acreditava muito no projeto.

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Aplauso Brasil – Além de atuar no espetáculo, você também é produtora. Como é se desdobrar nessas tarefas?

Maria Maya – O resultado deste trabalho vem se estendendo há dois anos entre temporadas e turnês de sucesso  pelo Brasil, o que me deixa bastante realizada como produtora e também estimulada a dar continuidade à minha pesquisa  ligada â dramaturgia nacional. Fui igualmente feliz em projetos como Play e Obituário Ideal, do autor Rodrigo Nogueira e Não Existem Níveis Seguros Para O Consumo Destas Substâncias, da Daniela Pereira de Carvalho.

 

Aplauso Brasil  – Na sua opinião, como fica o plágio diante das ¨novas tecnologias¨?  

Maria Maya – Estamos vivendo em tempos que nada é mais legítimo. Quem pode garantir que fui eu mesma que respondi estas perguntas? ( risos)

 

Aplauso Brasil -Vocês ficaram em cartaz no Rio e estão viajando bastante. Como é apresentar o espetáculo em diferentes localidades?

Maria Maya – Além de duas temporadas no Rio de Janeiro, fizemos um projeto de circulação financiado pelo SESC no interior do Rio Grande do Sul e outro pelo SESI no interior do Rio de Janeiro, e atualmente estamos em turnê através do Prêmio Myriam Muniz. O mais bacana de fazer parte destes projetos  é a oportunidade de formar plateias a preços acessíveis. Tem muita gente ainda por este Brasil que nunca foi ao teatro. É lindo compartilhar esta experiência.

 

Aplauso Brasil – Você é de uma família muito ligada ao humor . Como é relação com o humor na peça?

Maria Maya – Eu acredito que só no humor podemos subverter o estado das coisas existentes. Em Popcorn trabalhamos com o humor mais patético das relações cotidianas. É cruel, mas bastante divertido.

 

Sobre Maria Maya:

 

A atriz e produtora é filha do diretor Wolf Maya e da também atriz e diretora Cininha de Paula. É conhecida por trabalhos na TV, entre eles: Cara e Coroa , minissérie A Muralha, Senhora do Destino. Caminho das Índias, Aquele Beijo e Amor à Vida.

Também é experiente no teatro: Obituário Ideal, direção de Rodrigo Nogueira; PLAY sobre sexo, mentiras e videotape, direção de Ivan Sugahara; A Loba de Ray-Ban, direção de José Possi Neto; Não Existem níveis seguros para o consumo destas substânçias, direção deTato Consortti; Tudo no escuro de Peter Shaffe, direção deMarcus Alvisi;  Do outro lado da Tarde de Caio F.Abreu, direção de Gilberto Gawronski e A menina e o Vento, direção de Cininha de Paula, estão entre os espetáculos em que atuou.

 

Ficha Técnica:

Texto: Jô Bilac

Direção: Jô Bilac e Sandro Pamponet

Elenco (em ordem alfabética) / Personagens

Alessandra Colasanti / Saubara O’donnor

Mabel Cezar / Marcia

Maria Maya / Roni

Ricardo Santos / Otávio

Vinícius Arneiro / Marcos

Direção de Movimento e Stand-in: Viétia Zangrandi

Cenário: Nello Marrese

Assistente de Cenografia: Natália Lana

Figurino: Gabriela Campos

Iluminação: Thiago Mantovani

Assistente de Iluminação: Fernanda Mantovani

Trilha Sonora: Jô Bilac

Preparação Corporal: Breno Guimarães

Preparação Vocal: Verônica Machado

Visagismo: Fabrizio Sá

Artes Gráficas: Marcelo Cravero

Fotos: Paula Kossatz

Direção de Palco: James Hanson

Assistência de Produção: James Hanson e Alessa Fernandes

Produção Executiva: Letícia Napole

Produção SP: Vini Rigoletto

Coordenação de Produção: Beto Bk

Realização: Maria Maya e Giba Ka

 

 

Serviço:

Popcorn

Teatro Nair Bello (200 lugares)

Shopping Frei Caneca – Rua Frei Caneca, 569 – 3° andar.

Telefone: 3472-2414.

Bilheteria: de terça a sexta, das 14h às 21h30; sábados das 14 às 21h e domingos, das 14 às 18h. Aceita todos os cartões de débito e crédito. Não aceita cheque.

Estacionamento R$ 7 até duas horas.

Vendas: www.ingresso.com e tel.: 4003-2330.

Sexta às 21h30 | Sábado às 21h | Domingo às 18h

Ingressos: R$ 40

Duração: 80 minutos.

Recomendação: 16 anos.

Temporada: até 18 de maio

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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