Peça que Jean Cocteau escreveu para Piaf ganha nova versão em SP

Adriano Oliveira, especial para o Aplauso Brasil (aplauso@gmail.com)

"O Belo Indiferente"

SÃO PAULO – Protagonizado por Djin Sganzerla, O Belo Indiferente, texto que Jean Cocteau escreveu especialmente para Édith Piaf, ganha montagem dirigida por André Guerreiro Lopes, cuja estreia será amanhã no SESC Consolação, com promessas de irreverência na sua abordagem sobre as relações humanas, especificamente o amor.

Pouco encenada no Brasil, O Belo Indiferente foi pouco montada no Brasil, mas tem em seu currículo, durante os anos 80 e 90 do século passado, atuações icônicas como as das atrizes Helena Ignez (sua mãe), Glauce Rocha e Maria Alice Vergueiro.

Apesar de se tratar de um monólogo, a montagem traz dois personagens. Ela (Djin Sganzerla) e Ele (Dirceu Carvalho). Ela fala e Ele se cala. O enredo é simples. Durante uma madrugada, uma cantora espera seu amor em um quarto de hotel. Seu amado Emílio, enfim, chega! Sem dizer uma palavra, anda pelo quarto, deita-se na cama e lê, tranqüilamente, seu jornal. Ela tenta por todos os meios atrair sua atenção, mas nenhuma estratégia é suficiente: ironia, raiva, sedução, confidências, denúncias, ameaças. Será que ele romperá essa indiferença silenciosa? – É o que público saberá quando for assistir ao espetáculo.

André Guerreiro Lopes, quem assina a direção, diz buscar ressaltar a atemporalidade e dramaticidade poética do texto.

“Fugimos de um enfoque naturalista para retratar a situação de uma mulher em crise e seu amante num quarto de hotel. Ao invés de ‘trazer para os dias de hoje’, buscamos o que existe de profundamente humano neste amor obsessivo…”, conta Lopes.

A montagem original, cuja estreia em Paris (1940) e atuação de Edith Piaf, causou controvérsias entre o público da época. Traduzida para todas as línguas, o texto foi encenado por grandes atrizes de todo o mundo.

Djin já foi premiada pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como melhor atriz de 2008, e sua atuação no filme, Meu Nome é Dindi, de Bruno Safadi, também lhe rendeu prêmio no Festival de Cinema Luso Brasileiro, em Portugal.

Serviço
O BELO INDIFERENTE
Estréia – 3 de novembro, quinta-feira, às 21 horas, no Espaço Beta do SESC Consolação (3º andar).
Temporada – Quintas e sextas-feiras, às 21 horas. – 60 minutos. Até 16 de dezembro.
Ingressos – R$ 10,00; R$ 5,00 (usuário matriculado, estudante com carteirinha e aposentado) e R$ 2,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes).
Espetáculo recomendável para maiores de 12 anos.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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