Peça usa realismo fantástico para encenar o vazio existencial

Redação do Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com)

Tão Pesado Quanto o Céu [Peça HQ]. Foto: Ricardo Inhan
Tão Pesado Quanto o Céu [Peça HQ]. Foto: Ricardo Inhan
SÃO PAULO – No espetáculo Tão Pesado Quanto o Céu [Peça HQ] dois homens se encontram em um ponto de ônibus. Com um toque de realismo fantástico, não se sabe se o encontro é real ou não: pode ser um encontro de um personagem com ele mesmo; de dois personagens; ou mero fruto da imaginação. Para contar essa história que mistura dança e teatro, os atores Pedro Stempniewski e Ricardo Henrique dividem a cena. A direção é de Mariana Vaz e o texto de Ricardo Inhan, ambos do Grupo Poleiro do Bando. Os figurinos foram feitos pelos próprios atores e pela diretora da peça, que também assina os figurinos. A trilha sonora é de Mariá Portugal.  Com curta temporada, a peça estreia em 19/10.     

A ideia da peça Tão Pesado Quanto o Céu [Peça HQ], em cartaz no Teatro Cacilda Becker, é trabalhar o lúdico. No cenário, por exemplo, dez balanços, além de uma vídeo projeção. O público, que ficará no palco junto com os atores – Pedro Stempniewski e Ricardo Henrique – também poderá se acomodar em balanços ou cadeiras.

Solidão,falta de perspectiva e instabilidade, temas recorrentes no espetáculo, são apresentados ao público por meio de uma conversa em um ponto de ônibus. Diálogos rápidos e cortantes capturam cotidianos vazios e delineiam a permanente ambiguidade a respeito do que é real e do que não é. Seriam dois homens, um único homem em diálogo interno ou várias figuras? Os atores são ora figuras, ora narradores. Trocam de papéis, viram um duplo do outro, sobrepõe-se. Entram e saem da “quase-fábula”.

O autor Ricardo Inhan explica o termo “peça HQ”. “Um padrão rítmico é proposto e então modulado no espaço/papel, assemelhando-se a

Tão Pesado Quanto o Céu [Peça HQ]. Foto: Ricardo Inhan
Tão Pesado Quanto o Céu [Peça HQ]. Foto: Ricardo Inhan
um cartoon de Robert Crumb, Charles Burns ou até mesmo Will Eisner”, conta o autor.

Ambiente
Pássaros empoleirados em fios elétricos. Pássaros dançam nos fios de alta tensão. Na encenação, o realismo fantástico apático do ponto de ônibus se transforma em um Espaço Cênico Instalativo, ocupado por balanços que pendem do teto. Público e atores compartilham o mesmo espaço, (quase) todos em balanços. Ao se sentar em balanços, experimenta-se certo desconforto, instabilidade e tensão física no ato de assistir. Compartilha-se o mesmo desconforto experimentado pelos atores em cena, além de que, balanços lado a lado lembram poleiros de uma grande gaiola.

“O ambiente lúdico intensifica-se; a tensão do texto fragmentado e da quase-fábula concretiza-se também nas instabilidade dos balanços, no movimento dos atores nos fios, que ora se balançam, ora pulam de um poleiro a outro e no construir e desconstruir do espaço.. Aos poucos , quadro a quadro, as cordas dos balanços tornam-se os fios de alta tensão em que os dois atores, sozinhos entre muitos, dançam  a solidão profunda dos pássaros nos fios ”, destaca a diretora.

Além dos balanços, o cenário é composto por uma animação PB, com imagens brancas em fundo preto, de pássaros em fios elétricos. Uma narrativa simples, da dança lenta e monótona de pássaros nos fios, ora realista, ora mais fantástica e quase aterrorizante.

 

Sobre Ricardo Inhan
Mineiro de Guaxupé é formado pelo Núcleo de Dramaturgia – Sesi British Council. Em 2006, recebeu os prêmios de melhor direção e roteiro pelo curta-amador Dois Palhaços Castos Num Circo de Copos, na Mostra 14 Bis de vídeo. Dentro do Núcleo de dramaturgia produziu sob orientação de Marici Salomão, o texto Enquanto o cheeseburguer não vem Fez parte do projeto Os Dez Dramaturgos, do site teatroparaalguem com a minipeça A Piscina Rasa, dirigida por Thiago Antunes. Colaborou no roteiro da novela infantil de Jaqueline Vargas, Valentina, em fase de comercialização pela produtora Casablanca. Escreveu o espetáculo Mormaço, com direção de Zé Henrique de Paula. Atualmente é roteirista do programa Sessão de Terapia, do canal GNT, além de roteirizar em parceria com Caroline Fioratti, a série infantil A Grande Viagem, com estreia prevista para 2014 na TV Cultura.

 

Sobre Mariana Vaz
Mariana Vaz é artista da dança, do vídeo, empreendedora cultural e, recentemente, diretora de teatro. É integrante-fundadora do Núcleo TRÍADE, com quem criou e realiza TRÍADE MÓBILE (Semanas de Dança CCSP 2013  e Ocupação Caixa Cultural 2013), os áudioroteiro coreográfico interativos e site specific TRIADE Tour São Bento (2011), Tríade Tour Ouvirundum (2013), e Tríade Tour-Santos, intervenção realizada na Bienal Sesc de Dança, em setembro de 2013. Foi contemplada pelo ProAC 16 – Concurso de Apoio a Projetos de Artes Visuais no Estado de São Paulo – pelo projeto BELVEDERE, uma intervenção para a Casa de Yayá, em São Paulo (abril a jun/2013). Em 2011, realizou (escreveu, produziu e dirigiu) o curta e a videoinstalação Quanto tempo leva um coração para descongelar? (Edital de Co-patrocínio para Primeiras Obras 2011. Co-dirigiu – com Ana Roxo – a peça Vigília (texto de Cássio Pires). Graduada em Economia e mestre em Psicologia Social.

Para Roteiro:
TÃO PESADO QUANTO O CÉU [PEÇA HQ] – Estreia dia 18 de outubro, sexta-feira, às 21 horas, no Teatro Cacilda Becker. Autor – Ricardo Inhan. Direção e Cenário – Mariana Vaz. Elenco – Pedro Stempniewski e Ricardo Henrique. Trilha Sonora – Mariá Portugal. Videocenário, Iluminação e Arquitetura do Cenário – José Silveira. Figurino – Mariana Vaz, Pedro Stempniewski e Ricardo Henrique. Produção – Pedro Stempniewski. Duração – 60 minutos. Espetáculo recomendável para maiores de 12 anos. Temporada – Sexta-feira e sábado às 21 horas e domingo às 19 horas. Ingressos – R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia-entrada). Até 24 de novembro.

 

TEATRO CACILDA BECKER – Rua Tito 295 – Lapa. Telefone: (11) 3864-4513. Bilheteria abre uma hora antes do início de cada apresentação. Capacidade – 50 lugares.

 

 

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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