Pina Bausch no Cinema: Encruzilhada Onírica de Linguagens

Macksen Luiz, especial para o Blog do Macksen Luiz , parceiro do Aplauso Brasilmacksenr@gmail.com)

"Dance, Dance, Senão Estaremos Perdidos", Pina Bausch

SÃO PAULO – O documentário de Wim Wenders sobre as criações de Pina Bausch é bem mais do que o registro das coreografias de uma das artistas mais instigantes do século 20. Pina 3D, filme de 130 minutos, que utiliza o 3D para aproximar o espectador da pulsão de gestos, que expressam feixe de tensões dramáticas num cenário de sentimentos em permanente fricção, justifica a definição da fundadora da companhia de Wuppertal de que seus bailarinos dançavam o teatro, teatralizavam a dança.

Na captação das imagens de coreografias e de depoimentos de membros da companhia e, mais parcamente, da própria Pina, Wenders é econômico nas palavras. Os closes e o olhar invadem, tridimensionalmente, a tela, como se a platéia pudesse penetrar na cena, perceber suores, ouvir arfares, acompanhar ritmos retirados de mãos batidas nos corpos.

“As palavras apenas evocam as coisas. É aí, que entra a dança”, como diz Pina Bausch, das poucas vezes que explica seu arrebatamento rigoroso à procura de significar o mundo em que vive e de falar através do movimento.

O filme se apropria , seja no que relembram os bailarinos, seja no que destaca Wenders, do universo de uma mulher intensa, mas de abissais silêncios. Cada um dos dançarinos, vindos de mundos e culturas tão distantes – de brasileira a orientais, de alemães a italianas, de latinos a escandinavos – e de tipos físicos e idades tão contrastadas, mencionam aquela que provocava sem mapas de localização, apenas com rotas de investigação.

Um deles, ouviu da diretora a proposta do percurso: “signifique a lua com o corpo”. É dele, corpo, que suas coreografias adquirem a dramática que reflete o tempo da criação. E dos quatro elementos que extrai o cenário vivo de corpos que se tensionam e desabam, se tocam e se excluem, se completam e se inconcluem, quase levitando.

O olhar, ao qual Pina atribuiu a dimensão teatral da exclusão, ganha em Café Müller a visão penetrante do gesto para além das cegueiras. A transposição da sala de espetáculo para a beleza dos insuspeitados exteriores da cidade de Wuppertal acrescenta aos movimentos de inexcedível força expressiva, ambientação, de urbano futurismo e da natureza manipulada pelo homem.

O encontro do cinema com a dança, feita teatro por amálgama onírico, transforma a encruzilhada de linguagens em síntese de uma artista  em que o trabalho a impulsionou até a morte a roçar a plenitude da criação.

E você quer assistir Pina 3D de graça? (PARTICIPE E CONCORRA A CONVITES CLICANDO AQUI)

Blog do Macksen Luiz

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

No Comments Yet

Leave a Reply

Seu email não será publicado

*