Plínio Marcos ganha a partir de 1 de maio uma Companhia de Repertório e o Projeto de Ocupação Noites Sujas no Teatro Arena

 

 

SÃO PAULO – O projeto ‘Noites Sujas’, vencedor da primeira edição do Prêmio Cleyde Yáconis da Secretaria Municipal de Cultura, ocupará até fim do mês de julho o Teatro de Arena com uma série de atividades em torno do escritor, diretor e dramaturgo Plínio Marcos. A concepção do projeto do diretor Marco Antônio Braz foi também o mote para a criação de uma companhia teatral da obra de Plínio Marcos, a Cia Plin de Repertório, com o objetivo de estudar, encenar e representar o teatro do dramaturgo para o grande público. ‘Noites Sujas’ é, portanto, a primeira realização e a estreia da Cia PLIN de Repertório.

A partir de 1 de maio até fim de julho serão realizadas duas montagens inéditas, a de O Abajur Lilás e de Dois Perdidos Numa Noite Suja, por Marco Antônio Braz, que também coordena o projeto e a Plin, uma exposição, música, quadrinhos, debates, leituras cênicas e montagens que estão ou estiveram em cartaz na cidade como ‘O Bote da Loba’ e ‘Navalha na Carne’, ambas do Teatro Garagem.

A noite de lançamento da ocupação Noites Sujas terá a inauguração da exposição Onde Vamos? obre Abajur Lilás e a obra do Plínio, com curadoria de Kiko Barros, filho do dramaturgo, às 19h. Em seguida, Mário Bortolotto dirige a leitura de Barrela, no espaço Augusto Boal, e também a apresentação e fala do desenhista João Pinheiro, que adaptou o texto para HQ. A parte musical será da “Arena do Samba canta Plínio Marcos” com o samba de raiz de Geraldo Filme, Zeca da Casa Verde, Toniquinho Batuqueiro e outros bambas do samba paulista. Participação e Apoio do Programa O Samba Pede Passagem, no foyer Zé Renato.

“A obra teatral de Plínio por si só justifica e consagra esta necessidade. A escolha dos dois textos para a abertura da companhia se dá pelo diálogo que ambos os textos possuem entre si, convidando o espectador a mergulhar na obra do maior dramaturgo paulista e um dos maiores do mundo no século XX”, diz Braz.

A peça O Abajur Lilás foi escrita em 1969, em plena ditadura militar. Foi liberada pela Censura onze anos depois, em 1980. Devido à luta pela liberação do texto tornou-se símbolo da resistência da classe teatral com a censura.

A ação tem lugar no prostíbulo de Giro, um homossexual desapiedado que conta com Osvaldo, um segurança violento, para fazer valer sua autoridade ali. Em estado de extrema degradação humana, três prostitutas tentam sobreviver. Dilma se apega aos valores e ao filho que precisa criar; a rebelde e inconsequente Célia só deseja tomar o prostíbulo e o poder para si; Leninha é novata no lugar, individualista e parece não se abalar com os conflitos alheios. Tudo se complica quando um abajur aparece quebrado no dormitório e nenhuma das três assume a culpa. A situação dramática caminha para um final violento em que antevemos uma metáfora das relações em uma ditadura, incluindo a tortura.

Em Dois Perdidos Numa Noite Suja, Paco e Tonho dividem um quarto numa hospedaria barata e durante o dia trabalham de carregadores no mercado. Todas as cenas se passam no quarto durante as noites. As personagens discutem sobre suas vidas, trabalho e perspectivas, mantendo uma relação conflituosa. O tema da marginalidade permeia todo o texto. Tonho se lamenta constantemente por não possuir um par de sapatos decente, fato ao qual atribui sua condição de pobreza. Ele inveja Paco que possui um bom par de sapatos e este, por sua vez, vive a provocar Tonho chamando-o de homossexual ao mesmo tempo em que o considera como um parceiro. Paco, que já havia trabalhado como flautista, certa noite teve sua flauta roubada quando estava muito embriagado, entorpecido. No final, na tentativa de melhorar suas vidas, ambos são compelidos à realização de um ato que modificará radicalmente suas vidas.

Ambos os atores Dom Capellari – Tonho e Alex Lanutti – Paco são jovens (respectivamente 19 e 16 anos) muito talentosos que serão apresentados ao teatro com este trabalho.

A concepção de Braz segue o caminho de uma cena simples que valorize acima de tudo as interpretações e ainda permitam comentários épicos sutis que coloquem as obras diante de uma visão de contexto que gere a reflexão sobre o aqui e o agora e os dias de hoje.

Navalha na Carneque completou 50 anos ano passado, é um clássico do “teatro marginal”, a cena que fazia ver a “escória da sociedade Neusa Sueli, Vado e Veludo, uma prostituta, um cafetão e um camareiro gay – que fazem parte de um “subproletariado”, nas palavras de Décio de Almeida Prado: “uma escória que não alcançara sequer os degraus mais ínfimos da hierarquia capitalista”.

O BOTE DA LOBA foi escrita em 1997 pelo dramaturgo pouco antes de sua morte e aponta a guinada de sua dramaturgia para o falso moralismo burguês, em fase “mística” de mergulho pessoal no tarô e de ironia crítica à sexualidade da classe média.

 

Programação Completa:

Em 01 de maio, quarta-feira, às 19h – Abertura e lançamento da ocupação Noites Sujas com abertura da exposição Onde Vamos? sobre O Abajur Lilás e a obra do Plínio, com curadoria de Kiko Barros, filho do dramaturgo. Em seguida, Mário Bortolotto dirige a leitura de ‘Barrela’, no espaço Augusto Boal, e também a apresentação e fala do desenhista João Pinheiro, que adaptou o texto para HQ. A parte musical será da “Arena do Samba canta Plínio Marcos” com o samba de raiz de Geraldo Filme, Zeca da Casa Verde, Toniquinho Batuqueiro e outros bambas do samba paulista. Participação e Apoio do Programa O Samba Pede Passagem, no foyer Zé Renato.

Dia 2, quinta-feira, às 20h; ensaio aberto de ‘Dois Perdidos’, seguido de uma palestra de Oswaldo Mendes, biógrafo do autor.

De 3 a 14 de maio, de quarta a domingo, ensaios abertos de Dois Perdidos, às 18h30 e a partir do dia 08 ensaios abertos corridos, às 20h e no domingo, às 19h.

Dia 15 de maio, quarta-feira, às 20h estreia de Dois Perdidos. 

As apresentações de Dois Perdidos seguem em cartaz até o fim de julho, às 20h, qui, sex e sábado às 19h, no domingo.

Dias 22 de maio, quarta-feira, às 20h, estreia de O Bote da Loba.

“O Bote da Loba” segue em cartaz às quartas-feiras, às 20h até julho.

Estreia de ‘Navalha na Carne’, do Teatro Garagem,  dia 05 de junho, quarta, às 20h.

O Abajur Lilás abre ensaios a partir de 20 de junho, às 18h30 e nos dias que antecedem a estreia 23, 26 e 27 ensaios abertos corridos, às 20h.

Estreia de O Abajur Lilás, dia 28 de junho, sexta-feira, às 20h.

As peças vão entrando em cartaz na medida em que o projeto se desenrola. No mês de julho serão 12 apresentações semanais das quatro peças.

Os ensaios abertos são gratuitos e as apresentações dos espetáculos serão cobrados ingressos nos valores de  R$ 20,00 e R$ 10,00.

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