Prêmio Shell é revertido em R$ 300 mil para a classe teatral brasileira

Glauco Paiva da Shell.

EM REDE – O Prêmio Shell de Teatro foi criado em 1988, para contemplar, todos os anos, os artistas e espetáculos de melhor desempenho nas temporadas teatrais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Em sua primeira versão, era composto por seis categorias: Autor, Diretor, Ator, Atriz, Cenografia e Especial, esta última abrangendo todos os demais segmentos ligados ao “fazer” teatral. Mas já em 89 surgia mais uma categoria: a de Figurinista. Em 92, foi a vez de incluir Iluminação e, em 96, Música. Já foram 32 edições em sua história, e é com certeza, um dos principais incentivadores do teatro no Brasil, por contemplar também companhias emergentes.

Conseguimos contato com a empresa Shell, através de Glauco Paiva, Gerente Executivo de Relações Exteriores da Shell, que fala com admiração, da força dos trabalhadores culturais e que empreendem energia em um cenário totalmente adverso. Afirma que a premiação tem São Paulo e Rio de Janeiro como ponto de partida e análise de espetáculos, mas o objetivo é contemplar o teatro em todo o território nacional. Quando perguntamos a Glauco, qual foi o momento mais emocionante para ele nesses anos de Prêmio Shell, ele afirma ter sido a premiação de Wilma Mello, em 2017, na categoria Melhor Atriz pelo espetáculo Chica da Silva. Até então ela teria sido a primeira atriz negra a receber o prêmio.

Em parceria com a Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro (APTR) e a Associação dos Produtores Teatrais Independentes (APTI), de São Paulo, a ação vai destinar R$ 150.00,00 para cada instituição, que serão responsáveis por distribuir o valor em forma de ajuda de segurança alimentar para os trabalhadores.

O ator Odilon Wagner está a frente da briga em apoio aos artistas e técnicos.

Odilon Wagner , ator, autor e diretor de teatro, tendo trabalhos de destaque na, em produções da TV Globo, e no cinema, também é vice-presidente da Associação dos Produtores Teatrais Independentes. Ele nos diz que recebeu a notícia de doação da Shell com grande surpresa.

Odilon afirma as dificuldades de retomada das atividades teatrais, no pós-pandemia, principalmente por causa do público, que não estará totalmente seguro e á vontade. Essa necessidade de segurança irá atingir também o elenco que, segundo ele, teria de passar por testagens semanais, devido a necessidade de proximidade no fazer teatral.

O fato, da reabertura dos teatros ter que obedecer o protocolo de 40% de lotação, encarecerá demais a produção de um espetáculo, tornando-o inviável se não houver patrocínio. Quando indagado se, o “ teatro on-line” seria o novo normal,Odilon foi direto : “ Não. Teatro On Line não existe. O que existem são adaptações de alguns espetáculos para plataformas na internet.

As inscrições para o benefício já foram encerradas. O valor será revertido em cartão alimentação ou cesta básica. Para a seleção dos beneficiados houveram alguns critérios, como, não ser CLT e ser ligado ás artes cênicas. A pandemia de Covid-19 impôs limitações ao calendário teatral brasileiro e impactou diretamente a categoria. Cerca de 1.000 famílias paulistas serão impactadas positivamente com o apoio da Shell.