Projeto Satyros Satyricon retoma trilogia sobre obra de Petrônio

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil/ iG (Michel@aplausobrasil.com)

Projeto Satyros Satyricon está de volta

SÃO PAULO – Atendendo a pedidos do público, a partir de hoje, está de volta o projeto Satyros Satyricon cuja proposta propõe um mergulho sobre a obra de Petrônio por meio da trilogia Trincha, Satyricon, a Peça e Suburra (CONFIRA O SERVIÇO AO FINAL DA MATÉRIA).

Em entrevista concedida ao Aplauso Brasil, Rodolfo García Vázquez fala mais sobre a trilogia.

Aplauso Brasil – Como surgiu a ideia de encenar Petrônio?

Rodolfo García Vázquez – Na verdade, desde a fundação do grupo tínhamos a questão do Satyricon. Logo em um dos nossos primeiros trabalhos, Saló Salomé, um crítico havia dito que a atmosfera do espetáculo lembrava o Satyricon de Fellini. Três anos atrás, durante uma temporada nossa no Rio de Janeiro, um espectador carioca nos lançou uma provocação. Ele comentou que a obra de Petrônio dialogava profundamente com algumas questões presentes no trabalho do grupo. Achamos interessante o desafio e começamos a encontrar a nós mesmos em Petrônio.

Projeto Satyros Satyricon está de volta

AB – O que você e o grupo desejavam abordar que encontraram em Satyricon?

Rodolfo García Vázquez – A questão da escravidão contemporânea, a luta pela sobrevivência, a busca desenfreada pelo prazer, as possibilidades inúmeras do amor… tudo isso vemos em Petrônio e em nós. Tentamos mais de cinco editais diferentes e todos nos negaram a possibilidade de fazer o trabalho. No final das contas, acabamos assumindo a montagem por nosso próprio risco.

AB – Por que da divisão em três partes?

Rodolfo García Vázquez – Nossa investigação inicial estava focada na performatividade. O trabalho se dirigia para algo bastante distante do texto de Petrônio. No entanto, havia algo de maravilhoso naquelas palavras tão antigas que também não poderíamos negar. Buscamos, assim, abordar o tema Satyricon através de três espetáculos distintos, formando uma Trilogia.

AB – O que você pretende abordar em cada uma delas? Assistindo a uma dela é necessário assistir a todas para entender cada uma?

Rodolfo García Vázquez – Uma dessas partes, Satyricon a peça, tem o formato do teatro tradicional, com a criação de personagens e situações, estabelecendo pontes entre o texto de Petrônio, a nossa realidade de Praça Roosevelt e os debates intensos da Sociedade do Espetáculo e do conceito de Multidão. Evaldo Mocarzel fez uma belíssima junção de todas estas discussões e nos proporcionou um texto de excepcional atualidade. Os dois outros espetáculos, no entanto, não tem a forma de teatro tradicional e buscam proporcionar ao espectador  uma série de estímulos visuais, sonoros, corpóreos, para o levar a viver uma experiência teatral. Trincha é um espetáculo de 45 minutos composto por uma instalação cênica de 400 m² e 40 atores com ações simultâneas. O espectador visita a instalação e cria seu percurso estético durante esse tempo. A instalação trata da vida no Império globalizado de hoje, onde línguas e figuras se mesclam com as dificuldades de comunicação. Suburra parte da ideia de uma balada cênica. Suburra foi o maior bairro de prostituição da Antiguidade, e estava localizado em Roma na época de Petrônio. A ideia desta balada é a comemoração irônica da “ginástica para a libertação dos escravos do século XXI”. Através de performances, happenings, canções e danças multiculturais, público e atores constroem estes espetáculo único.

AB – Essa encenação, também uma nova linha de pesquisa, coloca em recesso a pesquisa sobre o Teatro Expandido?

Rodolfo García Vázquez – Ao contrario, um dos aspectos fundamentais da reflexão sobre o Teatro Expandido é justamente de que o teatro não pode mais se limitar às formas tradicionais. O diálogo com outras artes, em especial a performance, a dança e as artes visuais, está nos levando a investigar possibilidades novas de manifestações teatrais. Trincha e Suburra fazem parte dessa investigação. O teatro expandido também é um teatro líquido, que se molda a novas formas e possibilidades, em um mundo em que todas as fronteiras tornam-se mais e mais flexíveis.

Satyros’ Satyricon

Trincha
Sinopse
: Uma instalação performática que reproduz a vida no submundo das grandes cidades. Um encontro de indivíduos conectados por redes e tecnologias em um sistema funcional e conectado
Quando: sábados e domingo, às 20h
Quanto: R$ 10,00 e R$ 5,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade, Oficineiros dos Satyros e moradores da Praça Roosevelt)
Lotação: 120 lugares
Duração: 40 minutos
Recomendação: maiores de 18 anos
Temporada: de 11 de agosto a 25 de novembro

Satyricon
Sinopse:
três ex-gladiadores formam um triângulo amoroso e fazem malabarismos para conseguir sobreviver. Os personagens frequentam do submundo às festas da elite romana se prostituindo e cometendo furtos, em busca da sobrevivência diária
Quando: sábados e domingos, às 21h
Quanto: sábados: R$ 30,00 / R$ 15,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (moradores da Praça Roosevelt)

Domingos: R$ 20,00 / R$ 10,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (moradores da Praça Roosevelt)

Lotação: 80 lugares
Duração: 90 minutos
Recomendação: maiores de 18 anos
Temporada: de 11 de agosto a 25 de novembro

Suburra
Sinopse:
A festa dos escravos do Século XXI. Uma rave teatral em que o público é convidado a participar das performances dos atores. Assuntos relativos ao trabalho são proibidos.
Quando: sábados, às 23 h
Quanto: R$ 20,00 / R$ 10,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (moradores da Praça Roosevelt)
Lotação: 80 lugares
Duração: 90 minutos
Recomendação: maiores de 18 anos
Temporada: De 11 de agosto a 25 de novembroa

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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