“Recordar é Viver” é inesquecível

Maria Lúcia Candeias, colunista e crítica teatral do Aplauso Brasil

Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Quem ler o programa da peça Recordar é Viver talvez até hesite em assistir, pois parece que o brilhante autor, Hélio Sussekind, classifica os personagens que protagonizam a história como muito problemáticos –

Suely Franco e Sérgio Britto

pai doente e mãe com síndrome do pânico –, mas não é bem assim. Qualquer pessoa que sentar na platéia vai rolar de rir e certamente verá um maravilhoso retrato de sua própria família.

A intimidade que se tem em qualquer clã que cresceu junto é pouco igualável fora deste âmbito e, mesmo que resulte num enorme afeto, este será tão acompanhado pela total falta de cerimônia, a ponto de que, quem vê de fora, julgar como muito pouco respeito mútuo.

Contribuem para esse resultado impecável, a direção totalmente coerente de Eduardo Tolentino, não só no que tange à leitura apresentada pelo elenco competentíssimo, mas também no que concerne ao espetáculo, propriamente dito.

A iluminação de Paulo César Medeiros tem a eficiência de sempre. O mesmo ocorre com os cenários e figurinos de Lola Tolentino totalmente adequados e de extremo bom gosto. Lembrando de tudo, a gente fica até curiosa de saber como seriam os bastidores entre mãe e filho (Lola e Eduardo) até chegarem ao acordo sobre o visual que se vê no palco…

Suely Franco (a mãe) está arrasando a ponto de nem o Sérgio Brito (o pai) lhe fazer concorrência. José Roberto Jardim

José Roberto Jardim, Suely Franco e Sérgio Britto em "Recordar é Viver"

(Henrique) surpreende com a precisão com que interpreta o filho tímido que na verdade é o protagonista. Seus irmãos Paula e João (Ana Jansen e Camilo Bevilacqua) também convencem nos papéis e conquistam o público, assim como Anna Cecília Junqueira, a delicada Bruna, namorada de Henrique.

Em síntese é uma montagem maravilhosa que você não pode perder.

Recordar é Viver

Até 27/02. Sextas e sábados, às 21h e domingos, às 19h. Duração: 85 min.
Não recomendado para menores de 14 anos
R$ 32,00 (inteira); R$ 16,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 8,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).
320 lugares.
Teatro Anchieta do SESC Consolação
Rua Dr. Vila Nova, 245
Tel: 11 3234-3000

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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