Recusa conquista prêmios e volta à cena paulistana

Redação do Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com.br)

Espetáculo Recusa venceu os principais prêmios da cidade de São Paulo.
Espetáculo Recusa venceu os principais prêmios da cidade de São Paulo.

SÃO PAULO – O espetáculo RECUSA estreia temporada no CIT-Ecum, em 15 de março, sexta-feira, às 21h. As apresentações acontecem sextas e sábados, às 21h e domingos, às 19h e fica em cartaz até 14 de abril. A montagem foi ganhadora do 25º Prêmio Shell de Teatro – SP, nas categorias de direção (Maria Thaís) e cenário (Márcio Medina) e do Prêmio APCA de melhor ator (Eduardo Okamoto e Antônio Salvador).

RECUSA começou a ser desenhado a partir do interesse despertado pela notícia veiculada no Jornal Folha de S. Paulo, em 16 de setembro de 2008 sobre o aparecimento de dois sobreviventes, índios Piripkura – etnia considerada extinta há mais de vinte anos. Viviam nômades, perambulando por fazendas madeireiras no noroeste do Mato Grosso, próximo ao município de Ji-Paraná, em Rondônia, e ambos se recusavam a estabelecer qualquer contato com os brancos. Foram encontrados porque suas gargalhadas ressoaram na floresta e chamaram atenção: eles riam das histórias que contavam um ao outro enquanto davam conta de comer a caça recém abatida.

RECUSA é narrado, cantado, por dois olhares e seus múltiplos: dois índios Piripkura; dois heróis ameríndios, Pud e Pudleré, criadores dos seres; um padre que foi engolido por uma onça que resolveu morar dentro de um lugar inesperado; um fazendeiro que matou um índio e o mesmo índio que o matou, por uma cantora que se perde na mata, por Macunaíma e seu irmão, os heróis dos Taurepang, e outros tantos.

“O espetáculo é nossa via poética, de resistência artística e desloca nossas perspectivas sobre a idéia de extinção, finitude, história, civilização, identidade, alteridade, animalidade e humanidade”, complementa a diretora Maria Thaís.

Cenografia, figurino, música e iluminação

O espaço cênico foi concebido de modo que a cena seja vista de forma frontal, onde o espectador possa também transitar por diversas perspectivas.

Os figurinos construídos são os dos atores narradores, e não das «personagens». Eles contêm elementos que multiplicam um único sujeito em muitos.

Todos os seres são humanos, dizem os mitos. O que acontece é que a pele, a «roupa» que cada um veste é que é de onça, gente, cadeira, chinelo, vento, livro.

Esta ideia conduziu diretamente a pesquisa dos figurinos de RECUSA.

A concepção de luz, em RECUSA, se estruturou a partir da exploração das possibilidades da luz natural, da sombra, das distinções entre o dia e a noite. São estes os elementos a serem materializados pela luz que, antes de iluminar a cena, o ator, como na tradição ocidental, deve iluminar o mundo – sem contudo, tornar visível o que deve se manter invisível.

A pesquisa sonora, dirigida pela etno-musicista Marlui Miranda, tem como material a construção verbal (como a desestruturação da língua portuguesa, quando falada pelos indígenas), os modos de narração, as técnicas de uso da voz e da palavra, além de cantos de diversos povos indígenas, recriados pela pesquisadora, como também as referências pesquisadas e aprendidas pelos atores (Karajá, Kaiapó, Mehinaku, Yanomami, etc). Cantos em outros idiomas, como o latim e o português também compõem o material de criação. Outros elementos foram incorporados ao trabalho, como os zunidores, chocalhos e rabeca, compõem a rica musicalidade desta tradição.

Equipe de criação
Atuação: Antonio Salvador e Eduardo Okamoto (ator convidado)
Encenação: Maria Thaís
Dramaturgia: Luis Alberto de Abreu
Cenografia e Figurino: Márcio Medina
Iluminação: Davi de Brito
Direção Musical: Marlui Miranda
Preparação de Butoh: Ana Chiesa Yokoyama
Assistência de Direção: Gabriela Itocazo
Produção Executiva: Claudia Miranda

Serviço

CENTRO INTERNACIONAL DE TEATRO ECUM (CIT-Ecum)

Rua da Consolação 1623 – Consolação – São Paulo – SP – CEP: 01301-100
Telefones: 11 32555922 (bilheteria)
Funcionamento: segunda à sexta, das 14h às 18h
Metrô Paulista
Estacionamento conveniado ao lado do teatro (Rua da Consolação) – Preço único R$15,00
Bilheteria e café: abrem 2h antes do espetáculo
Ar condicionado
Acesso (salas 1 e 3) e banheiro para deficientes
Valor do ingresso: R$40 (inteira) e R$20 (meia)
Pagamento: Cartões de crédito (Diners, Mastercard, Visa), Cartões de débito (Maestro, Rede Shop, Visa Electron) e Dinheiro
Televendas: www.ingresso.com 4003-2330

Sala 1 – Térreo (Sala em formato de galpão com plateia fixa)
Capacidade 134 lugares

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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