Relação entre arte e cidade protagoniza II Encontro de Teatro de Mauá

Michel Fernandes*, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

Com o patrocínio da Petrobrás, apoio do SESC São Caetano e co-realização da Prefeitura Municipal de

Luís Melo encabeça elenco de "RockAntigona"

Mauá, de hoje até domingo (28), a cidade de Mauá convida sua comunidade, bem como os amantes das artes da região do ABCD Paulista e da capital para o II Encontro de Teatro de Mauá. A programação (CLIQUE AQUI para ver) primorosa, as atividades formativas e o nicho de empreendimento, as relações entre arte e cidade, são protagonistas desse Encontro, cujas atividades são gratuitas.

Também como “diferencial” desta para a edição de 2009 está “o recorte principal: o teatro para além do lugar comum”, afirma o ator, diretor e dramaturgo, Caio Evangelista, Coordenador de Cultura de Mauá.

A proposta, ousada e instigante, é imergir durante esses cinco dias em reflexões sobre como a sociedade pode dialogar com o

Elias Andreato apresenta seu premiado solo, "Doido"

teatro, bem como este pode dialogar com áreas outrora inimaginadas.

“A cidade é o palco expresso, por isso o título dado ao Encontro: integral e plural. Partimos da ideia de que o teatro deveria dialogar com as demais linguagens artísticas. Assim, a dança, a literatura, as artes visuais e a música farão parte do II Encontro de Teatro. Desse modo, também, promovemos maior discussão no sentido de Cidade/cidadania e sua políticas culturais (É o legado de Heleny Guariba)”, fala Caio, cuja dissertação de mestrado fala sobre Heleny Guariba, artista-militante desaparecida pela Ditadura.

A escolha dos espetáculos que compõem o encontro também segue a premissa arteXcidadão e “trazem em seus textos,

Caio Evangelista, Coordenador de Cultura de Mauá

encenação ou no modo de fazer um gesto para o qual e pelo qual podemos contemplar e refletir o teatro. Por exemplo, a encenação de “RockAntigona”, com o Luis Melo, revisita um clássico que debate a função do Estado, os direitos da cidadania meio a uma trilha sonora e visualidade muito próximos do mundo em que vivemos, também Os Satyros põem em discussão os rumos da encenação moderna do teatro contemporâneo”, diz.

Caio destaca ainda o trabalho “exemplar” dos atores Elias

Pagu: uma mulher bem à frente de seu tempo

Andreato e Renata Zanetha que apresentam, respectivamente, “Doido” e “Dos Escombros de Pagu”, neste II Encontro de Teatro de Mauá.

Pelas ruas de Mauá

Na busca pela integração absoluta entre os cidadãos de Mauá e o município em si, a vasta programação de teatro de rua há “espetáculos próximos da população de Mauá, cheia de migrantes nordestinos e mineiros, com o trabalho diferenciado de As Graças, Buraco d´Oráculo, Rosa dos Ventos, Trupe Sinhá Zózima e Cia. Grite. Cada uma delas, traz um tema que diz respeito ao dia a dia dos trabalhadores de uma cidade suburbana como Mauá”, argumenta Caio.

O Espelho Formativo

Se há na base do Encontro de Teatro de Mauá, um tripé em que estão as relações entre as artes e a cidade; a disseminação das ideias da multiplicinariedade do teatro; a terceira coluna

do tripé é a educativa: com debates sobre diversos temas ligados às artes cênicas fomentando a formação dos artistas de Mauá;.

“Acredito que, a partir dessas referências convidadas para discussões em mesas temáticas com Luis Alberto de Abreu, Celso Frateschi e A Brava Cia., mediados por Reynuncio Napoleão de Lima, que seguramente fará links importantes com sua experiência como docente, pesquisador e artista”, completa Caio.

Depois de 2009

A primeira experiência do Encontro de Teatro de Mauá, realizada em 2009, segundo Caio “serviu para acumularmos muita experiência, que pode ser estendida aos funcionários, técnicos e grupos da cidade que, quando não se sentem preparados a apresentar espetáculos de forma geral,

Trupe Sinhá Zózima "O Poeta e o Cavaleiro", direção de Alexandre Lindo. Foto: Adalberto Lima

apresentam performances, além de já olhar para além do palco comum. Assim foi o Apolo, cujo local da encenação será revelado na hora, e a Cia. Quartum Crescente que decidiu-se pela rua. Vejo como um ganho essas experiências, a exemplo de outras que acompanham a descentralização nesse ano, a popularização necessária e a integração de projetos como Oficinas culturais, artistas do quartas intenções, ambos projetos que movimentam a cultura na cidade, além dos equipamentos”.

As apresentações em bairros periféricos de Mauá são relevados por Caio.

“Isso garante o acesso aos moradores de bairros emergentes. Essa elitização de Festivais Brasil à fora é uma ameaça para a diminuição de público. Sabemos o que dá certo a partir do perfil da população, perguntando, discutindo com a comunidade local e garantindo referenciais no mostrar, no refletir e no debater. Avançamos muito e conseguimos envolver mais gente, tornando o Encontro definitivo como projeto, como proposta em mudar o perfil cultural da cidade. Entendi, sobretudo, que se faz o Festival sob a ótica da população e não apenas pelo olhar artístico. Há que se ver o cidadão comum, a cidade, o entorno, a história”, finaliza.

Confira programação completa CLICANDO AQUI.

*Michel Fernandes é jornalista convidado pela Coordenadoria de Cultura de Mauá

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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