RESENHA: BRIGITTE BARDOT É TEMA DE PEÇA QUE FALA DE FALTA DE PRIVACIDADE

Maurício Mellone * (redacao@aplausobrasil.com)

COM AMOR, BBBBBRIGITTE
COM AMOR, BRIGITTE

SÃO PAULO – Tendo como mote um fato real ocorrido na década de 1960 quando a atriz francesa visitou o Brasil e precisou se refugiar num apartamento de um amigo para se livrar do assédio da imprensa e da legião de fãs, o dramaturgo Franz Keppler criou a peça Com amor, Brigitte com a intenção de discutir a linha tênue que separa a liberdade de expressão do direito à privacidade, tema tão em voga atualmente. Com direção de Fabio Ock, Bruna Thedy interpreta Brigitte, que com a ajuda do camareiro do hotel, vivido por André Corrêa, foge para o apartamento dele para poder se livrar de fotógrafos, repórteres e dos fãs ensandecidos que queriam chegar perto dela. Além do isolamento, a atriz queria um pouco de paz antes de chegar a Búzios — a passagem dela pelo balneário fluminense ficou eternizada com a escultura da artista plástica Christina Motta, em que a atriz olha para o mar.

O público, sem saber, entra no clima da peça, no saguão do teatro: câmeras registram desde a chegada dos espectadores até que todos se acomodem em suas poltronas. E os atores já estão em cena, com telões mostrando toda esta movimentação. Em sintonia entre o telão e as ações no palco, a trama tem início e o público passa a saber tudo o que aconteceu com a atriz francesa ao desembarcar no Brasil, numa época em que ela era o símbolo máximo da beleza e da sensualidade.

No entanto, a biografia da atriz e os fatos ocorridos na época são recursos da encenação para que a discussão sobre a falta de privacidade venha à tona.

COM AMOR, BRIGITTE
COM AMOR, BRIGITTE

“Considero as câmeras de segurança uma das ferramentas mais representativas quando falamos em invasão de privacidade; são instrumentos que desenham o século XXI. Na peça, temos uma Brigitte brasileira, espiada por câmeras como num reality show. Queremos chegar num caleidoscópio estético para contar essa história”, revela o diretor Fabio Ock.

A trama também questiona a aura que se cria sobre os artistas e o distanciamento que muitos criam entre a celebridade e o cidadão comum: isto fica evidente na cena em que o camareiro coloca a atriz na parede, dizendo que ela só fala dela e nem ao menos sabe como ele se chama.

O grande destaque de Com amor, Brigitte, sem dúvida, é para a encenação proposta pelo diretor, que une teatro, dança, música e vídeo. O espaço do auditório é pequeno e as câmeras (uso de grua inclusive), os dois telões e a movimentação dos atores fazem com que o espectador se sinta parte do espetáculo, dentro de um reality. Senti, entretanto, certa dificuldade em enxergar algumas cenas em que os atores ficam na extremidade do cenário.

O figurino de época, assinado por Zé Henrique de Paula, também merece ser ressaltado, assim como a perfeita sintonia da performance dos atores no palco e as cenas dos vídeos.

* Maurício Mellone publicou o texto no www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

 

Roteiro:
Com amor, Brigitte
. Texto: Franz Keppler. Direção e trilha sonora: Fábio Ock. Elenco: Bruna Thedy e André Corrêa. Cenário: Pedro de Alcântara Neto. Figurino: Zé Henrique de Paula. Iluminação: Fran Barros. Preparação corporal: Einat Falbel. Fotografia: Jefferson Pancieri. Vídeos: Laerte Késsimos e Fabio Ock. Produção Executiva: Katia Placiano. Realização: Morente Forte.
Serviço:
Teatro do MASP/Pequeno Auditório (80 lugares), Av. Paulista, 1578, tel. 11 3129-5959. Horários: sexta e sábado às 21h e domingo às 19h. Ingressos: sexta e domingo R$ 50 e sábado R$ 60. Bilheteria: de terça a domingo das 10h às 17h30 e quinta das 10h às 19h30. Vendas: www.masp.org.br e www.ingresse.com. Duração: 80 min. Classificação: 16 anos. Temporada: até 29 de maio.