RESENHA: COMÉDIA DIRIGIDA POR JÔ SOARES TRAZ O ENCONTRO ENTRE FREUD E DALI

Maurício Mellone * (redacao@aplausobrasil.com)

HISTERIA
HISTERIA

SÃO PAULO – Acaba de estrear a cidade a comédia do dramaturgo britânico Terry Johnson Histeria, dirigida por Jô Soares. A trama percorre um universo entre o sonho e a realidade e mostra Sigmund Freud, interpretado por Pedro Paulo Rangel, no fim da vida e com uma doença incurável, em Londres, em 1938, depois de ter escapado de um cerco nazista.

É nesta atmosfera, que antecede a segunda guerra mundial, que o pai da psicanálise em seus delírios revê um de seus casos famosos em que define a histeria. Uma jovem, vivida por Erica Montanheiro, bate à porta do famoso professor, em plena madrugada chuvosa, e suplica para ser atendida; ele reluta, mas é convencido pela moça e começa a sessão de terapia. No meio de uma tumultuada e confusa sessão, Freud recebe a visita do artista criador do surrealismo, o espanhol Salvador Dali, interpretado por Cassio Scapin. O encontro entre os dois existiu, mas o autor usa deste fato real para criar sua comédia recheada de confusão, intrigas e pantomima.

HISTERIA
HISTERIA

A cena inicial — retomada ao final — é com Freud em seu espaçoso consultório londrino refletindo sobre um caso, quando é a abordado pela garota que insiste em entrar para falar com ele. A princípio o professor se recusa a abrir a porta, mas como ela insiste muito, ele não só abre seu consultório como é convencido a ouvi-la em terapia; a moça é espevitada e nada convencional e é durante a sessão que Freud recebe a visita de seu médico (Milton Levy) que o interpela e também do famoso pintor espanhol. As confusões estão criadas, já que as duas visitas não podem saber da paciente, um tanto intempestiva.

O texto mescla tons farsescos com uma discussão profunda sobre psicanálise. Senti um descompasso nesta proposta dramatúrgica: misturar Salvador Dali (retratado de forma caricatural) com um caso de profunda dor e dramaticidade me pareceu incompatível.

No entanto, o destaque de Histeria é para a atuação dos atores (facilitada pela direção de Jô que ressalta o talento de cada um em cena), principalmente de Pedro Paulo Rangel, que emociona com sua composição para Freud no final da vida. O videografismo, assinado por André Grynwask e Pri Argoud e projetado no fundo do palco, é eletrizante e enaltece a figura de Freud.

* Maurício Mellone publicou o texto no www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

 Roteiro:
Histeria
. Texto: Terry Johnson. Tradução e direção: Jô Soares. Elenco: Pedro Paulo Rangel, Cassio Scapin, Erica Montanheiro e Milton Levy. Iluminação: Maneco Quinderé. Cenografia: Chris Aizner e Nilton Aizner. Figurino: Fábio Namatame. Música original: Ricardo Severo e Eduardo Queiroz. Videografismo e mapping: André Grynwask e Pri Argoud. Fotografia: Priscila Prade. Produção: Rodrigo Velloni.
Serviço:
Teatro Tuca (672 lugares), Rua Monte Alegre, 1024, tel. 11 3670-8455. Horários: sexta e sábado às 21h e domingo às 19h. Ingressos: sexta $50, sábado $80 e domingo $70. Bilheteria: de terça a domingo a partir das 14h. Duração: 105 min. Classificação: 14 anos. Temporada: até 31 de julho.

 

 

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