RESENHA: COMÉDIA DRAMÁTICA TRAZ OSCAR WILDE EM CONSULTA EXOTÉRICA

Maurício Mellone * (redacao@aplausobrasil.com.br)

"In Extremis" Está em cartaz em São Paulo e é peça inédita no Brasil. Foto/divulgação.
“In Extremis” Está em cartaz em São Paulo e é peça inédita no Brasil. Foto/divulgação.

SÃO PAULO – Inédita no país, In Extremis, peça do britânico Neil Bartlett, retrata uma provável consulta de quiromancia do consagrado escritor irlandês, uma semana antes do julgamento que culminaria com sua ruína pessoal. Como fizeram em 2011 com The Pillowman – O Homem Travesseiro, os atores Bruno Guida, Daniel Infantini e Flávio Tolezani deram continuidade à pesquisa de linguagem e criaram este espetáculo, em que Bruno foi o responsável pela tradução e direção, Daniel atua ao lado de Flavio e assina os figurinos e maquiagem e Flavio criou o cenário. A peça retrata a consulta do escritor Oscar Wilde (Flavio) à famosa cartomante Mrs. Robinson (Daniel), exatamente uma semana antes do famigerado julgamento que iria causar a ruína moral e profissional do autor do clássico romance O Retrato de Dorian Gray.
Quem nunca recorreu, em momentos de crise e de dificuldades, a uma consulta de tarô, de búzios ou qualquer outra prática esotérica? Certamente todo mundo um dia já apelou ao sobrenatural o pelo menos teve muita vontade. Exatamente isto que a peça apresenta: há uma semana do julgamento  por “atos imorais cometidos com rapazes”, o escritor Oscar Wilde procura a cartomante para saber sobre seu futuro.
O interessante da montagem da peça é que o público entra e os dois personagens estão em cena, envoltos numa imensa nuvem de fumaça, parecendo mortos. A primeira a se manifestar é a cartomante, que diz que tudo o que irá acontecer a partir de então ocorreu há muito tempo e que ambos já morreram. Depois de longa explanação é que Wilde acorda e solicita que ela leia a sua mão.

“A história contada pelos próprios personagens 120 anos após suas mortes nos provocou a encontrar uma estética que desse conta de traduzir a crueldade, potência, misticismo e humor presentes na dramaturgia de Bartlett. Utilizamos a linguagem do bufão, que é capaz de revelar o ser humano em suas faces mais obscuras e relacionar o que acontece no palco diretamente com a plateia”, explica o diretor Bruno Guida.

Com uma produção bem cuidada, a peça envolve o público num clima de mistério, que aos poucos se transforma num misto de humor e dramaticidade, já que mesmo desconfiando dos poderes de Mrs Robinson, Wilde se submete às premonições dela — o futuro nada promissor do consulente é escancarado pela cartomante.
In Extremis se destaca pela perfeita sintonia em cena de Daniel Infantini e Flávio Tolezani, além de cenário, figurino e iluminação muito bem conectados com a proposta cênica de Bruno Guida.

 

* Maurício Mellone publicou o texto no www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

 

Roteiro:
In Extremis
. Texto: Neil Bartlett. Tradução: Bruno Guida. Direção: Bruno Guida
Elenco: Daniel Infantini e Flavio Tolezani. Assistente de direção: Mateus Monteiro. Treinamento em hipnose: Fabio Puentes.Trilha sonora: Daniel Maia.
Iluminação: Aline Santini. Cenário: Flavio Tolezani. Figurinos e maquiagem: Daniel Infantini. Adereços: Marcela Donato. Fotografia: Hemerson Celtic. Produção executiva: Vanessa Campanari. Realização: Pitaco Produções
Serviço:
Viga Espaço Cênico (60 lugares), R. Capote Valente, 1323, tel.:(11) 3801-1843. Horários: sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo, às 19h. Ingressos: sexta R$ 30, sábado e domingo R$ 40. Duração: 60 minutos. Classificação: 14 anos. Temporada: até 30 de agosto