RESENHA: DAN STULBACH PROTAGONIZA COMÉDIA DE DARIO FO

Maurício Mellone * (redacao@aplausobrasil.com)

 

MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA  © Joao Caldas Fº
MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA © Joao Caldas Fº

SÃO PAULO – Umas das peças mais encenadas pelo mundo do dramaturgo italiano Dario Fo, Morte Acidental de um Anarquista, acaba de estrear no Teatro Porto Seguro com Dan Stulbach à frente do elenco. Sob direção de Hugo Coelho — que também assina a dramaturgia e a iluminação, a peça é baseada num fato real acontecido em 1969, na Itália, e que Dario Fo transformou numa grande comédia: depois de dois ataques a bomba em Roma, quatro anarquistas são presos sob suspeita do atentado; um deles é encontrado morto e a versão oficial é que ele se suicidou (uma morte acidental). A trama satiriza exatamente a versão oficial dada à morte do anarquista. Este tipo de ‘suicídio’ é muito comum, principalmente em países com governantes totalitários (aqui em São Paulo, durante a ditadura, o caso do jornalista Vladimir Herzog, morto nas dependências da polícia, ficou famoso). Mesmo se tratando de um caso de horror, a morte de uma pessoa que estava sob os cuidados de autoridades, o autor torna tudo engraçado e ridiculariza os policiais.

O tom descontraído da montagem já começa no saguão, em que o público é recepcionado pelo elenco, que toca uns instrumentos e conduz os espectadores para a sala de espetáculo; já no palco, Henrique Stroeter explica o porquê da encenação e Dan Stulbach faz um resumo da trama, deixando a plateia ainda mais integrada à comédia. Ao começar, o Louco (papel de Dan) está num departamento policial e é interrogado pelo comissário (Fernando Sampaio). O Louco, que foi internado16 vezes em manicômios, já se passou por médico, engenheiro, psiquiatra e tem a chance de mais um papel: será o juiz encarregado de reavaliar o processo da morte do anarquista. Para isso ouve o delegado (Stroeter) e o secretário de segurança, vivido por Riba Carlovich.

MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA  © Joao Caldas Fº
MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA © Joao Caldas Fº

Durante a reconstituição da investigação da morte, uma jornalista (Maira Chasseraux) chega para uma entrevista com os policiais e o Louco pode interpretar novos papéis, deixando a situação ainda mais hilária, pois os policiais não sabem como manter a versão oficial de suicídio do anarquista, ou a morte acidental!

Com improvisos e citações da realidade brasileira atual — a infinidade de escândalos por que vivemos nos últimos anos —, a peça parece escrita especialmente para os brasileiros:

“É impressionante como a peça ainda é atual, 45 anos depois de escrita. É como se Dario Fo estivesse falando do Brasil dos dias hoje. Com uma farsa, o autor nos brinda com um texto brilhante. O que fizemos foi tirar as referências que faziam sentido só aos italianos e situações dos anos 1970. A história na nossa montagem está intacta. O próprio Fo a cada remontagem da peça fazia modificações”, explica o diretor Hugo Coelho.

Com direção de Antônio Abujamra, Antonio Fagundes viveu o Louco na montagem de Morte Acidental de um Anarquista, em 1982. Assim como da primeira montagem brasileira, o personagem central chama para si todas as atenções do público e Dan Stulbach está seguro em cena e domina perfeitamente o timing da comédia; seus companheiros em cena, Henrique Stroeter, Riba Carlovich e Fernando Sampaio, contribuem muito para deixar o espetáculo ainda mais cômico e hilariante.

Destaque também para a participação do músico Rodrigo Geribello, que além de pontuar a trama, faz efeitos especiais com a boca de deixar o espectador admirado.
Comédia leve e que faz o público refletir sobre a realidade brasileira atual. Confira, a peça fica em cartaz até 10 de dezembro.

* Maurício Mellone publicou o texto no www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

 

Roteiro:
Morte Acidental de um Anarquista. Texto: Dario Fo. Tradução: Roberta Barni. Dramaturgia e direção: Hugo Coelho. Elenco: Dan Stulbach, Henrique Stroeter, Riba Carlovich, Fernando Sampaio, Maíra Chasseraux e Rodrigo Bella Dona. Música ao vivo: Rodrigo Geribello. Cenário: Marco Lima. Figurino: Fause Haten. Iluminação: Hugo Coelho. Foto de estúdio: Heloísa Bortz. Fotos de cena: João Caldas Fº. Produção Executiva: Katia Placiano.

Serviço:
Teatro Porto Seguro (508 lugares), Al. Barão de Piracicaba, 740, tel. 11 3226-7310. Horários: quarta e quinta às 21h. Ingressos: R$ 50 (Plateia) e R$ 40 (Balcão/Frisas). Cliente Porto Seguro tem 50% de desconto na compra de um par de ingressos. Vendas: tel. 4003-1212 ou  www.ingressorapido.com.br. Duração: 80 minutos. Classificação: 12 anos. Temporada: até 10 de dezembro.

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