Resenha: Diogo Vilela protagoniza comédia francesa de costumes

São Paulo – Com direção de Marcus Alvisi, o ator Diogo Vilela volta às comédias com A Verdade, do dramaturgo francês Florian Zeller. Antes da temporada paulistana, o espetáculo ficou três meses em cartaz no Rio de Janeiro e excursionou por cidades mineiras e do interior paulista. Vilela divide o palco com Bia Nunnes, Carolina Gonzalez e Paulo Trajano nesta comédia de costumes, que gira em torno da relação entre dois casais de amigos. O texto é rico em reviravoltas e o público se envolve nas trapalhadas provocadas pelo protagonista.

Seguindo o modelo consagrado de vaudeville — comédia ligeira baseada em intrigas e equívocos —, a trama começa com Michel e Alice (Vilela e Carolina) num quarto de hotel. A princípio o espectador não sabe o grau de envolvimento deles, mas com a evolução da discussão percebe-se que ambos são casados e mantêm um relacionamento extraconjugal há seis meses.

A cena seguinte é na residência de Michel e Laura (Bia): ele é interpelado pela esposa, que desconfia que o marido esteja mentindo. A próxima sequência é com os amantes, que resolvem passar um final de semana juntos; na viagem Alice recebe um telefonema do marido Paulo (Tranjano) e as trapalhadas só aumentam. A quarta sequência é o encontro entre os dois homens, após a partida de tênis que semanalmente eles disputam. Nesta altura da história o espectador já sabe como Michel lida com a verdade ou como manipula as situações em que se vê envolvido. O trunfo da dramaturgia são as reviravoltas dadas pelos personagens ao final de cada cena, o que envolve o espectador na trama.

“O que me fascina na peça é o jogo que o texto propõe, culminando com a grande virada na última cena. O texto é todo inesperado, o que nos oferece uma mistura extremamente saborosa. O autor é muito hábil na armação desses quiproquós”, revela Marcus Alvisi.

Realmente descobrir quem mente para quem, quem está sendo enganado e qual é a verdade que envolve aqueles personagens atrai a curiosidade do espectador. Porém, senti que este estratagema do dramaturgo logo é descoberto e na quarta ou quinta vez que é utilizado começa a cansar, ou ser óbvio demais. Também saí do espetáculo com dúvidas sobre a proposta dramatúrgica: será que a trama, mesmo sendo uma comédia, não reforça atitudes machistas que menosprezam a mulher? Traição, posse e ciúme na relação a dois não são questionados, pelo contrário, estes conceitos antigos também são reforçados na comédia de Zeller.

O que sobressai da montagem, no entanto, é a sintonia entre os quatro atores, com destaque para a verve cômica de Diogo Vilela, que ganha a plateia desde o início.

Roteiro:
A Verdade
. Texto: Florian Zeller. Tradução: Silvio Albuquerque. Direção: Marcus Alvisi. Elenco: Diogo Vilela, Bia Nunnes, Carolina Gonzalez e Paulo Trajano. Cenário: Ronald Teixeira e Guilherme Reis. Iluminação: Maneco Quinderé. Figurino: Ronald Teixeira. Caracterização: Mona Magalhães e Vitor Martinez. Trilha sonora: Marcus Alvisi e Tiago Fonseca. Fotografia: Dalton Valério. Produção executiva: Marco Aurélio Monteiro. Realização: Gov. Estado de São Paulo e Nitiren Prod. Art. Ltda.
Serviço:
Teatro Vivo (274 lugares), Av. Dr. Chucri Zaidan, 2.460, tels. 11 3279-1520 e 97420-1520. Horários: sexta às 20h, sábado às 21h e domingo às 18h. Ingressos: sexta R$80, sábado e domingo R$90. Bilheteria: de terça a domingo a partir das 14h. Venda: sympla.com.br. Duração: 90 min. Classificação: 12 anos. Temporada: até 28 de março. .

* Maurício Mellone publicou o texto no 
www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil


 

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