Resenha: Felipe Hirsch dirige musical de David Bowie, com 18 de suas canções

SÃO PAULO –  A cidade de São Paulo acaba de ganhar novo teatro, localizado a uma quadra da Avenida Paulista. Trata-se do Teatro Unimed, que para marcar sua inauguração apresenta o musical Lazarus, de autoria de David Bowie e Enda Walsh, com direção de Felipe Hirsch. Contando em cena com onze atores e três músicos — dentre eles Jesuíta Barbosa, Bruna Guerin, Rafael Losso e Carla Salle —, a superprodução é baseada no romance O homem que caiu na terra, de Walter Tevis e traz 18 canções de diversas fases da carreira do saudoso David Bowie. O espetáculo estreou em Nova York em dezembro de 2015, com a presença na plateia de Bowie, dias antes de sua morte. A montagem é inédita no país e permanece em cartaz até o final deste mês.

Com grande apelo visual — palco que se movimenta, imagens projetadas tanto no telão ao fundo como no piso e com as letras das canções também projetadas em toda a extensão do espaço cênico —, a montagem, segundo a produção, conta com 110 profissionais, além de toneladas de equipamento; são 700 kg de luz, 300 kg de áudio, 600 kg de projeção e 300 kg de cenário!

A trama gira em torno do alienígena Thomas Newton, vivido por Jesuíta Barbosa, que deixa seu planeta Anthea, já não mais habitável, para tentar sobreviver na Terra e refazer aqui sua vida. No entanto, não tarda para que Newton perceba que viver neste novo planeta também é muito difícil. Frustrado, ele se vicia em gim e vive rodeado de memórias e fantasias. “Thomas Newton deseja construir um foguete a partir de detritos. Mantém o sonho de escapar, de seu quarto em uma grande torre, e ir embora uma última vez. Lazarus é um sonho estranho, difícil e por vezes triste que Newton precisa viver, mas quando chega ao final, ele ganha sua paz”, escreve no programa da peça o dramaturgo Enda Walsh.

O aparato tecnológico (luzes, projeções, som ao vivo e movimentação do palco) envolve o espectador em parte da montagem. No entanto, o tom depressivo, sem esperança e pessimista do personagem central (que vive drogado, alcoolizado e ensimesmado) contamina o espetáculo de tal forma que a plateia se distancia do enredo. A duração do musical (2h15 sem intervalo) também prejudica no envolvimento do público, por mais que as canções de Bowie agradem sua legião de fãs.

Roteiro:
Lazarus
. Texto: David Bowie e Enda Walsh. Direção geral: Felipe Hirsch. Direção musical: Maria Beraldo e Mariá Portugal. Direção de arte: Daniela Thomas e Felipe Tassara. Figurino: Veronica Julian e Diogo Costa. Direção de movimento: Alejandro Ahmed. Iluminação: Beto Bruel. Elenco: Bruna Guerin, Carla Salle, Jesuíta Barbosa, Rafael Losso, Gabriel Stauffer, Luci Salutes, Marcos de Andrade, Natasha Jascalevich, Olivia Torres, Valentina Herszage e Vitor Vieira. Músicos: Fabio Sá, Maria Beraldo, Mariá Portugal. Fotografia: Flavia Canavarro. Produção: Bruno Girello e Ricardo Frayha. Realização: Dueto Produções.
Serviço:
Teatro Unimed (246 lugares), Alameda Santos, 2159. Horários: de quinta a sábado às 21h e domingo às 18h. Ingressos: quinta – R$ 120 e R$ 80; de sexta a domingo – R$ 180 e R$ 120. Bilheteria: quinta, sexta e sábado, das 13h às 21h; domingos das 12h às 18h. Duração: 120 min. Classificação: 16 anos. Temporada:  até 27/10/2019.

* Maurício Mellone publicou o texto no 
www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

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