RESENHA: LINDA HISTÓRIA DE AMOR DE CASAL DA TERCEIRA IDADE FAZ SESSÃO ESPECIAL NO FERIADO

SÃO PAULO – O grande trunfo em assistir Num Lago Dourado é a chance de poder conferir a performance de dois grandes artistas brasileiros, Ary Fontoura e Ana Lucia Torre, que interpretam o casal Norman e Ethel Thayer, da trama do dramaturgo norte-americano Ernest Thompson, sob a direção de Elias Andreato. A cativante história de amor deste casal da terceira idade já foi adaptada para o cinema em 1981, estrelada por Henry Fonda e Katharine Hepburn, e aqui no Brasil a peça foi encenada em 1991, com Paulo Gracindo e Nathalia Timberg e direção de Gracindo Jr. Agora ganha o palco do Teatro Renaissance e nesse feriado terá sessão especial às 18h.

Por terem temperamentos opostos — enquanto Norman é pessimista e neurastênico, sua esposa é alegre e otimista —, eles encaram a vida de maneiras distintas e mantêm com a filha Chelsea, vivida por Tatiana de Marca, uma relação bem diferente. Norman sempre quis ter um filho, por isso seu contato com Chelsea é recheado de atrito e distanciamento; já a mãe, muito amorosa, tenta compreender os dois lados e põe panos quentes em tudo. Ethel é a única serena da família e a que tem a chance de aparar as arestas entre o marido e a filha.
A trama começa com o casal chegando à casa de veraneio, no Lago Dourado, no início do verão. Como acontece anualmente, eles passam toda a estação neste refúgio, mas desta vez há uma novidade. Norman está prestes a completar 80 anos e Chelsea avisou que irá visitá-los. Ela chega acompanhada do novo namorado, Billy Ray, vivido por André Garolli e de seu enteado, Billy Ray Jr, interpretado por Lucas Abdo. O casal pretende viajar para a Europa a sós e querem deixar o garoto com Ethel e Norman, que a princípio é contra, mas rapidamente se entrosa com o rapaz (Billy passa a ser o filho que eles nunca tiveram).
Aparentemente um enredo sem grandes novidades, mas aos poucos o público vai percebendo nuances na relação do velho casal, a dificuldade de relação entre pai e filha, as diferenças entre gerações e a constatação da finitude da vida.

Além da trama envolvente, o que sobressai nesta montagem de Andreato é a sintonia em cena de Ary e Ana Lucia, que magnetizam a plateia, numa atuação emocionante!

Destaque ainda para a participação de Fabiano Augusto na pele do carteiro Charlie e da direção que valoriza o desempenho dos protagonistas.

Um único senão que a produção deveria repensar: devido à estrutura cênica, em alguns lugares das laterais da plateia é impossível assistir adequadamente ao espetáculo.

Roteiro:
Num Lago Dourado
. Texto: Ernest Thompson. Tradução: Eloísa Canton. Versão: Célia Regina Forte. Direção: Elias Andreato. Elenco: Ary Fontoura, Ana Lucia Torre, Tatiana de Marca, André Garolli, Fabiano Augusto e Lucas Abdo. Trilha sonora original: Miguel Briamonte. Cenário: Marco Lima. Iluminação: Wagner Freire. Figurino: Fause Haten. Programação visual: Vicka Suarez. Fotografia: João Caldas Fº. Assistente de direção: Andrea Bassit. Produção executiva: Katia Placiano. Realização: Morente Forte Produções Teatrais.
Serviço:
Teatro Renaissance (448 lugares), Al Santos, 2233, tel. 11 3069-2286. Horários: sexta e sábado às 21h30 e domingo às 18h. Ingressos: R$ 80. Bilheteria: de terça a domingo das 14h às 20h. Vendas: 11 4003-1212 ou ingressorapido.com.br. Duração: 90 min. Classificação: 10 anos. Temporada: até 02 de julho.

Maurício Mellone publicou o texto no www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.