Resenha: monólogo tragicômico de Luluh Pavarin relata a formação de uma miss

EM REDE – Ao completar um ano de pandemia, com teatros, cinemas e casas de espetáculos fechados, continuamos em isolamento social e a única alternativa de entretenimento são as transmissões online. E nada melhor do que um espetáculo que mescla humor, graça com passagens dramáticas e até trágicas. Em Eu nasci pra ser miss, a atriz Luluh Paravin conta a história de uma garotinha que desde que nasceu sua mãe determinou que ela seria miss. Em pouco mais de 40 minutos, o espectador se encanta com as histórias hilárias e
dramáticas sobre a formação de uma atriz. Tudo acontece como se fosse um estúdio de TV, em que ela é convidada para uma entrevista. Começa a responder aquelas perguntas típicas de concurso de miss e em seguida relata toda a sua trajetória de vida. O espetáculo é transmitido do Alvenaria Espaço Cultural pela
plataforma Sympla.

O projeto começou como um pequeno esquete tragicômico, mas nesta versão online a atriz, responsável pela dramaturgia e direção, faz um painel da formação de uma artista, dos concursos de beleza para a carreira nos palcos.

“A peça traz histórias que escutei na minha infância e adolescência. Além de fatos da vida daquela mulher, falo sobre o mal-estar imposto às mulheres pelos padrões estéticos convencionais. O culto a aparência é um regime de escravidão como forma de aceitação social e acontece desde a infância. Meninas são estimuladas, antes de tudo, a serem bonitas”, argumenta Lulu Pavarin.

O texto é construído de forma a envolver o espectador na história de vida daquela mulher. Com sutileza, Luluh faz as pessoas rirem das situações patéticas criadas pela mãe da miss — a garota participou de todos os eventos sociais do bairro —, e na cena
seguinte a comoção é inevitável, com o relato das dificuldades reais enfrentadas pela classe artística nestes tempos de pandemia.

Roteiro:
Eu nasci para ser miss. Texto, direção e atuação: Luluh Pavarin. Transmissão online
pela plataforma Sympla. Horários: segundas-feiras, às 20h. Ingressos: R$ 20
(revertido aos artistas). Duração 45 min. Classificação: 14 anos. Temporada: até 29 de
março.
* Maurício Mellone publicou o texto no www.favodomellone.com.br – parceiro do
Aplauso Brasil