SÃO PAULO – O Arquiteto e o Imperador da Assíria teve a sua primeira publicação em francês, no ano de 1967. A escolha da montagem foi feita não só para dar continuidade à pesquisa do diretor Léo Stefanini sobre o teatro do absurdo, – que se inicia em 2016 com a montagem de Esperando Godot – mas, também, para dedicar uma homenagem aos 50 anos da primeira publicação da peça (que é considerada uma das mais importantes obras de Fernando Arrabal).

 

Em uma ilha selvagem, onde existe apenas um habitante, acontece um acidente aéreo e, nessa trágica situação, um único homem sobrevive. É nesse momento que o encontro entre o homem selvagem e o civilizado acontece. Ambos se reconhecem e se espantam. O civilizado denomina-se “O imperador” (Rubens Caribé) e, através de sua imaginação, caracteriza o único habitante da ilha como “O Arquiteto” (Eduardo Silva), instituindo, assim, o que ele pode ou deve fazer. Nesse jogo, ambos se encontram, desencontram, tentam se matar e sobrevivem aos desafios de estarem sozinhos em contato com outro ser; reconhecendo-se um no outro, conflituam a existência um do outro e fundindo simbioticamente o que constitui os conflitos humanos (nós com nós mesmos).

A guerra em estar “consigo mesmo” é frequente e, estando em contato com o outro, torna-se ainda mais desafiadora, instigando os limites da civilidade e propondo uma interessante questão: estando apenas sozinho ou em dois, até onde vai a nossa capacidade de civilização, de ética? Arrabal provoca, “Pequenos canalhas ou grandes canalhas, somos todos canalhas”.

 

Em meio a esse curso, o homem civilizado, no ímpeto de querer ensinar algo, promete e tenta definir o que é a FELICIDADE, porém, como nem ele mesmo entende o significado da palavra, a busca torna-se constante e, talvez, infinita.

O texto provoca, com influências nonsenses e surrealistas, infindáveis questionamentos filosóficos, que estimulam o espectador a voltar em uma nova sessão para se permitir pensar mais sobre inúmeras provocações.

   

 

Ficha Técnica

Texto: Fernando Arrabal
Tradução: Wilson Coelho
Direção: Léo Stefanini
Elenco: Rubens Caribé e Eduardo Silva
Cenário: Chris Aizner
Iluminação: Wagner Pinto
Trilha Sonora: Raul Teixeira
Figurinista: Marichilene Artisevskis
Técnicos: Diego Cortez, Valdilho Cruz e Fabricio Cardial
Produção: Léo Stefanini, Adriana Grzyb e Fulvio Filho
Realização: Cora Produções
Assessoria de imprensa: Pombo Correio

 

Serviço

Teatro Jaraguá – Rua Martins Fontes, 71 – Centro. São Paulo – SP
Temporada: de 13 de abril a 1º de julho.
Às sextas, às 21h00; aos sábados, às 21h; e aos domingos, às 19h
Ingressos: R$50 (inteira) e R$25 (meia-entrada)

Classificação: 12 anos
Duração: 80 minutos
Gênero: Comédia

Resenhista e articulista

Vitor Fadul, especial para o Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com.br)