RESENHA: PEÇA DE GERO CAMILO PRESTA HOMENAGEM À ARTE DE INTERPRETAR

Maurício Mellone * (redacao@aplausobrasil.com)

CAMINHAM NUS EMPOEIRADOS
CAMINHAM NUS EMPOEIRADOS

SÃO PAULO – Depois de ter participado do Festival Cena Contemporânea de Matosinhos (Portugal) e de uma pequena temporada na cidade no fim de 2015, a peça Caminham Nus Empoeirados, baseada num conto do livro A Macaúba da Terra, de Gero Camilo, volta a ser encenada no Teatro Nair Bello. A produção é resultado do encontro de artistas lusitanos e brasileiros: Gero Camilo e a portuguesa Luísa Pinto conceberam a direção do espetáculo, que desta vez é interpretado por Victor Mendes e pelo próprio Gero — nas primeiras apresentações o ator português João Costa compartilhava o palco com os dois brasileiros.

A peça traz a trajetória de dois atores que, entediados numa companhia teatral, abandonam tudo e partem pelo mundo em busca de aventuras e novas plateias.
Bem ao estilo de teatro mambembe, o espetáculo começa com os dois atores entrando pelo saguão em direção ao palco, cantando e carregando suas trochas, que contêm tudo o que necessitam, tanto para suas apresentações ao ar livre, como seus pertences pessoais. A letra da canção introduz a história daqueles dois atores, que mesmo com temperamentos distintos nas encenações atuam como uma dupla perfeita e entrosada. Se um é introvertido e se isola para escrever quando está de folga, o outro é extrovertido, mulherengo e irrequieto.

CAMINHAM NUS EMPOEIRADOS
CAMINHAM NUS EMPOEIRADOS

Com poucos elementos cênicos e uma mesa dobrável, que serve como palco assim como um beliche para dormir, eles viajam pelo mundo e vivenciam as aventuras, alegrias e as imensas dificuldades em razão da precariedade da estrutura de que dispõem. Talvez até porque os dois têm opostas visões de mundo, os conflitos entre eles sobressaem; no entanto o amor à arte de interpretar é maior, o que faz com que permaneçam unidos.
Com boa sintonia em cena, Gero Camilo e Victor Mendes logo ganham a empatia dos espectadores, que participam com entusiasmo, principalmente nas cenas de plateia. Com um título tão criativo, particularmente esperava um conteúdo mais reflexivo e crítico de Caminham nus empoeirados. Para quem conhece a verve dramática de Gero Camilo, tão bem demonstrada em outros trabalhos como em Aldeotas/2004 que ficou anos em cartaz com muito sucesso e Cleide Eló e as Peras/2006 e A Casa Amarela/2011 sobre a vida de Vincent Van Gogh, este espetáculo não emociona como os anteriores. Entretanto é uma comédia que agrada grande número de pessoas.
 
* Maurício Mellone publicou o texto no www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

Roteiro:
Caminham nus empoeirados. Texto: Gero Camilo. Direção: Gero Camilo e Luísa Pinto. Elenco: Gero Camilo e Victor Mendes. Concepção de luz: Bruno Santos. Concepção do som: Gero Camilo. Cenário: Gero Camilo e Luísa Pinto. Figurinos: Luísa Pinto. Fotografia: Francisco Teixeira e Cacá Diniz. Realização e produção: Macaúba Produções Artísticas e Micuim Produções.
Serviço:

Teatro Nair Bello (200 lugares), Rua Frei Caneca, 569 – 3º piso do Shopping Frei Caneca, tel. 11 3472-2414. Horários: sexta às 21h30; sábado, às 21h e domingo, às 19h. Não haverá apresentações no Carnaval. Ingressos: Ingresso: R$ 50,00 e R$ 25,00. Bilheteria: terça a quinta-feira, das 13h30 às 19h30; sexta-feira, das 15h às 21h30; sábado, das 15h às 21h e domingo, das 15h às 19h. Vendas: www.ingressos.com. Duração: 75 minutos. Classificação: 12 anos.

Temporada: até 6 de março.

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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