RESENHA: PEÇA INÉDITA DE MÁRIO VIANA UNE DRAMA E COMÉDIA

Maurício Mellone * (redacao@aplausobrasil.com)

O CAMPEÃO DE DOMINÓ DO ALASKA
O CAMPEÃO DE DOMINÓ DO ALASKA

SÃO PAULO – A cena inicial de O Campeão de Dominó do Alaska, novo texto do dramaturgo paulistano que acaba de estrear é justamente com o personagem, interpretado por Eduardo Parisi, que venceu o campeonato de dominó no Alaska descrevendo as emoções finais da partida. A sequência é com a chegada dele à casa da mãe (Maria Eugênia de Domênico), quando revela seu plano mirabolante ao irmão (Valdir Rivaben): para saldar suas dívidas de jogo, quer entregar a mãe como forma de pagamento aos credores.

A partir deste mote toda a trama se desenrola e o estilo marcante de Mário Viana fica realçado: com ironia e tiradas hilárias o público se diverte, para em seguida ser tomado por uma emoção profunda, já que o drama daquela mulher idosa, em fase adiantada da doença (mal de Alzheimer), vem à tona e mobiliza a todos.

De início, o filho que sempre cuidou da mãe, tem uma reação indignada sobre a proposta do irmão. No entanto, quando ele tem conhecimento do quanto poderiam lucrar com a negociata, muda de opinião e ambos passam a tramar a forma de executar o plano e convencer a mãe a viajar. Neste momento há a reviravolta no tom emocional da trama, da comédia para o drama, pois a mãe começa a agir e o público imediatamente identifica as posturas, gestos e comportamento de uma pessoa vítima de Alzheimer, infelizmente tão comum hoje em dia.

“A encenação trabalha a partir do equilíbrio entre o cômico e o dramático, que é a base do texto. A situação nos remete às questões éticas e sociais que afloram com mais força em momentos como o que vivemos no Brasil hoje, de grande desesperança e desamparo. O texto e o jogo dos atores são o fundamental”, argumenta o diretor Aimar Labaki.

O CAMPEÃO DE DOMINÓ DO ALASKA
O CAMPEÃO DE DOMINÓ DO ALASKA

O que mais me chamou atenção no espetáculo é exatamente o jogo dramático proposto pelo autor: com o público já conquistado graças ao mote cômico e nonsence, há a surpresa com o estado mental e psíquico daquela mãe. Assim como o livro mais recente de Marcelo Rubens Paiva em que ele descreve a situação da mãe vítima de Alzheimer, Ainda estou aqui, esta nova peça de Mário Viana traz à tona o drama de uma pessoa com esta doença, que clama em dizer que ainda vive, apesar dos transtornos decorrentes da moléstia.

Além do texto impactante, O Campeão de Dominó do Alaska se destaca pela direção precisa de Labaki e a sintonia dos atores em cena, com destaque para a emocionante performance de Maria Eugênia de Domênico. Montagem cumpre temporada curta, somente até 13 de abril. Não perca!

* Maurício Mellone publicou o texto no www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

 

Roteiro:

O Campeão de Dominó do Alaska. Texto: Mário Viana. Direção e cenografia: Aimar Labaki. Elenco: Maria Eugênia de Domênico, Valdir Rivaben e Eduardo Parisi. Figurino: Marê Pessoa Labaki. Iluminação: Carlos Baldim. Trilha sonora: Aline Meyer. Coreografia: Mariusa Bregoli. Fotografia: Angela di Sessa. Programação visual: João Carlos Deon. Viedeomaker: Marcelo Spomberg. Produção executiva: Murillo Carraro. Realização: Thara Theatro.
Serviço:
Espaço Parlapatões (100 lugares), Pr. Franklin Roosevelt, 158, tel: 11 3258-4449. Horários: terça e quarta às 21h. Ingressos: R$ 30,00 e R$ 15,00. Bilheteria: terça a domingo a partir das 16h. Duração: 60 minutos. Classificação: 12 anos. Temporada: até 13 de abril.

 

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