RESENHA: PHEDRA, A DIVA DA PRAÇA ROOSEVELT EM AÇÃO E HISTÓRIAS

Kyra Piscitelli do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com)  

Phedra_nSÃO PAULO – Há shows e espetáculos que merecem um carinho especial. Phedra por Phedra é um desses. A atriz cubana de 77 anos conta sua história, dança, canta e fala de arte. O palco não poderia ser outro senão algum na Praça Roosevelt, onde é diva e símbolo.

Em  Phedra por Phedra, a atriz é dirigida pelo jovem e estreante Robson Catalunha – a quem chama de “pequeno notável”. O show tem clima de bar com amigos. Traz encontros do passado e do presente da cubana, além de ter mesinhas e comandas com direito a pedir bebidas durante o espetáculo.

Já era quarta (5), o dia da última apresentação do show no Espaço Estação Satyros, quando Catalunha me chama para vê-los nesse encerramento de temporada. O espetáculo volta no Parlapatões, em setembro.

Entendendo a importância do evento, desmarquei uma estreia e corri para a Roosevelt. No saguão do espaço, já tive sinal de que realmente a noite não seria como qualquer noite no teatro. Era uma sessão entre amigos de  Phedra, o que prometia emoções. Entre tantos nomes, a cartunista Laerte e o palhaço, ator e autor Hugo Possolo estavam lá. Possolo, aliás, divertiu a plateia em duas participações que fez no show.

Antes do início do espetáculo, o diretor pediu a palavra e lembrou a todos o quanto terminar a primeira temporada de Phedra por Phedra era importante. Salientou que o show foi feito por amigos e com amigos. O único apoio com o qual contaram foi do grupo do qual os dois fazem parte: Os Satyros.

Phedra é importante para o teatro brasileiro. É principalmente, uma fundamental referência ao teatro alternativo da cidade.

Em suas histórias – contadas no palco com espontaneidade da qual poucos são capazes – ela fala da sua Cuba, de teatro e traz referências como Chalin Chaplin e Garcia Lorca. Aparece em vídeos, dança com castanhola e canta com emoção notável.

Ela também fala da sua trajetória como transexual. Fala com saudade das casas noturnas Medieval, em São Paulo, e da Balalaika, no Rio de Janeiro, onde fazia shows.

O destaque do show fica por conta do número de vezes em que ela para para agradecer e reconhecer os amigos na plateia ou lembrar dos amigos que não estão lá mas a ajudaram. Phedra sabe o valor de uma boa amizade e, por isso, anos 77 anos promete colecionar ainda mais histórias e muitos espetáculos. Uma lição de arte e humildade raras.

Phedra por Phedra

Com Phedra de Córdoba

Direção e roteiro: Robson Catalunha

Direção Musical: Ivam Cabral

Desenho de luz: Rodolfo García Vázquez

Cenário: Marcelo Maffei

Fotos: Andre Stefano

Onde: Estação Satyros (Praça Roosevelt, 134)

Duração: 49 minutos

Classificação: indicado para maiores de 16 anos