RESENHA: PROJETO DE GABRIEL MIZIARA HOMENAGEIA VIRGINA WOOLF

Maurício Mellone * (redacao@aplausobrasil.com)

AS ONDAS
AS ONDAS

SÃO PAULO – Depois de uma bem-sucedida temporada no SESC Consolação, o espetáculo As Ondas ou uma autópsia está de volta à cidade. O projeto de Gabriel Miziara é inspirado no romance As Ondas, de Virginia Woolf, em homenagem aos 75 anos de morte da escritora britânica. Além de atuar, Miziara é o responsável pela concepção, pela dramaturgia e pelos cenários da montagem que recria o universo do livro:

“Em As Ondas, a autora descreve a vida de seis amigos, desde a infância até a fase adulta, e como cada um lida com a vida que passa, com os problemas, amores, filhos e com a morte. Este é o recorte que busquei: falar da morte e avançar contra ela com meu cavalo. Esta a autópsia que proponho, a busca que começa ao se abrir um corpo que nos é tão familiar em busca de nós mesmos”, explica Gabriel Miziara.

Considerada uma das mais importantes escritoras de língua inglesa, Virgina Woolf é autora de grandes romances (como Orlando, Mrs Dalloway, Rumo ao Farol), além de contos, biografias e críticas literárias. Sua obra reflete sua tumultuada e depressiva vida pessoal, tanto que aos 59 anos numa crise de depressão ela se suicida no rio Ouse, perto de sua casa em Londres.E justamente o romance As Ondas, que é a base do espetáculo, retrata o enigma da morte e as angústias pessoais e profissionais da escritora.

© Joao Caldas Fº
© Joao Caldas Fº

Como se percebe, uma obra densa, reflexiva e repleta das indagações interiores de seus personagens. O projeto de Miziara de adaptação deste romance para o teatro, sem dúvida, é ousado, principalmente pelo fato dele estar só em cena e interpretar o triste e denso universo psicológico dos seis personagens (Bernard, Susan, Neville, Louis, Rhoda e Jinny). A montagem cria um impacto grande no espectador, graças à iluminação, à trilha sonora que remete aos sons do mar e ao cenário: no centro do espaço o ator totalmente nu é cercado por água, que também cai como uma chuva. O único elemento cênico é uma mesa de autópsia, que o ator movimenta e usa como suporte para sua interpretação.

“A peça é um corpo aberto, uma anatomia poética mapeada, que busca a expressão mais fiel da dimensão íntima destas personagens em suas experiências com a morte”, diz o ator.

Espetáculo instigante, impossível sair indiferente do teatro. Destaque para a interpretação visceral de Miziara, a iluminação de Aline Santini, a trilha de Rafael Zenorini e Gustavo Vellutini e o belo vestido de Fause Haten, que o ator sabe muito bem manipulá-lo durante a encenação.

 

* Maurício Mellone publicou o texto no www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

 

Roteiro:

As Ondas ou uma autópsia. Concepção, dramaturgia e interpretação: Gabriel Miziara. Supervisão de dramaturgia: Cássio Pires. Supervisão de direção: Carol Fabri e Malú Bazan. Cenografia: Gabriel Miziara. Figurino: Fause Haten. Iluminação: Aline Santini. Trilha sonora: Rafael Zenorini e Gustavo Vellutini. Vídeo: Beto de Faria. Fotografia: João Caldas Fº. Produção: Canto Produções.

Serviço:

Viga Espaço Cênico (70 lugares), Rua Capote Valente, 1323, tel.: (11) 3801-1843. Horários: sexta às 21h30, sábado às 21h e domingos às 19h. Ingressos: R$ 20. Duração: 60 minutos. Classificação: 16 anos.Temporada: até dia 7 de agosto.

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