RESENHA: SOLO COM NICOLE CORDERY SOBRE A VIDA DE ALICE TOKLAS E GETRUDE STEIN

Maurício Mellone * (redacao@aplausobrasil.com.br)

ALICE, RETRATO DE MULHER QUE COZINHA AO FUNDO
ALICE, RETRATO DE MULHER QUE COZINHA AO FUNDO

SÃO PAULO – A frase dita várias vezes no espetáculo define muito a proposta do trabalho: “Talvez ninguém jamais consiga uma história completa de alguma pessoa”. No monólogo Alice, retrato de mulher que cozinha ao fundo as três mulheres envolvidas na produção — a dramaturga Marina Corazza, a diretora Malú Bazán e a atriz Nicole Cordey — se propõem a fazer um painel da vida do casal de escritoras norte-americanas Gertrude Stein e Alice B. Toklas, que se conhecerem em Paris, na França, em 1910 e viveram juntas por mais de três décadas.

Como um mosaico ou um caleidoscópio, a peça procura mostrar não só a personagem central, Alice Toklas, desde sua chegada à Europa, sua aproximação com Gertrude, a vida que elas tinham na Paris da época, como também os 21 anos em que Alice viveu após a morte de Gertrude.

“Com uma dramaturgia fragmentada e dissonante, tal qual a literatura de Gertrude Stein, a peça lança um olhar em perspectiva sobre a relação entre elas na efervescente Paris do início do sáculo XX. Utilizamos o livro A autobiografia de Alice B.Toklas, em que Gertrude usou o recurso inédito de escrever uma ‘autobiografia’ na voz de outra pessoa e o material sobre Alice Toklas do professor Leon Katz, que nos enviou e nos autorizou a fazer uso para a composição da peça”, conta a atriz Nicole Cordery.

Com escassos recursos cênicos (praticamente uma grande poltrona), no espaço aconchegante da sala de espetáculo e uma iluminação precisa de Nelson Ferreira, Nicole vai construindo o grande painel sobre a vida das duas escritoras. De forma poética e com algumas pitadas de humor (incluindo algumas receitas do famoso livro de culinária de Alice Toklas), a atriz logo conquista a plateia, que torna sua cúmplice na construção da narrativa.

ALICE, RETRATO DE MULHER QUE COZINHA AO FUNDO
ALICE, RETRATO DE MULHER QUE COZINHA AO FUNDO

Mesmo que o espectador tenha pouca informação sobre a vida das duas escritoras — recomendo a leitura da linha do tempo contida no programa da peça —, o solo dá conta de apresentar tanto um perfil de Alice Toklas e Gertrude Stein, como o contexto histórico em que elas viveram. Aqui vale ressaltar a frase repetida na peça e transcrita no início da resenha (a dificuldade de se retratar a história completa de uma pessoa).

Além da profunda pesquisa para se criar a trama e o sensível trabalho de direção, o grande destaque do espetáculo é para a atuação de Nicole Cordery, que com delicadeza e poesia constrói estas importantes figuras do mundo cultural das primeiras décadas do século passado.

 

* Maurício Mellone publicou o texto no www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil


Roteiro:
Alice- retrato de mulher que cozinha ao fundo. Dramaturgia: Marina Corazza. Direção: Malú Bazán. Elenco: Nicole Cordery. Cenário e figurino: Anne Cerutti. Iluminação: Nelson Ferreira. Trilha sonora: Rui Barossi e Pedro Canales. Fotografia: João Caldas Fº. Produção: Canto Produções.
Serviço:
Sesc Consolação – Espaço Beta (48 lugares), R. Dr. Vila Nova, 245, tel.: 11 3234-3000. Horários: segunda e terça, às 20h. Ingressos: de R$ 20 a R$ 10. Venda pelo portal sescsp.org.br e nas bilheterias do Sesc. Duração: 60 minutos. Classificação: 14 anos. Temporada: até 30 de agosto.

 

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