RESENHA: VERSÃO CÊNICA DE ROBERTO ALVIM PARA ROMANCE DE CHICO BUARQUE

Maurício Mellone * (redacao@aplausobrasil.com.br)

leite-derramado-rgaldino-3-copiaSÃO PAULO – Termina do próximo domingo a curta temporada da peça Leite Derramado, a transposição para o teatro do premiado romance de Chico Buarque. Roberto Alvim é o responsável tanto pela adaptação como pela direção e cenografia do espetáculo, que participou em setembro último do Mirada, Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos. Segundo o crítico e professor Welington Andrade, que acompanhou todo o processo de criação da peça, “a narrativa mescla dois planos, articulando cenas da vida doméstica do personagem central, Eulálio D’Assumpção, a certas passagens que repercutem a vida pública do país”.

À frente da companhia Club Noir do diretor Roberto Alvim, a atriz Juliana Galdino interpreta o ancião da obra de Chico Buarque que, numa maca de hospital público, abandonado e prestes a completar 100 anos de idade, relembra para a enfermeira as passagens da vida de sua família, que se confundem com a história do Brasil. Estes relatos vão desde os feitos do avô, um lendário general do exército, a atuação de sua família latifundiária escravagista, a carreira política corrupta do pai, até as aventuras do neto guerrilheiro na década de 1960 e o fim trágico do bisneto traficante dos dias atuais.leite-derramado-rgaldino-2

“Esta obra não transmite informações acerca de uma suposta gênese de nossa identidade nacional. Esta obra se abre e se oferece como um convite a cada indivíduo, instaurando a possibilidade da conquista de um novo/outro saber acerca deste país”, argumenta Roberto Alvim no programa da peça.

Além da trama impactante, destaque para a trilha sonora original de Vladimir Safatle, a iluminação de Domingos Quintiliano e a atuação intensa e visceral de Juliana Galdino.

* Maurício Mellone publicou o texto no www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

Roteiro:
Leite Derramado. Texto original: Chico Buarque. Adaptação, direção e cenografia: Roberto Alvim.  Elenco: Juliana Galdino, Renato Forner, Diego Machado, Taynã Marquezone, Caio D’aguilar, Marcel Gritten, Luis Fernando Pasquarelli e Nathalia Manocchio. Trilha sonora original: Vladimir Safatle. Iluminação: Domingos Quintiliano. Figurinos: João Pimenta. Desenho de som: LP Daniel. Visagismo: Siva Rama Terra. Cenotecnia e adereços: Fernando Brettas. Programação visual: Vicka Suarez. Fotografia: Edson Kumasaka. Produção Executiva: Egberto Simões. Produção: Morente Forte Produções Teatrais e Club Noir. Realização: Sesc São Paulo.

Serviço: 
Teatro Anchieta, SESC Consolação (280 lugares), Rua Dr. Vila nova, 245, tel. 11 3234-3000. Horários: quinta a sábado às 21h e domingo às 18h. Ingressos: R$ 40, R$ 20 (estudante, servidor público, + 60 anos) e R$ 12 (trabalhador do comércio matriculado no SESC). Duração: 70  min. Classificação: 16 anos. Temprada: até 13 de novembro.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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