Reynaldo Gianecchini volta em Cruel

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil/ iG (michel@aplausobrasil.com)

Reynaldo Gianecchini e Maria Manoella em "Cruel"

SÃO PAULO – Há pouco menos de um ano, o ator Reynaldo Gianecchini dividia a cena com a atriz Maria Manoella e o ator Erik Marmo na adaptação de Os Credores, de August Strindberg, que, sob direção e adaptação de Elias Andreato, inaugurou um horário alternativo no Teatro Faap com a peça rebatizada como Cruel. E nos bastidores de uma das sessões da peça que, sentindo fortes dores, Gianecchine procurou o médico e, após uma bateria de exames, recebeu o diagnóstico que o tirou do palco e das telas. Após cumprir a peregrinação do tratamento do linfoma, que acompanhamos pelo noticiário, ele volta de onde interrompeu sua trajetória artística: amanhã, 21h, re-inicia a temporada de Cruel.

Reynaldo Gianecchini. Maria Manoella e Erik Marmo em "Cruel"

Um triângulo nada convencional marca a trama da peça que traz os atores Erik Marmo como Adolfo, atual marido de Tekla, interpretada por Maria Manoella, os dois dividem a cena com Gianecchini, que dá vida à Gustavo, ex-marido de Tekla.

O dramaturgo sueco coloca em cena Tekla, uma escritora, casada com Adolfo, artista plástico, que decidem passar uma temporada numa ilha. Lá está Gustavo (Gianecchini), ex-marido de Tekla, que ocultando sua identidade para Adolfo, começa um jogo de crueldade para vingar-se destruindo o casal.

Para Gianecchini, sua busca como intérprete é o desafio. “Não sou acomodado, vivo em eterna busca, sempre quero dar um  novo passo”.

A história traz relações de amor e amizade, ódio e paixão, volúpia e desconfiança, entre outros sentimentos inerentes à natureza humana.

“Esses ingredientes compõem um duelo magnetizante em jogo cênico dinâmico e surpreendente”, segundo o diretor Elias Andreato, que também traduziu e adaptou o texto Creditors (Os Credores), de August Strindberg.

Para ele, o texto é absolutamente atual, além de conter narrativa extremamente instigante.

“Preferi Cruel ao título original, porque ele combina mais com a peça, com os personagens e com o autor, em relação à observação do cotidiano da alma humana”, explica Andreato.

“É teatro moderno. Strindberg foi o primeiro autor a fazer teatro em uma sala escura, onde o espectador só vai assistir; espiar sua própria vida pelo buraco da fechadura. E para isso precisamos ser naturais, convencê-lo de que isso é verdade”, diz ele. “Precisamos contar bem uma história, compor os personagens com todas as contradições, psicologismos, e emoções”, completa.

Maria Manoella concorda com ele. “Gosto de trabalhar com textos consagrados. Isso está cada vez mais raro. Acho uma grande oportunidade, um grande exercício. Essa peça é atual, moderna e quebra paradigmas. Aborda as relações humanas, de casal, envolvendo temas como lidar com separação, com o marido, o ex-marido, o ciúme… Enfim, assuntos do nosso dia a dia”.

Reynaldo Gianecchini e Erik Marmo em "Cruel"

A energia dúbia de Adolfo é o que encantou Erik Marmo. “É muito interessante o paradoxo em que ele vive. É fraco e forte ao mesmo tempo. Loucamente apaixonado por sua esposa, é capaz de ir às últimas consequências”.

Ficha Técnica:

Cruel, de August Strindberg

Direção e Adaptação: ELIAS ANDREATO

Elenco: REYNALDO GIANECCHINI, MARIA MANOELLA e ERIK MARMO

Cenário e Figurino: FÁBIO NAMATAME

Iluminação: WAGNER FREIRE

Trilha Sonora Composta: DANIEL MAIA

Direção de Arte: LAURA ANDREATO

Assistente de direção: ALINE MEYER

Preparação Corporal: VIVIEN BUCKUP

Preparação Vocal: EDI MONTECCHI

Fotos: JOÃO CALDAS

Programação Visual: VICKA SUAREZ

Produção Executiva: MAGALI LOPES

Coordenação de Produção: EGBERTO SIMÕES

Produtoras: SELMA MORENTE e CÉLIA FORTE

CRUEL

Teatro FAAP (400 lugares)

Rua Alagoas, 903 – Higienópolis.

Informações e Vendas: 3662.7233 e 3662.7234.

Bilheteria: de quarta à sábado, das 14h às 20h. Domingo das 14h às 17h.

Aceita cartão de débito e crédito: Visa, Máster ou Dinners. Não aceita cheque.

Estacionamento gratuito, com vagas limitadas. Acesso para deficiente. Ar-condicionado.

Segundas e Terças, às 21h.

Ingressos: R$ 60

Duração: 70 minutos

Recomendação: 14 anos

De 13 de março a 15 de maio de 2012

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.