Ria das Futilidades Públicas

Mauricio Mellone* (aplauso@gmail.com)

Comédia solo de Patrícia Gasppar

Ao completar 18 anos e depois de ter sido apresentada por diversas cidades, a peça de Patrícia Gasppar está de volta ao Teatro Folha, com direção de Elias Andreato. Temporada até 27 de setembro

Há algo mais encantador do que a pessoa, abalada pela perda de um ente querido, transformar essa tristeza em arte? E melhor ainda, num monólogo de extrema comicidade? É exatamente isso que fez a atriz Patrícia Gasppar, há 18 anos: incentivada pela amiga, a atriz Rosi Campos, buscou forças e, da crise existencial porque passava em razão da morte do pai, criou a comédia Futilidades Públicas — em cartaz somente às terças-feiras, no Teatro Folha —, em que uma mulher, presa num banheiro de uma agência bancária que estava sendo assaltada, reflete sobre sua vida, a inusitada situação em que se encontra e questiona as injustiças e ironias da vida. Para Patrícia, uma catarse, e para nós, os espectadores da peça, um deleite e uma comédia que provoca reflexões.

No escuro e somente com o som do que ocorria durante o assalto ao banco é que o público toma conhecimento do drama daquela mulher de meia-idade. Depois de se refugiar no pequeno e sujo banheiro do banco, ela começa seu devaneio. E desde os primeiros gestos e primeiras falas o espectador percebe que está diante de uma comédia rasgada.

Do grotesco da situação, ela começa a discorrer sobre o cotidiano, as agruras da vida, as injustiças, sempre com deboche, ironia e cantando suas músicas preferidas.

Há momentos em que a personagem faz verdadeiras “viagens”, até parece que está sob o efeito de alguma droga. O público aos poucos embarca na “viagem” proposta por ela e o riso é envolvente (na sessão em que estava, a atriz precisou esperar os aplausos, em cena aberta, várias vezes).
O texto de Patrícia tem nuances provocativos: em diversos momentos a mulher questiona sobre qual a saída? Mais do que a saída física daquele banheiro inóspito, ela quer uma saída, uma resposta para a sua vida.

"Futilidades Públicas" está em cartaz no Teatro Folha às terças, 21h

Elias Andreato, que dirige o espetáculo, define muito bem a proposta da peça:
“O texto de Patrícia é um fragmento de uma mulher de classe média, refém em um pequeno banheiro sujo, onde seu grito por socorro chega até nós como um alerta denunciando a violência e a comédia de se estar vivo nesta cidade, neste mundo tão enlouquecido.”

Em 60 minutos de espetáculo, Patrícia Gasppar tem domínio total da plateia e mostra o que poucos atores conseguem: vai do riso ao drama num átimo, num pestanejar! Com a direção precisa de Andreato, o cenário exíguo e muito adequado do ator Carlos Moreno e com figurino de Fábio Namatame e a iluminação sensível de Wagner Freire (na cena de sexo, luz, vestido e performance da atriz tornam o clima eletrizante), Futilidades Públicas tem tudo para estender a temporada. Nesses 18 anos, Patrícia atualizou a peça e introduziu novidades e canções contemporâneas: há espaço para que o desabafo dessa mulher seja ouvido ainda por muito tempo! E a própria atriz arremata: Essa comédia é fruto de puro afeto pela vida e pelas pessoas. Só aconteceu e continua acontecendo porque tem gente competente e amiga que gentilmente deu passagem para que meus pequenos delírios criassem raízes.”

Roteiro:
Futilidades Públicas
.Texto: Patrícia Gasppar. Direção: Elias Andreato. Com: Patrícia Gasppar. Cenário: Carlos Moreno. Figurino: Fábio Namatame. Iluminação: Wagner Freire. Fotos: João Caldas. Produção executiva e administração: Andréia Porto

Serviço: Teatro Folha (305 lugares). Shopping Pátio Higienópolis, Av. Higienópolis, 618. Informações: 3823.2323. Terças, às 21h. Ingressos: R$ 20. Duração: 60 minutos. Recomendação: 14 anos. Bilheteria: de terça a quinta, das 15h às 21h. Sexta das 13h às 24h. Sábado, das 12h às 24h. Domingo das 12h às 20h. Clube Folha 25% de desconto. Aceita cartão de débito e crédito: Visa, Máster e Amex. Não aceita cheque. Acesso para deficiente. Vendas: 3823.2737 e www.conteudoteatral.com.br/teatrofolha. Temporada: até 27 de setembro.

* Maurício Mellone, para o site Favo do Mellone

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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