Rodrigo Lombardi vive no palco o mito de Dom Juan

Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

O ator Rodrigo Lombardi protagoniza clássico de Molière

Montagem do clássico de Moliére é assinada por William Pereira, responsável também pela cenografia e trilha sonora. No elenco, ao lado de Rodrigo estão Eduardo Estrela, Clarissa Kiste e Roberto Arduim entre outros

SÃO PAULO – Moliére há mais de 400 anos debruçou-se sobre o mito do sedutor e galanteador Dom Juan e não é por acaso que seu texto é um clássico até os nossos dias. Em tempos de conquistas pela internet e relações fugazes e descartáveis, nunca as artimanhas da conquista de um personagem tão elegante e sedutor como Dom Juan calam tão fundo nas plateias atuais.

No espetáculo Dom Juan, em cartaz no Teatro Raul Cortez, o ator Rodrigo Lombardi faz o personagem título, William Pereira assina a direção e o professor Jorge Coli foi o responsável pela tradução do texto de Moliére.

“Não vamos nos preocupar com o mal que pode nos acontecer, vamos nos preocupar com o que pode nos dar prazer.” Esta frase é a síntese do sedutor Dom Juan, mas poderia ser atribuída a qualquer conquistador de hoje, que utiliza os meios virtuais para seus galanteios e amores fortuitos. O diretor vê no texto clássico de Moliére uma atualidade e mais do que comédia, a peça é uma “quase tragédia”:

“O humor de Dom Juan é consequência da exacerbação do dramático do texto e mesmo assim não é um riso ingênuo, mas um riso nervoso e amargo. Quatro séculos depois, a atualidade da obra, a descrição de tipos humanos e arquétipos são surpreendentes. Mais do que o sedutor predatório, Dom Juan de Moliére é um tratado sobre a hipocrisia, a ilustração de um mito do individualismo moderno, uma denúncia contundente sobre os vícios e perversões de nossa época”, argumenta Pereira.

Além do texto corrosivo e envolvente — nos diálogos, cada personagem discorre suas ideias sem interrupções abruptas, são verdadeiros ‘bifões’ ou grandes falas —, o que mais chama a atenção é o cenário criado pelo diretor; os ambientes são formados por grandes módulos espelhados, que são movimentados a cada cena, contribuindo para o jogo narcisista e sedutor do personagem central.

"Dom Juan", clássico de Molière dirigido por William Pereira - fotos de Lenise Pinheiro

Os espelhos e a iluminação precisa de Domingos Quintiliano compõem ainda o clima perfeito para as conquistas e relações calientes do protagonista.

A composição dos personagens é outro trunfo desta montagem: tanto Rodrigo Lombardi como Eduardo Estrela, que vive o fiel criado Esganarelo, permanecem no palco durante quase todo o tempo e a sintonia entre eles é impecável.

O clássico Dom Juan de Moliére nas mãos de William Pereira é um espetáculo arrojado e instigante.

Roteiro:
Dom Juan
. Texto: Moliére. Tradução: Jorge Coli. Direção: William Pereira. Diretora assistente: Angela Barros. Elenco: Rodrigo Lombardi, Eduardo Estrela, Clarissa Kiste, Davi Taiu, Eduardo Leão, Mariana Melgaço, Mario Luiz e Roberto Arduim. Iluminação: Domingos Quintiliano. Cenografia e trilha sonora: William Pereira. Assistente de cenografia e diretor de palco: Domingos Varela. Figurino: Olintho Malaquias. Fotografia: Lenise Pinheiro. Produção Executiva: Flavia Nucci. Direção de Produção: Dani Angelotti.

Serviço: Teatro Raul Cortez (520 lugares), Rua Dr. Plínio Barreto, 285. Informações: 3254.1631. Sexta, às 21h30. Sábado, às 21h. Domingo, às 19h. Ingressos: Sexta e domingo R$ 60 e sábado R$ 70. Vendas pela Internet: www.ingressorapido.com.br e telefone: 4003-1212. Bilheteria: de terça a quinta, das 14h às 20h. Sexta a Domingo, a partir das 14h. Aceita-se todos os cartões. Estacionamento no local. Classificação etária: 14 anos. Duração: 140 minutos. Temporada: até 16 de junho

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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