Sabiá revê as consequências da ditadura militar na vida de duas mulheres

Maurício Mellone, para o www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

SABIÁ
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Aos 50 anos do golpe militar no Brasil, peça de Paulo Faria remonta período da repressão vivida na época por meio da história de vida de uma família. Com Eliana Guttman, Gustavo Haddad e Jerusa Franco

SÃO PAULO – Mais do que retratar o período de repressão e truculência pelo qual o Brasil passou— foram mais de vinte anos de ditadura militar, de 1964 a 1985 —, a peça Sabiá, do dramaturgo e diretor Paulo Faria, faz uma reflexão daquela época por meio da trajetória de vida de duas amigas, que sofrem até hoje a morte de Ricardo, irmão de uma e namorado da outra, que se opôs aos militares do poder.

A música Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque, que venceu o III FIC (Festival Internacional da Canção, em 1968), serviu de inspiração para a criação da peça.

Ao chegar à sala de espetáculo, o espectador já entra em contato com o clima da peça: músicas dos anos 1960 e 1970 e alguns spots de rádio sobre o noticiário da época são ouvidos, ao mesmo tempo em que no cenário (constituído apenas de cortinas transparentes) datas do período da ditadura são projetadas.

A trama se passa somente num dia, em que Joana, vivida por Eliana Guttman, recebe a visita de Helena (Jerusa Franco), depois anos afastadas. Helena acaba de se separar e pede abrigo à velha amiga.

SABIÁ
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Aos poucos o passado vem à tona e os traumas reaparecem: Joana vive o luto da perda de seu irmão Ricardo, interpretado por Gustavo Haddad, que era o namorado da amiga.

As cenas do passado são revividas em flash back, quando o rapaz resolve abandonar tudo e combater a ditadura participando de agremiações que pregavam a luta armada. Um segredo, revelado por Helena, obriga Joana a reviver sua dor e reavaliar todo o passado.

SABIÁ
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Num ritmo ágil entre as ações do presente e as do passado, Sabiá dá ênfase ao drama vivido por uma mulher que perdeu o irmão caçula, praticamente seu filho, para uma guerra sanguinária.

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Ao completar 50 anos da instauração do golpe militar de 64, a peça faz um balanço da época; no entanto, justamente por estarmos com um distanciamento de cinco décadas, senti necessidade de uma reavaliação crítica das ações das esquerdas brasileiras.

Roteiro:

Sabiá. Texto e direção: Paulo Faria. Elenco: Eliana Guttman, Gustavo Haddad e Jerusa Franco. Trilha: Tunica. Figurino e cenário: Paulo Faria. Iluminação: Cizo de Souza. Vídeo: Dário José. Fotografia: Rodrigo Reis. Produção executiva: Rosana Penna.
Serviço:

Teatro MuBe Nova  Cultural ( 192 lugares), Rua Alemanha, 221, tels. (11) 4301-7521 e 2386-8194. Horários: maio- sábado às 21h30 e domingo às 18h; junho e julho- sexta e sábado às 21h30 e domingo às 18h. Ingresso: R$40,00 / R$20,00 (meia). Venda: na bilheteria e pelo Ingresso Rápido. Duração: 70 minutos. Classificação: 14 anos. Temporada: até 06 de julho de 2014

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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