Kiko Rieser, especial para o Aplauso Brasil

Cena de "Escuro"

Premiações têm perfis mais ou menos definidos, suscetíveis à composição da comissão de jurados. Neste ano, o Prêmio Shell de Teatro conta com nomes recorrentes (Marici Salomão, Valmir Santos, Noemi Marinho e Mário Bolognesi) e uma novidade: Alexandre Mate.

Talvez a entrada de Mate – teórico simpatizante dos movimentos teatrais periféricos e dos novos grupos que vêm surgindo no cenário paulistano – tenha sido decisiva para que o espetáculo Escuro, da novata Cia Hiato, tenha sido o campeão de indicações deste primeiro semestre.

Especialmente na categoria “autor”, foi privilegiada a nova dramaturgia, através dos dois indicados, Leonardo Moreira (Escuro), jovem ator, diretor e dramaturgo paulistano, e Francisco Carlos (Namorados da catedral bêbada), diretor e dramaturgo amazonense recém radicado em São Paulo, que conseguiu, sem apoios ou patrocínios consistentes, fazer uma mostra com três de seus trabalhos.

Ainda ficaram de fora espetáculos apresentados em áreas periféricas da metrópole, mas o fato de haver novos nomes disputando com outros consagrados já traz uma lufada revigorante ao prêmio.

Puderam concorrer os espetáculos que fizeram, no mínimo, 24 apresentações entre janeiro e junho de 2010.

Em janeiro de 2011 serão divulgadas as indicações referentes ao segundo semestre deste ano. Meses depois, acontecerá a cerimônia de premiação, em que os vencedores serão anunciados.

Segue a lista dos indicados deste primeiro semestre:

Autor:

Francisco Carlos por “Namorados da catedral bêbada”
Leonardo Moreira por “Escuro”

Direção:

Leonardo Moreira por “Escuro”
Rodolfo García Vázquez por “Hipóteses para o amor e a verdade”
Zé Henrique de Paula por “Side Man”

Ator:
Fulvio Stefanini por “A grande volta”
Lee Thalor por “Policarpo Quaresma”
Otávio Martins por “Side man”

Atriz:
Ana Lucia Torre por “Seria cômico se não fosse sério”
Luciana Paes por “Escuro”

Cenário:
Jean-Pierre Tortil por “Side Man”
Marisa Bentivegna e Leonardo Moreira por “Escuro”

Figurino:
Rosângela Ribeiro por “Policarpo Quaresma”
Theodoro Cochrane por “Escuro”

Iluminação:
Beto Bruel por “Cinema”
Wagner Antônio por “H.A.M.L.E.T.”

Música:
Fernanda Maia por “Lamartine Babo”
Pedro Paulo Bogossian por “Nara”

Categoria especial:
Karin Rodrigues pelo encaminhamento e socialização do acervo pessoal de Paulo Autran a instituições culturais.
Luiz Päetow pela concepção e pesquisa do espetáculo “Abracadabra”.