SAIBA COMO FOI A COLETIVA DE IMPRENSA DE “RENT”

rentFernando Pivotto, para o Aplauso Brasil (fernando@aplausobrasil.com.br)

SÃO PAULO – A empolgação com que o público recebeu a notícia de que Rent teria uma nova temporada parece não ser uma via de mão única. Durante a coletiva de imprensa da produção, que aconteceu no dia 08, era nítido que a equipe criativa da nova montagem também estava muito feliz em fazer parte da empreitada.

Ao longo da coletiva, que durou cerca de duas horas e que contou com presença de elenco, produção, direção, direção musical, figurino, versionista, cenografia, visagismo e coreografia, era possível notar uma paixão que unia os artistas em prol do espetáculo. Mais de uma vez foi dito que os profissionais presentes estavam unidos não só pelo dinheiro, mas pelo prazer de estar no musical.

É compreensível: o flerte da equipe com Rent começou há quase três anos, quando uma conversa no camarim de Cazuza – O Musical começou a provocar no produtor e ator Bruno Narchi a vontade de montar o espetáculo. Nesse ínterim, negociações de aquisição de direitos autorais, rascunhos de versões de músicas, reuniões com outros artistas interessados no projeto e o levantamento de possibilidades de construir um Rent que fosse social, artística e politicamente relevante em 2016 fizeram com que toda a equipe criativa tomasse para si a empreitada. A possibilidade de encenar o espetáculo do seu próprio jeito, sem ter que obrigatoriamente seguir as marcas originais é apenas o cume de uma estrutura planejada para, desde a base, empoderar os artistas envolvidos a fim de montarem o “seu” musical.

Isso se reflete no trabalho da diretora Susana Ribeiro, presente em montagens aclamadas da Cia dos Atores e que faz sua estreia no teatro musical. Para ela, era essencial encontrar o “material cênico, produtivo e político” que dá substância ao texto de Jonathan Larson. Esta busca, somada à liberdade de não precisar montar uma franquia de Rent levou à valorização do coro, na tentativa de encontrar as pulsões coletivas pertinentes à vida numa metrópole como a Nova York do final do século XX.

Diz ela que nos ensaios, prestou “atenção na criação não só dos protagonistas, mas do coro, pensando neles como individualidades no coletivo e conseguindo, a partir deles, falar das questões sociais.”.

Esta visão de coletivo também impactou no trabalho da coreógrafa e diretora de movimento Kátia Barros, que trabalhou com o elenco pensando num coro grego, e diz ter utilizado momentos de união e de solidão para ressaltar as questões fundamentais da montagem. Outra preocupação durante o período de ensaios foi a de pesquisar com os atores “como o corpo deles contava as histórias” dos personagens. Isso levou a caminhos originais, o que significa a reimaginação de cenas clássicas, como a coreografia de La Vie Boheme.

Créditos: divulgação
A área da coletiva de imprensa. Créditos: divulgação

Outro norte da montagem, segundo a equipe criativa, foi priorizar a comunicação da história para a plateia. Mariana Elisabetsky, versionista, e Daniel Rocha, diretor musical, deixaram claro ao longo do encontro a preocupação com uma comunicação cristalina do que é falado/cantado no palco, mesmo que isso significasse ligeiras alterações musicais em prol da prosódia.

Este cuidado se dá, pelo que se pode perceber, devido ao interesse que todos têm em apresentar um espetáculo que faça sentido para a plateia de agora. “São raras as vezes em que entramos em cena falando o que queremos falar”, diz Elisabetsky, para quem “talvez Rent faça mais sentido hoje do que nos anos 90”.

André Cortez, cenógrafo, faz coro às palavras da colega. Preocupado em levar ao palco a problemática dos refugiados e os problemas de ocupação urbana atuais, Cortez afirma que o espetáculo é relevante porque no meio de todo o caos, “a beleza pode ser o que nos salve”.

Durante toda a conversa, a equipe parecia confortável com sua criação, um Rent autoral mas ainda assim reconhecível pelos fãs – tanto os que estão fazendo o espetáculo quanto os que o assistirão. O resultado pode ser conferido a partir do dia 14, quarta-feira.

RENT
Temporada 2016: dias 14, 19, 20 e 21 de dezembro.
Temporada 2017: de 10 de janeiro a 29 de março.
Terças e quartas, às 21h. Sessão extra dia 19/12, segunda, às 21h.
Ingressos: R$ 100
Teatro Shop. Frei Caneca (600 lugares) Rua Frei Caneca, 569 / 7º andar

Ficha Técnica: 

Texto: Jonathan Larson
Versão Brasileira: Mariana Elisabetsky
Direção: Susana Ribeiro
Direção Musical: Daniel Rocha
Direção de Movimento e Coreografia: Kátia Barros
Cenografia: André Cortez
Figurino: Fause Haten
Visagismo: Leopoldo Pacheco
Iluminação: Wagner Freire

Elenco: Myra Ruiz, Bruno Narchi, Diego Montez, Thiago Machado,Ingrid Gaigher, Mauro Sousa, Max Grácio, Priscila Borges, Thuany Parente, Carol Botelho, Lívia Graciano, Zuba Janaina, Bruno Sigrist, Arthur Berges, Philipe Azevedo, Felipe Domingues, Guilherme Leal e Kaíque Azarias.

Produtores Associados: Bruno Narchi e Bel Gomes
Realização: IBELIEVE R.A. e BELELEO PRODS.

 

No Comments Yet

Leave a Reply

Seu email não será publicado

*