Satyrianas 2014: SP e RJ recebem 1º Congresso Brasileiro de Dramaturgia

Michel Fernandes do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com.br)

congressoSÃO PAULO – Em conversa com o ator e dramaturgo Ivam Cabral (CLIQUE AQUI PARA ASSISTI-LA), ele confessou que a SP Escola de Teatro, da qual ele é diretor executivo e Rodolfo Garcia Vázquez, ambos fundadores da cia. Teatral Os Satyros, aproximou os dois artistas de um universo mais amplo do teatro, o que acabou por repercutir num apuro maior em relação à exploração dramatúrgica, resultando no excelente texto Pessoas Perfeitas.  Esse cuidado com o texto, de torna-lo “autossustentável”, conforme disse Ivam, fez com que ele se juntasse ao multiartista Aderbal Freire-Filho, atual diretor da Sbat (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), na criação do I Congresso Brasileiro de Dramaturgia que começa logo mais nas Satyrianas 2014 e vai dias 3 e 4 de dezembro aporta na capital do Rio de Janeiro.

O evento reúne profissionais atuantes no teatro, cinema, TV e internet e tem inscrições gratuitas, pelo sitewww.congressodramaturgia.com.br (SP).  Ivam Cabral, Aderbal Freire-Filho, Lauro Cesar Muniz, Samir Yazbek, Alcides Nogueira, Rubens Rewald, Marcílio Moraes, Carol Kotscho, Mario Sergio Medeiros, Bráulio Mantovani, Ricardo Hofstetter e são alguns dos nomes confirmados.

A ideia é debater temas centrados em questões estéticas acerca da escrita dramatúrgica na contemporaneidade, além da profissionalização da categoria, Lei do Direito Autoral e políticas públicas. Outro fator são os pontos de convergência entre a dramaturgia e os roteiros elaborados, embora utilizem linguagens diferentes de apresentação. Por isso, o Congresso é voltado para dramaturgos, roteiristas, cineastas, atores, diretores, escritores, advogados da área, agentes literários, professores e estudantes de dramaturgia e audiovisual.

“O I Congresso Brasileiro de Dramaturgia chega para potencializar questões estéticas relacionadas ao universo da criação artística e legitimar discursos e pensamentos antes dispersos em conversas informais ou seminários independentes”, comenta Ivam Cabral, um dos articuladores do evento, diretor executivo da SP Escola de Teatro e presidente da ATO -Associação dos Amigos dos Autores Teatrais.

As mesas de debate do Rio de Janeiro pretendem ser não apenas uma extensão, mas uma sequência do congresso: novos temas serão debatidos, já que haverá a inclusão de duas mesas inéditas, ampliando as reflexões e propostas analisadas em São Paulo.

Aderbal Freire-Filho, diretor da Sociedade Brasileira de Autores (SBAT), conta que o atual congresso de dramaturgia não é o primeiro, já que participou de outros encontros “não oficiais”, inclusive com João Bethencourt e Millôr Fernandes.

“Mas é o primeiro congresso de todas as dramaturgias. E como dizer todas as dramaturgias é compreender a dimensão verdadeira da dramaturgia no século XXI (depois, por exemplo, de Ibsen, que não tinha como escrever roteiros para o cinema e TV), esse congresso é mesmo o primeiro. A dramaturgia hoje constrói filmes, telenovelas, séries,  minisséries, documentários e até (ou ainda) espetáculos de teatro. E sei lá quantos edifícios mais, cênicos, dramáticos, elásticos, plásticos… Então, esse é o primeiro congresso de dramaturgia, no Brasil, que quer juntar todos os dramaturgos, da TV, do cinema, de todas as formas de audiovisual e do teatro. É um momento histórico, como foi histórico o momento em que Oduvaldo Vianna, Bastos Tigre, Viriato Correa, Chiquinha Gonzaga e outros colegas nossos fizeram um ‘congresso’, em 1917, que marcou a maioridade dos dramaturgos brasileiros”, comenta Aderbal Freire.

Realizado em parceria com a Associação de Roteiristas (AR), Associação dos Artistas Amigos da Praça (ADAAP), Associação dos Amigos dos Autores Teatrais (ATO), o Centro Brasileiro de Entidades Culturais (CBEC) e a Sociedade Brasileira de Autores (SBAT), o Congresso tem ainda o objetivo de ajudar na recuperação da SBAT. A renda arrecadada durante sua realização será destinada à instituição.

SOBRE AS INSCRIÇÕES

Devido à limitação de lugares, haverá inscrições para os primeiros 250 participantes, que assistirão ao Congresso no Salão Nobre da Praça das Artes, local de sua realização;  outras 250 inscrições serão disponibilizadas para acompanhamento do evento via telão, em salão anexo.

SERVIÇO
I CONGRESSO BRASILEIRO DE DRAMATURGIA

 

SÃO PAULO

Local: Praça das Artes.
Endereço: Av. São João, 281 – Centro.  Tel.: 11 3053-2090

 

RIO DE JANEIRO

Prédio da Firjan.

Endereço: Av. Graça Aranha 1, 13º andar.

 

 

PROGRAMAÇÃO SÃO PAULO

 

20 de novembro – Quinta-feira       Salão Nobre do Theatro Municipal

17h      Credenciamento.
19h      Abertura do Congresso no Salão Nobre do Theatro Municipal, com o Secretário Municipal de Cultura de São Paulo, Sr. Juca Ferreira.
20h30  Coquetel.

 

21 de novembro – Sexta-feira         Praça das Artes

8h        Reunião dos Grupos de Trabalho

9h        Mesa 1

DRAMATURGOS E ROTEIRISTAS – pontos de Convergência

Rubens Rewald – Roteirista, Professor da ECA e Presidente da APACI – Associação Paulista de Cineastas;

Aderbal Freire-Filho – Dramaturgo, Ator e Diretor, Presidente da SBAT;

Lauro Cesar Muniz – Dramaturgo e Roteirista;

Bráulio Mantovani – Roteirista;

Mediação: Ricardo Hofstetter – Dramaturgo, Roteirista, Presidente da AR – Associação de Roteiristas;

A dramaturgia é a arte de compor e de dar forma a uma história e esse é o nosso ofício. Mas há pontos entre dramaturgos e roteiristas que precisam ser discutidos e aprofundados. O roteirista é antes de tudo um dramaturgo e é nessa perspectiva que essa primeira mesa, que abre o Congresso, vai caminhar provocando-nos a pensar.

 

11h30  Mesa 2

LEI DIREITO AUTORAL – Uma Lei para todos os artistas

Marcos Souza – Diretoria de Direito Intelectual do MinC;

Carol Kotscho – Roteirista e Escritora;

Evaristo Azevedo – Advogado e Crítico de Teatro da APCA;

Marcílio Moraes – Dramaturgo e Roteirista;

Mediação: Alexandre Negreiros – Músico, especialista em Direito Autoral

A LDA nos traz boas novas: um controle maior por toda execução e exibição pública da obra do autor. Com isso as arrecadadoras se veem obrigadas a prestar contas do que arrecadam de forma mais transparente. A Lei está em processo de regulamentação e é importante para nós, dramaturgos e roteiristas, termos conhecimento dos nossos direitos. Nada melhor que uma mesa formada por especialistas no assunto.

 

15h      Workshops temáticos organizados pela SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Placo, na Praça Roosevelt – São Paulo. Caminhada até lá com saída da Praça das Artes às 14h45.

 

22 de novembro – Sexta-feira                     Praça das Artes

8h        Reunião dos Grupos de Trabalho

9h        Mesa 3:

EXISTE UMA CRISE CRIATIVA NA DRAMATURGIA BRASILEIRA?

Alcides Nogueira – Dramaturgo e Roteirista;

Aimar Labaki – Dramaturgo e Diretor;

Aderbal Freire-Filho – Dramaturgo e Diretor;

Marici Salomão – Dramaturga e Jornalista;

Mediação: Ivam Cabral – Ator, Dramaturgo e Diretor SP Escola de Teatro;

Crise, essa é uma palavra constante no nosso dia a dia. Criar é necessariamente dar forma, abrir caminhos, conquistar espaços e transformar. O criador é antes de tudo um provocador. E essa inquietude nos leva a pensar também sobre uma crise criativa na dramaturgia. Ela existe? É fato? O que pode ser feito? Que caminhos seguir? Que espaços devemos ocupar? Nessa mesa temos a representação da criação brasileira, que além de nos falar sobre a crise – e sempre ela – nos levarão a pensar criticamente sobre novas propostas.

 

11h30  Mesa 4:

EXISTE CENSURA NO BRASIL, HOJE? – CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA E/OU PROIBITIVA?

Ricardo Hofstetter – Dramaturgo e Roteirista, Presidente da AR

Eduardo Benaim – Roteirista, Diretor de Cinema e TV;

Lauro Cesar Muniz – Dramaturgo e Roteirista;

Mediação: Mario Sergio Medeiros – Dramaturgo, Coordenador da SBAT

Censura, palavra nefasta, caminho sem volta, que poda a criação artística e nos reduz ao nada. A ascensão conservadora da sociedade é um perigo que ronda a criação e nos faz pensar se ainda existe censura no Brasil. Hoje a classificação indicativa para os programas no audiovisual implica a limites numa sociedade democrática. Onde estão esses limites? Como adequá-los a realidade brasileira? Existe uma censura não oficial nas produções artísticas? Como atuar diante disso? Uma mesa que levanta questões através de dramaturgos e roteiristas que vivem isso no dia a dia.

 

15h      Mesa 5:

MÚSICA PARA TEATRO, CINEMA E TV: COMO TRATAR  ESSES DIREITOS?

Ilo Krugli – Dramaturgo, Diretor do Grupo Vento Forte;

Caique Botkay – Compositor e Músico;

Martin Eikmeyer – Músico e Compositor;

Mediação: Alexandre Negreiros – Músico e Compositor;

A dramaturgia tem a possibilidade de absorver e ressaltar as diversas linguagens em arte. A Música tem um papel fundamental na compreensão da dramaturgia e de roteiros audiovisuais. Sua importância é tanta que criamos uma mesa para discutir o papel que nossos compositores teem na dramaturgia. E como tratar os direitos dessas composições, que uma vez escritas especialmente para a dramaturgia, deveriam ter sua arrecadação feita pela Sociedade Teatral que os representa. Uma mesa repleta de sensibilidade, paixão e compromisso com a arte.

 

17h30 Mesa 6:

POLÍTICAS PÚBLICAS DE APOIO À DRAMATURGIA

Alfredo Manevy – Secretário Adjunto da Secretaria Municipal de Cultura de SP;

Cecília Boal – Presidente do Instituto Augusto Boal;

Mediação: Eneida Soller – presidente do CBEC;

O Brasil avançou muito nos últimos anos nas políticas públicas para a cultura. Mas todo esforço ainda é necessário para que essas políticas sejam um compromisso do Estado brasileiro para que o povo tenha acesso aos bens culturais. E além do mais, o que estamos fazendo para proteger as obras de nossos dramaturgos? Qual a política de preservação desses bens que são patrimônio cultural do povo brasileiro? Essa mesa tem por objetivo levantar essas questões e qual o indicativo para essas políticas.

 

20h      Projeção do filme: “A Luneta do Tempo”, de Alceu Valença

Local: Cine Olido, na Avenida São João. Saída às 19h30 da Praça das Artes.


22h      Conversa com Tuinho Schwartz – Produtor

 

 

 

23 de novembro – Sexta-feira                    Praça das Artes

8h        Reunião dos Grupos de Trabalho

9h        Mesa 7:

OS CONTRATOS ENTRE PRODUTORAS E ROTEIRISTAS – QUAIS SÃO AS NOSSAS ESCOLHAS?

Thiago Dotori – Cineasta, Presidente da AC – Autores de Cinema;

Eneida Soller – Presidente do CBEC – Conselho Brasileiro de Entidades Culturais;

Vanisa Santiago – Advogada especialista em Direito Autoral;

Victor Drummond – Advogado e Associação dos Intérpretes;

Mediação: Alexandre Negreiros – Músico, especialista em Direito Autoral

Muitas das vezes somos obrigados a assinar contratos por obra. Depois que nossos trabalhos são exibidos, como ficam os nossos direitos para novas exibições? A obra pertence ao autor. Mas nesse caso, podemos realmente dispor delas? Como ficam nossos contratos com produtoras e TVs? Quais são as nossas escolhas? Essa é uma boa pergunta para nos fazermos diante da intensa discussão dessa mesa.

 

11h30  Mesa 8:

ASSOCIAÇÕES EM ASSOCIAÇÃO – UMA PROPOSTA PARA O FORTALECIMENTO DE DRAMATURGOS,  ROTEIRISTAS e ARTISTAS

Ricardo Hofstetter – Roteirista e Escritor, Presidente da AR;

Lauro Cesar Muniz – Dramaturgo e Roteirista;

Aderbal Freire-Filho –Diretor e Presidente da SBAT;

Ivam Cabral – Ator, Dramaturgo, Presidente da ATO – Associação dos Amigos dos Autores;

Dinovan Oliveira – Advogado da SP Escola e da ATO;

Thiago Dotori – Roteirista e Presidente da AC;

Eneida Soiller – Presidente da CBEC;

Mediação:  Mario Sergio Medeiros