SATYRIANAS 2014: VOX POPULI DE SÁBADO (22)

Raphael Martins, colaborador especial do Aplauso Brasil (Redacao@aplausobrasil.com.br)

SATYRIANAS 2014 - CRÉDITO FOTO RODOLFO ALEX GALVÃO
SATYRIANAS 2014 – CRÉDITO FOTO RODOLFO ALEX GALVÃO

SÃO PAULO – Terceira noite de Satyrianas não esmorece e traz estrutura organizada, segurança e programação diversificada O público só cresce.

O primeiro pensamento que me vem à cabeça quando chego à Praça Roosevelt durante a Maratona Cultural Satyrianas – Uma Saudação à Primavera é :

“Por onde eu começo?”, outro pensamento vem logo em seguida “Caramba! Quanta gente!”.

Foi assim que eu cheguei na terceira noite de Satyrianas, já na altura de quarenta das suas setenta e oito horas de duração. O público ainda continua crescendo.

Entre skatistas, artistas, estudantes descolados, moradores de rua, tatuados, famílias com crianças, geólogos, estilistas, imprensa… posso jurar que vi o Wally atrás da barraca que vendia cachorro-quente na praça.

E após esse “Uau” inicial, chegou a hora de ligar o gravador e partir em busca de mais opiniões sobre a décima-quinta Satyrianas que você confere a seguir:

Logo na calçada em frente a SP Escola de Teatro, está o artista Luis Maurício, subindo a rua entre os carros e caracterizado como Elis Regina, com o corpo de uma boneca preso ao pescoço, confeccionado por ele, em um palco iluminado preso à sua cintura, com direito a um pequeno microfone na mão e muito brilho.

“Eu tenho esse trabalho chamado Palco dos Bonecos, tenho outros modelos que eu faço, é uma espécie de homenagem usando a caricatura onde tudo é preso ao rosto do ator, o boneco e o palco. Tem no Youtube, é só jogar!”

Perguntei o que ele está achando das Satyrianas este ano e ele com um sorriso responde agitando os bracinhos da boneca Elis:

“É uma delícia, porque você acaba vendo pessoas de todos os lugares. Então esse intercâmbio entre os artistas, esse olhar… é gostoso! Às vezes tem gente meio blasé, que passa como se fosse a coisa mais comum ver um palhaço na rua. Mas isso também é engraçado.”

Agradeço e passo pela turminha blasé na fila do tabuleiro do milho cozido em frete ao Espaço Parlapatões.

Na saída da Estação Sátyros encontro o estilista Décio Vincentim, saindo da performance O Pásssaro.

“Eu estou encantado! Eu moro aqui do lado, mas é a primeira vez que eu venho! Eu não conhecia nada disso. Poder entrar neste espaço que eu via só passando da rua, eu descobri coisas! Sem querer, descobri este espetáculo e foi muito legal!”.

Já o geógrafo Henrique me disse que ficou impressionado com a capacidade do ator Eduardo Chagas de prender a atenção do público.

“A performance foi ótima, você esquece de tudo que está em volta e o cenário está na sua cabeça.”

Eram quase meia-noite e a atriz Daisy havia acabado de chegar nas Satyrianas:

“Eu estou achando que mais pessoas estão aderindo, porém, eu já vi outros anos com mais programação do que este.”

Um casal me chama a atenção, dois jovens circulam entre as pessoas de mãos dadas, uma coisa comum se não fosse o fato do rapaz trazer no colo um bebê de apenas dois meses.

“É a nossa filinha” diz o professor Fábio, 29. Camilla Flores, 30, atriz e mãe, quis já introduzir a pequena filha no mundo das artes “Assim ela já vai se acostumando” diz com um sorriso orgulhoso. “Eu acho que esse ano está mais acessível, seguro, você vê, está todo mundo interagindo, não tem briga, sem confusão. Essa coisa do pague o quanto puder já educa o público a consumir teatro que é essencial.”.

“E as pessoas respeitam” complementa Fábio. “Quando percebem que estou com um bebê, eles abrem caminho, são todos solidários”.

Paula, que estava trabalhando na equipe de apoio da maratona, passa por mim e entra na bilheteria do espetáculo O Mito de Dionísio.

“Tivemos que abrir mais trinta lugares. Nas anteriores eram mais artistas, agora tem público de todo o tipo. Mais pessoas estão vindo conhecer.” Diz enquanto destaca e entrega os ingressos.

Descendo a rua e reencontro Mayara que me concedeu uma curta entrevista na noite anterior, logo após descer da plataforma de quinze metros do espetáculo Desiderata. Já refeita da experiência, dessa vez conseguiu falar comigo por mais tempo:

“Esse evento é uma oportunidade dos grupos experimentarem pesquisas que eles estão iniciando. É muito importante sempre ter esse espaço para ouvir e trocar. E o público ganha muito com isso”.

O cantor Adriano Del Valle estava também muito bem impressionado com a estrutura do local.

“A reforma que foi feita na Praça Roosevelt ficou maravilhosa! Eu não vim nos outros anos, mas estou achando lindo os skatistas dividindo espaço com os artistas. Tem gente que acha que precisa de mais árvores na praça, as árvores são importantes sim, então salvem o Parque da Augusta! Pra isso que ele existe!”, defende.

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