Satyros estreiam projeto em parceria com Os Fofos Encenam e Grupo Pândega, de Maria Alice Vergueiro

Redação do Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com)

Maratona engloba três visões do texto "Os que Vêm com a Maré"
Maratona engloba três visões do texto “Os que Vêm com a Maré”. Foto: divulgação

São Paulo – Para comemorar os 25 anos de sua fundação, o grupo paulistano Os Satyros continua em festa. E a comemoração vem sempre em maratona. Agora, o texto Os que Vêm com a Maré de Sérgio Roveri é montado em três versões com diferentes diretores e os mesmos atores. A maratona acontece nos dias 6, 7 e 8 de maio. 

As maratonas de comemoração aos 25 anos do grupo começou com E se Fez a Humanidade Ciborgue em 7 Dias, em março: as sete peças que o compõem foram apresentadas em série, no mesmo dia.

Ainda no final de março, o grupo encontrou energia para uma Vigília pela Liberdade, que teve como mote a “descomemoração” do golpe militar de 1964. Para tanto, convidou nomes como Eduardo Suplicy e Soninha Francine, que se apresentaram como atores no evento.

Agora, para marcar a estreia de uma nova empreitada, o grupo programa três maratonas que acontecerão nos dias 6, 7 e 8 de maio, no Espaço dos Satyros, com a apresentação de três montagens em sequência, a partir das 19h.

Depois da maratona, as três montagens da peça Os que Vêm com a Maréentra em temporada no dia 13/05

Sérgio Roveri e as relações familiares
O projeto “3XRoveri” consiste em três montagens distintas do texto “Os que Vêm com a Maré”, de Sérgio Roveri, com um mesmo elenco e por três diferentes diretores, oriundos de grupos com pesquisas bastante distintas: Maria Alice Vergueiro, do Grupo Pandega; Fernando Neves, d’Os Fofos Encenam; e Rodolfo García Vázquez, diretor d’Os Satyros.

“Os que Vêm com a Maré”, escrita pelo dramaturgo Sérgio Roveri em 2011, embora já publicada, é inédita nos palcos. A peça faz um mapeamento comovente de algumas relações familiares e revela como a vida pode se apequenar quando não se alcançam os objetivos, quando não se realizam os sonhos.

A partir de um embate de forças como esperança versus realidade, indiferença versus compaixão e amor versus abandono, “Os que Vêm com a Maré” desponta como um texto vigoroso, comovente pelo que tem de mais poético e necessário pelo que tem de mais cruel.

Na história de “Os que Vêm com a Maré”, um pai e uma mãe, que, como os demais personagens da peça, não possuem nome, esperam pacientemente pelo regresso do filho único que partiu meses atrás. Tudo o que eles sabem, graças a um telegrama recebido em um tempo incerto, é que o filho deve voltar na balsa do domingo. E então eles aguardam.

O casal aguarda e faz planos. Planos de consertar o telhado antes do próximo inverno, planos de vestir uma roupa nova para recepcioná-lo no dia de sua chegada, planos de executar uma melodia alegre em um violino sem cordas, planos de iluminar seu caminho do cais até a casa com uma lanterna com pilhas novas.

Um mesmo elenco para três diretores
Outro desafio desse projeto foi a opção em manter um único elenco para as três encenações. Atuam na montagem, os atores Dione Leal e Ricardo Pettine, que vivem os pais do jovem, interpretado por Robson Catalunha. Ainda em cena, Suzana Muniz, a vizinha da família.

Maria Alice Vergueiro e Fernando Neves encontram-se com Os Satyros
Os Satyros têm repetido continuamente que a grande revolução da Praça Roosevelt, na verdade, aconteceu a partir de umas mesinhas espalhadas na calçada da praça, onde se localiza o Espaço dos Satyros. Com frequência, uma companhia de teatro trabalha solitariamente e tem pouco tempo para compartilhar o trabalho com outros grupos, que também sempre estão apresentando alguma coisa ou preparando um novo trabalho.

Assim, o Espaço dos Satyros, desde a sua inauguração, em 2000, tem aberto suas portas para receber parceiros de várias vertentes do teatro – e não só. Já se apresentaram ali nomes como Renato Borghi, Juliana Galdino, Gerald Thomas, Clara Carvalho, Zeca Baleiro e até Reynaldo Gianecchini e Adriane Galisteu.

Agora, para comemorar o aniversário de 25 anos, Os Satyros convidaram dois importantes diretores da cena teatral paulistana para dividirem, juntos, essa experiência: Maria Alice Vergueiro e Fernando Neves.

Maria Alice, que trabalhou com importantes grupos, como Oficina e Ornitorrinco, fundou, mais recentemente, o Grupo Pândega de Teatro, que produziu o sucesso “As Três Velhas”, de Jodorowsky. Maria Alice também é pedagoga convidada do projeto da SP Escola de Teatro.

Fernando Neves é ator, diretor e um dos fundadores do grupo Os Fofos Encenam. Com foco na pesquisa do circo-teatro, tem realizado importantes trabalhos, como “A Mulher do Trem” e “Assombrações do Recife Velho”.

Serviço
Os que Vêm com a Maré

Sinopse: Um pai e uma mãe esperam pacientemente pelo regresso do filho único que partiu meses atrás. Tudo o que eles sabem, graças a um telegrama recebido em um tempo incerto, é que o filho deve voltar na balsa do domingo.

Texto: Sérgio Roveri

Direção: Maria Alice Vergueiro, Fernando Neves e Rodolfo García Vázquez

Elenco: Robson Catalunha, Suzana Muniz, Dione Leal e Ricardo Pettine

Assistentes de direção: Carol Splendore e Luciano Chirolli, na montagem de Maria Alice Vergueiro; e Marcelo Thomáz, na versão de Rodolfo García Vázquez

Cenário: Marcelo Maffei e Pablo Benitez Tiscornia

Figurino: Telumi Hellen

Trilha Sonora: Luciano Chirolli, na concepção de Maria Alice Vergueiro; Pedro Zurawski, para a montagem de Fernando Neves; e Ivam Cabral, na versão de Rodolfo García Vázquez

Desenho de Luz: Flávio Duarte

Produção: Cia. de Teatro Os Satyros

Projeto patrocinado pela Funarte, através do Prêmio Myrian Muniz

Maratonas de estreia: 6, 7 e 8 de maio, com apresentações das três montagens em sequência

6 de maio: 19h, encenação de Rodolfo García Vázquez; 21h, encenação de Fernando Neves; 23h, encenação de Maria Alice Vergueiro

7 de maio: 19h, encenação de Maria Alice Vergueiro; 21h, encenação de Rodolfo García Vázquez; 23h, encenação de Fernando Neves

8 de maio: 19h, encenação de Fernando Neves; encenação de Maria Alice Vergueiro; 23h, encenação de Rodolfo García Vázquez

Temporada:

a partir de 13/05

Terças: 20h, encenação de Rodolfo García Vázquez; 22h, encenação de Fernando Neves

Quartas: 20h, encenação de Fernando Neves; 22h, encenação de Maria Alice Vergueiro

Quintas: 20h, encenação de Maria Alice Vergueiro; 22h, encenação de Rodolfo García Vázquez

Duração: 60 minutos cada espetáculo

 Ingresso: R$ 20,00; R$ 10,00 (estudantes, terceira idade e classe artística); e R$ 5,00 (moradores da Praça Roosevelt)

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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