“SE EU FOSSE IRACEMA” ESTREIA NO SESC IPIRANGA

Fernando Pivotto, para o Aplauso Brasil (fernando@aplausobrasil.com.br)

SÃO PAULO – Indicado ao Prêmio Shell do Rio de Janeiro e ao Prêmio Cesgranrio, monólogo aborda a questão indígena no Brasil e integra a programação do projeto Teatro Mínimo do Sesc Ipiranga, a partir de 13 de janeiro.

Inspirados pela carta aberta escrita pelos índios Guarani-Kaiwoá, em 2012, onde a comunidade denunciava a retirada de terras que sofria, o diretor Fernando Nicolau, o dramaturgo Fernando Marques e a atriz Adassa Martins mergulharam numa pesquisa sobre a questão indígena no Brasil contemporâneo. Deste processo surgiu Se Eu Fosse Iracema, monólogo que cumpriu temporada no Rio de Janeiro e que chega ao Sesc Ipiranga no dia 13.

Segundo o diretor, a montagem propõe uma reflexão sobre a possibilidade da coexistência entre povos distintos. Alinhada a esta visão, e ressaltando a urgência de tratar deste tema, a atriz Adassa Martins afirma que “é uma honra a possibilidade de falar sobre este assunto, de ecoar essas vozes tão caladas desde 1500. Olhamos tão pouco para os índios, e as questões permanecem as mesmas até hoje”.

Compilando mitos e ritos de passagem, a dramaturgia lapida um ciclo da vida, indo da origem do mundo à figura de um ancião de depois do fim dos tempos. Algumas passagens foram traduzidas do guarani pelo cineasta indígena Alberto Álvares, e para dar voz aos personagens foi criada uma interlíngua a partir da estrutura fonética da fala de diferentes índios. “Ouvi os pajés e diversos índios falando em documentários e percebi os fonemas mais presentes. A ideia é criar uma fusão do português com uma língua indígena”, conclui a atriz Adassa Martins.

Ainda serviram de inspiração os filmes Índio cidadão?, de Rodrigo Siqueira; Belo Monte, anúncio de uma guerra e A lei da água, ambos de André D’Elia, além do livro A queda do céu – Palavras de um xamã yanomami, de Davi Kopenawa e Bruce Albert, e dos escritos de Darcy Ribeiro, Alberto Mussa, Betty Mindlin e Manuela Carneiro da Cunha. “A variedade de referências foi fundamental porque não queríamos falar sobre uma ou outra etnia, mas buscamos um olhar abrangente sobre os povos originários, que são muitos e diversos”, completa o dramaturgo Fernando Marques.

Se Eu Fosse Iracema

Intérprete – Adassa Martins.
Dramaturgia – Fernando Marques.
Direção – Fernando Nicolau.
Iluminação e Cenografia – Licurgo Caseira.
Operação de Luz – Ricardo Lyra Jr.
Figurino e Caracterização – Luiza Fardin.
Trilha Sonora Original e Desenho de Som – João Schmid.
Preparação Vocal – Ilessi.
Direção de Arte da Comunicação Visual e Projeto Gráfico – Fernando Nicolau.
Escultura do Busto – Bruno Dante.
Fotografia – Imatra.
Caracterização das Fotos– Luiza Fardin.
Assistente de Direção – LuCa Ayres.
Assistente de Figurino – Higor Campagnaro.
Cenotécnico – André Salles.
Aderecista – Derô Lopes.
Produção Executiva – Clarissa Menezes.
Produção – 1COMUM.

Serviço
De 13 de janeiro a 12 de fevereiro. Sextas às 21h30, sábados às 19h30 e domingos às 18h30.
Ingressos: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (meia: estudante, servidor de escola pública, +60 anos, aposentado e pessoa com deficiência); R$ 6,00 (trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes)
Auditório Sesc Ipiranga. Rua Bom Pastor, 822. Ipiranga.

No Comments Yet

Leave a Reply

Seu email não será publicado

*