Se Fosse Fácil, Não Teria Graça

Da redação do Festival de Teatro de Curitiba 

SE FOSSE FÁCIL, NÃO TERIA GRAÇA
SE FOSSE FÁCIL, NÃO TERIA GRAÇA

CURITIBA – O ator Nando Bolognesi afirmou estar encantado desde o primeiro contato com a produção do Festival de Curitiba.

“Uma produção impressionantemente, eficiente e atenciosa”, disse. Ele deu entrevista coletiva à imprensa nesta quinta (3) no Memorial de Curitiba. O ator apresenta o espetáculo “Se Fosse Fácil, Não Teria Graça”, na Mostra 2014, em que conta sua trajetória como ator e palhaço. O fato de sofrer de esclerose múltipla é tão somente um elemento a mais em sua história.

“O espetáculo não é lacrimoso. Muitos riem e poucos choram. Falo das limitações, mas a história é pontuada pelos momentos em que eu achei que tudo tinha chegado a um fim, quando, então, eu percebia que a solução era simples e eu podia seguir adiante.”

Segundo Bolognesi, o seu objetivo, com sua arte, é causar estranhamento nas pessoas, como o das crianças que veem tudo com frescor ou como quando voltou do estrangeiro e via o cotidiano das pessoas com quem sempre viveu com olhos diferentes. “Se Fosse Fácil, Não Teria Graça” virou livro que deve ser lançado depois da Copa do Mundo.

 

O espetáculo – O ator, diretor e palhaço Nando Bolognesi tem esclerose múltipla desde os 21 anos. No espetáculo “Se Fosse Fácil, Não Teria Graça”, da Mostra do Festival de Curitiba, ele transforma a doença em comédia. Bolognesi enquadra o seu espetáculo na categoria sit down tragedy, um contraponto bem-humorado ao termo stand up comedy. “Nunca gostei de stand up comedy”, diz.

Bolognesi usa a doença – degenerativa, progressiva, incurável e com potencial incapacitante – a seu favor. Em sua montagem, o ator mostra como é possível superar dificuldades aparentemente intransponíveis como uma maneira de levar a vida além de seus próprios limites. Ele conta sua trajetória de superação com humor e oferece um relato engraçado, humano e comovente sobre como podemos transformar crises em alegrias, desafios e realizações.

Com 45 anos de idade, coleciona um grande currículo cênico, incluindo quatro anos de participação nos doutores da alegria e dez anos em cartaz como o palhaço Comendador Nelson no espetáculo “Jogando no Quintal”. Mais recentemente criou os “Fantásticos Frenéticos”, palhaços que visitam hospitais psiquiátricos. “Uma das coisas que a profissão de palhaço ensina é a ‘desdramatizar´ o mundo”, diz.

 

“Se Fosse Fácil, Não Teria Graça” é o que Nando Bolognesi chama de “plano Z” para sua carreira de ator. Por causa da doença, precisou abandonar as companhias em que trabalhava e, agora, se mantém na sua vocação contando sozinho no palco os percalços que precisa superar, as soluções que encontra e como passou a ver o mundo.

 

O plano tem dado certo: as primeiras apresentações na Fundação Armando Alvarez Penteado (Faap) e num teatro do bairro Pompeia, em São Paulo, todas lotaram apenas com a divulgação de amigos no Facebook e a montagem vem sendo muito bem recebida, sempre resultando em choro e gargalhadas.

 

Ficha técnica:
Se fosse fácil, não teria graça (São Paulo-SP)

Direção, Atuação, Autoria, Cenário e Figurinos: Nando Bolognesi
Produção: Élida Marques

SE FOSSE FÁCIL, NÃO TERIA GRAÇA

FESTIVAL DE TEATRO DE CURITIBA – MOSTRA 2014

Teatro Paiol

Dias 3 e 4 de abril – 21h

www.festivaldecuritiba.com.br

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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