Suely Franco e Tuca Andrada em aulas de dança e amor

Maurício Mellone, para o site Favo do Mellone, parceiro do Aplauso Brasil

Com direção de Ernesto Piccolo, Seis Aulas de Dança em Seis Semanas (Six Dance Lessons in Six Weeks), de Richard Alfieri, estreia nessa sexta e fica em cartaz até final de julho no Teatro Renaissance

Palco vira salão de dança com coreografias de Carlinhos de Jesus

Depois de já ter sido encenada em mais de 20 países, estreia nessa sexta, dia 29, no Teatro Renaissance, a comédia do norte-americano Richard Alfieri Seis Aulas de Dança em Seis Semanas, com Suely Franco e Tuca Andrada, sob a direção de Ernesto Piccolo. Tive a chance de assistir ao ensaio aberto realizado dia 22 e essa comédia tem todos os ingredientes para cair no gosto popular, assim como vem ocorrendo pelo mundo. Ao entrar na sala de espetáculo, a platéia vê que está diante de um belo e espaçoso apartamento: logo Lili, uma senhora de 72 anos entra e começa a arrastar os móveis para deixar a sala como um verdadeiro salão de baile.

Ao toque da campainha, entra Michael de 45 anos, o professor de dança, e o público tem a impressão que as aulas terão início. Doce ilusão: os personagens, talvez por receio do primeiro contato e pela insegurança dos tempos atuais, iniciam um jogo de aparências e o atrito entre eles é imediato.

Ambos mentem sobre suas idades, estado civil e há um estranhamento, só quebrado quando começam a dançar. Aí a relação entre os dois se estabelece: Lili revela ser uma exímia dançarina e vê no professor a chance de uma companhia, de conhecer uma nova pessoa.

O final de cada aula é bem marcado, com a saída de Michael e a janela do apartamento (com vista para o mar) funcionando como marca do tempo: há passagem das horas e novamente a campainha toca para a volta do mestre.

Suely Franco e Tuca Andrada

Com coreografia de Carlinhos de Jesus, cada aula é de um gênero musical como foxtrot, valsa, chá-chá-chá, tango e música contemporânea; além dos passos o professor gosta de falar sobre o contexto de cada dança, o que não agrada a aluna. Nesse momento das aulas, as personalidades díspares do casal vêm à tona e as rugas reaparecem. Até o instante em que eles começam a trocar confidências e as máscaras caem. Lili confessa que é viúva e que sofreu muito com a morte da filha aos 20 anos; seu martírio maior foi viver ao lado do marido, um pastor batista conservador e tirano. Já Michael conta que deixou sua carreira em Nova York para cuidar da mãe, vítima de Alzheimer, que faleceu há dois anos. Também confessa suas desilusões amorosas e como se fechou para o amor depois da morte de seu namorado.

O autor propõe um desenho dramático entre Lili e Michael encantador: de um estranhamento conflituoso inicialmente para um entendimento e uma troca amorosa que emociona o espectador. A cena em que voltam para casa depois de terem passado uma noite dançando é reveladora: mesmo vivendo em mundos diferentes, conseguem se entregar e criam um verdadeiro laço afetivo. Nesse estágio de entendimento, ambos refletem sobre a vida, a morte, a solidão, velhice e juventude e, principalmente, como ter uma vida feliz e amorosa independente da idade. Uma lição e exemplo!

Suely e Tuca compõem seus personagens com brilhantismo: o público ao final está apaixonado por Lili e Michael. E a mão do diretor é fundamental para esse entrosamento: como ator, Ernesto Piccolo sabe muito bem deixar seus companheiros soltos e livres para criar.

Destaque para o figurino de Cláudio Tovar (em cada aula os personagens estão com trajes alusivos ao ritmo), à luz de Wagner Freire e à programação visual do Estúdio Tostex.

Roteiro:
Seis Aulas de Dança em Seis Semanas
Texto: Richard Alfieri; tradução: Ciça Correa; direção: Ernesto Piccolo; Elenco: Suely Franco e Tuca Andrada. Coreografia: Carlinhos de Jesus; direção de arte: Vera Hamburger; figurino: Claudio Tovar;            iluminação: Wagner Freire; fotografia: João Caldas; produção executiva: Silvia Rezende; direção de Produção: Fernando Cardoso e Roberto Monteiro            
Serviço:
Teatro Renaissance (462 lugares), Al. Santos, 2233, Tel. 3069-2286.
Sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às 19h. Ingresso: sexta e domingo R$ 70 e sábado R$ 80. Bilheteria: de terça a sábado, das 14 às 20h; domingo das 14 às 19h. Formas de pagamento: cartões, dinheiro e cheque. Vendas pela internet: WWW.ingressorapido.com.br e pelo tel. 4003-1212. Duração: 90 min. Recomendação: 12 anos. Temporada até 31 de julho de 2011.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

No Comments Yet

Leave a Reply

Seu email não será publicado

*