Teatro de Rua nas quebradas de uma militância ultrapassada (?)

Michel Fernandes*, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

Com discurso maniqueísta e de militância agressiva, que parece ultrapassada para uma sociedade com liberdade de expressão, o primeiro debate das mesas formativas do II Encontro de Teatro de Mauá acabou por desviar-se da estrada temática expressa, o Teatro de Rua, e pegar a viela do sinuoso discurso da luta de classes.

Fábio Resende e Ademir de Almeida, representantes d’A Brava Cia. de Teatro, convidados para a mesa, com a simples sentença: “somos da classe de trabalhadores, não nos consideramos da classe artística” propiciou uma rica discussão sobre o que representa a “luta de classes” nessa primeira década do século 21. Quem são os “opressores” e os “oprimidos”? Por quê?

Um discurso radical e agressivo,”polarizado”, como acentuou Caio Evangelista, Coordenador de Cultura de Mauá, reflete um descontentamento com os rumos da política cultural atual – a qual, sabiamente o dramaturgo Luís Alberto de Abreu na segunda deste Encontro de Teatro de Mauá abriu os olhos de nós, artistas, como detentores da responsabilidade pela discussão dos modos de produção, do fazer artístico, ao invés de delegar as responsabilidades ao setor político – mas corre o risco de interpretações maniqueístas como a divisão de classes – trabalhadores X artistas – adotada pela A Brava, cujo repúdio ao comparar-se com a classe artística é mera questão de metonímia, ou seja, da parte (um tipo específico presente na classe artística) pelo todo (a classe artística de forma geral).

E você, o que acha? Participe da discussão!

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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