Teatro em espaços não convencionais

Michel Fernandes*, do Aplauso Brasil (Michel@aplausobrasil.com.br)

 

De Sorocaba para Cotia

COTIA – Em uma das suas palestras, a dramaturga Renata Pallottini disse que um dos caminhos a ser seguido pela dramaturgia residia no diálogo com o espaço em que se realizava o fato cênico. Apontamentos da quebra do espaço da cena servem de espinha dorsal deste artigo endereçado à reflexão de alguns processos de trabalho.

O G.A.L. – Poleiro dos Anjos, de São José do Rio Preto, utilizou diversos espaços, dentro e fora da sala de teatro, em BLANCHE! e, mesmo que tenha provocado algum prazer estético com as imagens criadas em belíssimos  pontos do Centro Cultural Wurth, acabou por esgarçar o espaço sem dar sentido a ele.  

Um Bonde Chamado, de Tennessee Williams, embora tenha servido apenas como mola propulsora para o projeto, não demonstrou, nem como matriz do mesmo, a sua atmosfera sufocante e promíscua que marca a trajetória de Blanche Dubois, personagem fascinante e pouco explorada no trabalho. Em lugar de se ater ao coração do que deseja abordar, o G.A.L. criou um Shiva com apontamentos em diversas direções imagéticas por seus inúmeros braços, deixando a desejar no preenchimento desses apontamentos. Como processo, o G.A.L., ao invés de se sentir fracassado, tem a oportunidade de olhar para seu imenso leque de criações e selecionar, sacrificar elementos que dispersem o conjunto, e, assim, alcançar a “bem-aventurança”, conforme nos sugere Joseph Campbell em O Poder do Mito.

“BLANCHE !” – G.A.L Poleiro dos Anjos

Acostumada a ocupar o quintal do Quilombinho, em Sorocaba, a Cia. Teatro de Fulô transpôs com êxito sua pesquisa sincrética entre o universo de Guimarães Rosa e a cultura afrodescendente para o palco à italiana.

O trabalho é calcado na interpretação – Ana Antunes, Daiana Coelho e Gladson Reis – e, esta, plena de verdade, intercedeu para que o resultado  fosse bem-sucedido mesmo que a iluminação tenha sido inadequada.

*Michel Fernandes viajou a convite do Projeto Ademar Guerra

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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