Teatro Guaíra é sinônimo de exclusão

Michel Fernandes*, do Aplauso Brasil (Michel@aplausobrail.com)

Na tentativa frustrada de assistir ao musical É Com Esse Que Eu Vou , da dupla Moeller  & Botelho, que era apresentado no teatro Guaira, tornou-se evidente a triste conclusão : o espaço não está preparado para receber pessoas de todas as possibilidades físicas, ou seja, os cadeirantes, como eu, estão excluídos por optarem os locais em que, ao menos, seja possível ver e escutar o espetáculo.

Lamentável que a direção do Teatro Guaira, um dos símbolos da capital paranaense (tal qual o Corcovado  o é para o Rio de Janeiro), não tenha reparado que, além do respeito á Lei Federal que obriga a todos os logradouros públicos (espaços) ter acessibilidade para pessoas com necessidades especiais, em casos específicos como esse, é recomendável o mínimo de bom senso. Não adianta escolher a pior localização da plateia para colocar o deficiente físico e excluí-lo do direito de ir e vir, que é comum a todos os cidadãos, a não ser que o local reservado seja realmente bom ( leia –se bom  como o local em que barras não obstruam a visão do deficiente, a distância entre o local reservado e o palco seja razoável ,entre outros).

Na situação, deveras vexatória, houve transtornos que me impediram de continuar  o alucinante ritmo que sigo durante o Festival de Curitiba e perdesse espetáculos programados para assistir no sábado, inclusive de voltar ao musical É Com Esse Que Eu Vou, pois a sensação de ser excluído realmente é bastante pesada.

Por isso peço que, antes do respeito apenas ás leis, seja levado em consideração o respeito que todo individuo merece  e que a ele seja concedido o direito de desfrutar, em absoluto, o que o mundo pode oferecer.

*Michel Fernandes viajou a convite do Festival de Curitiba

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

3 Comentários
  1. Olá Michel,
    Lastimável mesmo. Na última sexta-feira, fui ver o espetáculo Sonhos Para Vestir, dirigido pela Vera Holtz. Não lhe vi por lá e achei inclusive que você não havia ido por causa dos acessos. Achei o Paiol também pouco adequado. Fica o alerta para o governo municipal de Curitiba e para todos os que respondem pela cena teatral local.

  2. Caro Michel,

    Sou jornalista e também sou cadeirante. Moro em Curitiba há 8 anos e já passei pelo o que você passou. A justificativa que eu sempre ouço está ligada à impossibilidade de reformar o espaço, por ter a arquitetura muito antiga.

    Sinto muito. Antiga é a postura. O Teatro Guaíra é um belo espaço cultural, mas é de fato excludente. O lugar reservado aos cadeirantes é no fundo do teatro, o que torna a experiência muito frustrante.

    É interessante pensar que o problema não é só ficar no fundo da platéia, porque isso pode acontecer com qualquer pessoa, em um espetáculo de casa cheia, por exemplo. O desconforto é ser obrigado a sentar ali.

    E você veio à Curitiba como convidado do Festival… Irônico,

    1. Concordo em, absoluto, com você, Rafael, chega de ficarmos aceitando desculpas sobre a impossibilidade de reformas por isso ou por aquilo, a questao pode ser muito mais objetiva, como adequar dentro das possibildades reais o que, aparentimente, é impossivel a adequaçao. Vamos nos comunicando por e-mail, pois temos ideias e desejos similares.

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