TEATRO LGBTQ+: História Natural do Amor faz novas temporadas a partir do dia 19/10

 

SÃO PAULO – História Natural do Amor, interpretada por Guilherme Zanela, escrita e dirigida por José Fernando Peixoto de Azevedo faz duas curtas e novas temporadas em outubro de 2019. Dias 19 e 20 faz sessões no Teatro Laboratório da ECA-USP no Prédio 8 (Rua da Reitoria, 215 – Cidade Universitária) e de 23 a 31 na SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Bela Vista). O espetáculo parte dos ensaios publicados pela N-1 Edições Ética Bixa: Proclamações Libertárias para uma Militância, do filósofo espanhol Paco Vidarte, e de Pelo Cu: Política Anais, de Javier Saez e Sejo Carrascosa, para discutir os perigos, tabus, impasses e demais questões que cercam a sexualidade desde os períodos mais remotos e que se intensificaram nos últimos tempos.

 

Ainda que passagens biográficas estejam presentes, como a exibição de um vídeo de Guilherme, ainda criança, interpretando Jesus Cristo sendo crucificado em uma montagem escolar ou relatos sobre sua infância no Rio Grande do Sul, marcada por uma criação machista e heteronormativa, a peça lida com uma abordagem mais ampla, destacando dados alarmantes como o fato da homossexualidade ser crime em mais de 70 países, sendo que em alguns deles, como o Irã, é comum a prática de tortura e assassinato para punir pessoas LGBTQ+.

 

“Foi durante o processo de criação da peça que o Zé (diretor) me apresentou esses livros que sintetizavam muitas das questões alarmantes sobre como o sexo anal, o corpo não-hegemônico e os diversos estereótipos relacionados à sexualidade como circunstâncias que determinam a sociedade que vivemos”, conta Guilherme. O texto da peça entremeia os relatos do ator com trechos dos livros que a inspiraram. As músicas que se sucedem durante o espetáculo, algumas cantadas pelo ator, propõem ambientes lidos como pertencentes ao universo gay, que vão desde clássicos da música pop até a sonoridade eletrônica de baladas.

 

A direção de José Fernando Peixoto de Azevedo entra com os dispositivos cênicos que caracterizam o seu trabalho –  imagens projetadas sobre a parede se integram à interpretação de Guilherme e sugerem novas leituras sobre a cena, como nos momentos em que o ator reinterpreta a feição de atores pornôs ou quando se grava dentro de uma cabana, oferecendo ao público uma cena com duas camadas, já que é possível assistir a cabana na cena ou o vídeo de Guilherme dentro dela sendo projetado.

 

O trabalho, pensado inicialmente como uma criação que consolidaria a formação de Guilherme na EAD (Escola de Artes Dramáticas da USP), ganhou força ao longo da criação, escapando da proposta formativa para se tornar um trabalho cênico feito para circulação. “Em alguns de seus trabalhos, José tem instaurado na relação presença-imagem, ator-câmera, aquilo que nomeia ‘dispositivos de saturação’: todo o empenho está em ver, nos corpos e nas relações produzidas, não apenas como se produz sujeitos, mas quando, em combate, esses corpos deixam de se sujeitar, esboçando outras possibilidades. Foi assim, por exemplo, na sua versão para o texto de Plínio Marcos, Navalha na Carne Negra”, conta Guilherme.

 

 

FICHA TÉCNICA

Direção, Dramaturgia e Dispositivo Cênico: José Fernando Peixoto de Azevedo

Ator: Guilherme Zanela

Vídeo em Cena: André Voulgaris

Música em Cena: Luca Pelucio Grecco

Desenho de Luz: Denilson Marques

Operadora de Luz: Juliana Kovalenkinas

Colaboração em processo: Julio Arack

Produção: Corpo Rastreado

Realização: Escola de Arte Dramática – EAD/ECA-USP

 

SERVIÇO

História Natural do Amor

60 minutos/ 18 anos


19 e 20 de outubro de 2019, sábado, às 21h e domingo, às 20h

Teatro Laboratório da ECA-USP – Prédio 8 (Rua da Reitoria, 215 – Cidade Universitária, São Paulo/SP)

Ingressos: Grátis

Capacidade: 80 lugares

 

23 a 31 de outubro de 2019, quartas e quintas, às 21h

SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Bela Vista, São Paulo/SP)

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Capacidade: 60 lugares

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!

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