Texto de Plínio Marcos abre Mostra do Teatro Português do Teatro APCD

Redação do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"O Abalur Lilás"

SÃO PAULO – O Abajur Lilás, texto do brasileiro Plínio Marcos, produção de Portugal, abre, neste sábado (8), no Teatro APCD, a Mostra do Teatro Português que reúne, até o dia 18, que reúne grupos de países que falam o mesmo idioma: língua portuguesa.

A programação reúne comédias, tragédias e dramas que são sucessos de companhias em seus países. Os representantes brasileiros ficam por conta do grupo Contadores de Mentiras com a peça Curra – Temperos Sobre Medéia. De Portugal, desembarcam aqui E a cabeça tem de ficar? e Vincent Van e Gogh, além da encenação do texto de Plínio Marcos, O Abajur Lilás. Do Timor Leste vem Lisan Timor (Costumes Timor). Já Cinzas Sobre As Mãos é de Moçambique. Todos os ingressos são gratuitos.

"O Abalur Lilás"

“Esse é o encontro das colaborações de grupos de línguas portuguesas. Um intercâmbio que impulsiona o mercado, que promove conhecimento. Um traço de experiências que evidencia as diferenças e igualdades de povos que têm os mesmos ancestrais. Teatro, não importa o local, é universal. As apresentações ampliam o leque de todos os envolvidos”, diz a coordenadora geral do projeto, Creusa Borges.

Um dos destaques da mostra fica por conta do grupo Escola da Noite, de Coimbra, Portugal. A companhia traz uma versão de O Abajur Lilás, de Plínio Marcos. A montagem é considerada como a mais incisiva das peças que analisaram a situação brasileira durante a ditadura que se seguiu ao golpe de Estado de 1964. A trama foi escrita (e proibida pela primeira vez) em 1969. Em 1975, depois de uma segunda proibição, tornou-se uma bandeira em defesa da liberdade de expressão e contra as diferentes formas de opressão e exploração. Nas palavras de Sábato Magaldi servia “de desnudamento de um período de terror”.

Programação no Teatro APCD

O Abajur Lilás – Dia 8 de setembro, às 21h

Grupo: Escola da Noite – Coimbra, Portugal

Três prostitutas compartilham o quarto onde vivem e trabalham. O proprietário do prostíbulo exerce pressão sobre elas para que aumentem a produtividade, sempre com a ajuda de Osvaldo, o seu capanga.

Ficha Técnica:

Direção: António Augusto Barros. Texto: Plínio Marcos. Elenco: Ana Meira, José Russo, Rosário Gonzaga (Cendrev), Maria João Robalo e Miguel Lança (A Escola da Noite); Cenografia João Mendes Ribeiro e Luisa Bebiano. Figurinos: Ana Rosa Assunção. Iluminação: António Rebocho. Banda Sonora André Penas.Duração: 90 minutos. Classificação: 16 anos.

Lisan Timor (Costumes Timor) – Dia 10 de setembro, às 21h

Grupo: BIBI BULAK – Timor Leste.

Montagem apresenta costumes e crenças de Timor Leste com o objetivo de promover e  fortalecer a cultura como identidade nacional. É um teatro abstrato, físico e poético.

Ficha Técnica:

Direção: Almeida Ganefabra de Jesus Pinto. Elenco: Maria Madalena, Feliciano Corbafo Guterres, João Tadeu Ximenes, Silvano Rodrigues Xavier, Mariazela e Fatima Xavier.  Duração: 45 minutos. Classificação: 12 anos.

E a cabeça tem de ficar? – Dia 11 de setembro, às 21h

Grupo: Chão de Oliva – Sintra, Portugal

Inspirada no comediante Karl Valentin, uma das maiores influências de Bertold Brecht. O espetáculo traz cenas cômicas com o som de palavras, improviso, objetos cênicos, um tipo de interpretação que preza a interação com o público.

Ficha Técnica:

Direção: João de Mello Alvim. Direção de Produção: Nuno Correia Pinto. Dramaturgia: Manuel Sanches.Investigação e organização documental: Carla Dias. Cenografia: Companhia de Teatro de Sintra.Figurinos: Companhia de Teatro de Sintra. Duração: 65 minutos. Classificação: 12 anos.

Cinzas Sobre As Mãos – Dia 12 de setembro, às 21h

Grupo: LareiraMoçambique, África.

Trata-se de uma tragédia contemporânea. Durante a guerra, dois coveiros têm a função de queimar cadáveres, porém a fumaça os irrita a cada trabalho. Quando resolvem fazer uma greve por melhores condições, surge entre os mortos uma sobrevivente que mudará a vida da dupla.

Ficha Técnica:

Elenco: Lucrécia Noronha, Violeta Mbilane e Diaz Santana. Dramaturgia: Laurent Gaudé. Direção e figurinos: Elliot Alex. Coreografia: Rosa Mário. Luz: Caldino José. Som: Nelson. Cenografia: Elliot Alex e Nelson Apoios: Grupo de Teatro Luarte/ Centro Cultural Franco Moçambicano. Duração: 60 minutos.Classificação: 10 anos.

Vincent Van e Gogh – Dia 13 de setembro, às 21h

Grupo: Peripécia Teatro – Macedo de Cavaleiros, Portugal.

Vincent Van e Gogh são três dos personagens que dividem um espaço com pincéis, telas, chapéus e cavaletes. Por meio da relação e o jogo destes personagens, em cena emergem figuras e situações que marcaram a vida e a obra de Van Gogh. Um espetáculo visualmente poético com algumas das mais emblemáticas obras do pintor. A narrativa não é linear e mescla ambientes de delírio, de inquietude e de desconcerto, um passeio da comédia ao drama.

Ficha Técnica:

Direção: José Carlos Garcia. Elenco: Sérgio Agostinho, Noelia Domínguez e Angel Frágua. Iluminação:Paulo Neto. Figurinos e adereços: Peripécia Teatro. Design Gráfico e Fotografias: Paulo Araujo.Operação de Luz: Paulo Neto / Eurico Alves. Duração: 70 minutos. Classificação: 12 anos.

Grupo: Contadores de Mentiras – Suzano, São Paulo – Brasil

Curra – Temperos Sobre Medéia – Dia 16 de setembro, às 19h

Grupo: Contadores de Mentiras – São Paulo, Brasil

O espetáculo é uma confraternização ritualística, fruto de pesquisas das culturas orientais e africanas, onde a fonte é o corpo e suas energias. Durante a peça, é servido um banquete e o público é convidado a experimentações gustativas através do paladar e do olfato. Os atores não possuem cenas definidas. A trama restabelece o mito clássico transformando a tragédia em um ritual de celebração.

Ficha Técnica:

Direção e dramaturgia: Cleiton Pereira. Elenco: Ailton Barros, Cleiton Pereira, Daniele Santana, Drico de Oliveira, Camila Rafael. Atores Pajens Cozinheiros: Ailton Ferreira e Soraia Amorim. Figurinos: Ailton Barros. Concepção de Arte: Contadores de Mentira. Direção e Composição Musical: Meyson e Juá de Casa Forte. Musicista convidada: Raíssa Amorim. Designer Gráfico: Daniele Santana. Iluminação:Taciano L. Holanda.

Teatro APCD

Novo pólo cultural na Zona Norte de São Paulo, inaugurado no mês de março. O espaço funciona no interior da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD). Com 1.662m², o teatro tem 800 lugares na plateia e 44 lugares distribuídos por dois camarotes. Com projeto arquitetônico de Heitor Coltro, o local possui poltronas vermelhas estofadas, palco de 7 por 6 metros, boca de cena de 16m por 5.80m.

PARA ROTEIRO:

TEATRO APCD. Rua Voluntários da Pátria 547 – Santana – São Paulo/SP. Telefone: (11) 2223-2424  Lotação: 800 lugares. BilheteriaDe quarta-feira a sábado, das 15h às 22h, e domingo, das 15h às 20h.Capacidade: 800 lugares. Ingressos: Grátis (Limite de dois ingressos por pessoa). Estacionamento no local, coberto e com seguro. A 100 metros da estação do metrô Tietê. (http://www.apcd.org.br/teatroapcd/)

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.